Atenção ao engasgo e as novas diretrizes

Engasgar é um dos acidentes domésticos mais comuns e, ao mesmo tempo, mais assustadores — pode acontecer com qualquer pessoa, em qualquer lugar. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, milhares de casos de engasgo são registrados todos os anos no país, principalmente entre crianças e idosos. Agora, com as novas diretrizes de primeiros socorros de 2025, atualizadas pelo European Resuscitation Council e adaptadas para o Brasil, algumas recomendações importantes mudaram, e saber o que fazer — e o que não fazer — pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Como pedir ajuda

Uma das principais novidades é o reforço do sinal universal de engasgo: mãos em volta do pescoço. Esse gesto, simples e rápido, deve ser reconhecido como um pedido imediato de socorro. É fundamental que as pessoas ao redor saibam interpretar o gesto e ajam sem hesitar.

Como reconhecer uma vítima de engasgo

Outra mudança importante é o reconhecimento de situações em que a vítima está sozinha. Antes, as manobras de Heimlich eram explicadas apenas para serem feitas em outra pessoa. Agora, o protocolo inclui instruções claras para a autoaplicação da manobra de desobstrução:

Apoiar a parte superior do abdômen contra uma superfície rígida — como o encosto de uma cadeira, o braço de um sofá ou a quina de uma mesa — e realizar movimentos rápidos e firmes para dentro e para cima.
Essa técnica substitui os empurrões feitos por outra pessoa e pode expulsar o objeto preso nas vias aéreas.

Esse gesto simples já salvou vidas em todo o mundo, especialmente em situações de solidão, como refeições rápidas no trabalho ou em casa.

A sequência correta para ajudar alguém engasgado

Estimule a tosse se a pessoa ainda conseguir tossir. Isso indica que parte do ar ainda passa pela via aérea.
Se a tosse não for eficaz, aplique cinco golpes firmes nas costas, entre as omoplatas, com a base da mão.
Caso a obstrução persista, realize a manobra de Heimlich (compressões abdominais) — cinco empurrões rápidos, para dentro e para cima.
Se a vítima desmaiar, inicie imediatamente a reanimação cardiopulmonar (RCP) e acione o socorro médico de emergência (SAMU – 192).

Situações especiais de pessoas engasgadas

Gestantes e pessoas obesas: as compressões devem ser feitas mais acima, na região torácica, e nunca no abdômen.
Crianças e bebês: nunca use força excessiva. Em lactentes, deve-se alternar cinco golpes nas costas e cinco compressões torácicas com o bebê de bruços no antebraço, sustentando bem a cabeça.

Uma pessoa engasgada pode morrer em, no máximo, 2 minutos

O engasgo é silencioso, mas pode ser fatal em menos de dois minutos. Por isso, prevenir é tão importante quanto agir. Mastigar devagar, evitar falar ou rir com a boca cheia, e manter crianças sob supervisão durante as refeições são atitudes simples que reduzem o risco drasticamente.

E se o engasgo acontecer, lembre-se: quem age rápido, salva vidas. Reconhecer o sinal universal, saber o que fazer quando estiver sozinho e não ter medo de aplicar as manobras corretas são atitudes que todos deveriam aprender. As novas diretrizes de 2025 vêm justamente para isso — tornar o conhecimento acessível e prático.

Como médico otorrinolaringologista, reforço: engasgo não é assunto só de profissionais da saúde. É um tema de cidadania, autocuidado e empatia. Aprender as manobras de desobstrução é um gesto simples — e pode ser o mais importante que você fará por alguém.

 

Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros

Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP

Médico do corpo clínico do hospital Albert Einstein

Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial.

Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.

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