As chuvas intensas que atingem o nordeste da África do Sul desde dezembro provocaram enchentes de grandes proporções no Parque Nacional Kruger, forçando o fechamento temporário de áreas do principal destino de safári do país. O avanço da água levou à evacuação de visitantes e funcionários, à suspensão de visitas e a danos significativos em estradas, pontes e estruturas internas do parque.
A situação se agravou na noite de quarta-feira (14), quando o Rio Olifants – um dos principais cursos d’água que cortam o parque – transbordou. Lodges foram atingidos, áreas ficaram submersas e o aeroporto de Hoedspruit acabou fechando, dificultando o acesso de turistas.
Fechamento, evacuações e resgates
Diante do avanço da água, a administração do parque decidiu suspender as visitas como medida preventiva. Visitantes que já estavam hospedados puderam permanecer em áreas consideradas seguras, mas regiões próximas ao Rio Letaba precisaram ser evacuadas às pressas. Em alguns casos, funcionários e turistas foram retirados por helicóptero após ficarem isolados pela elevação rápida do nível dos rios.
Em comunicados divulgados desde quinta-feira (15), a administração do Parque Nacional Kruger informou que as decisões adotadas levaram em conta não apenas o volume de chuva, mas também os danos causados à infraestrutura e a segurança dos visitantes.
O acesso ao parque passou a ser limitado a atividades essenciais, como abastecimento e transfers para aeroportos com voo comprovado. Além disso, a entrada ficou restrita a hóspedes com reservas confirmadas nos acampamentos Berg-en-Dal, Pretoriuskop e Skukuza. Já a porção norte do parque permaneceu totalmente inacessível, afetada por alagamentos severos.
Segundo as autoridades, as cheias são resultado de semanas consecutivas de chuvas, que atingiram especialmente as províncias de Limpopo e Mpumalanga, onde se localiza o Parque Nacional Kruger. Diante do cenário, o serviço meteorológico do país emitiu alertas no nível máximo, com previsão de volumes entre 100 e 200 milímetros em um curto intervalo de tempo – um patamar classificado como sem precedentes para a região.
Desde o início do período chuvoso, ao menos 30 pessoas faleceram nas províncias de Limpopo e Mpumalanga. Equipes de busca foram mobilizadas para retirar moradores ilhados e prestar assistência humanitária.
E os animais, como ficam?
Uma das principais preocupações de quem acompanha a situação do Kruger diz respeito à fauna. O parque abriga os chamados “Big Five” – leão, leopardo, rinoceronte, elefante e búfalo – além de centenas de outras espécies que dependem diretamente do equilíbrio do ecossistema local.
Segundo a administração do parque, os animais tendem a reagir instintivamente a eventos extremos, deslocando-se para áreas mais altas antes que a água avance. Observações feitas nos dias anteriores às chuvas mais intensas já indicavam esse movimento, especialmente entre grupos de elefantes.
Com o transbordamento dos rios, cenas registradas durante a enchente passaram a mostrar como esse instinto se traduz na prática, como no caso de uma elefanta que tenta proteger o filhote ao enfrentar a força da correnteza. Veja o vídeo:
Apesar de relatos pontuais de crocodilos se aproximando de áreas residenciais e portões, não há registros de conflitos graves entre animais e humanos durante o episódio.
Impacto no turismo e orientações aos viajantes
O Parque Nacional Kruger é um dos destinos de safári mais importantes do mundo, com cerca de 20 mil quilômetros quadrados – área equivalente ao País de Gales – e acesso facilitado por estradas asfaltadas, além de hospedagens que vão de campings a lodges de luxo. A enchente afetou diretamente a experiência turística.
Com a melhora gradual das condições climáticas, a administração iniciou a reabertura parcial do parque na segunda (19). As visitas foram retomadas, mas com restrições: a parte norte segue fechada, várias estradas continuam danificadas e foi implantado um sistema de cotas nos principais portões para controlar o fluxo de veículos.
Os visitantes são orientados a evitar estradas de terra, seguir rigorosamente a sinalização oficial e levar suprimentos, já que as lojas internas operam com estoque reduzido. Para quem tem safári agendado nos próximos dias, a recomendação é clara: entrar em contato com a agência de viagens e com a hospedagem para verificar possíveis realocações ou ajustes no roteiro.
As enchentes no Parque Nacional Kruger fazem parte de um quadro mais amplo. Chuvas intensas também atingem Moçambique, país vizinho, com evacuações em zonas baixas. Pesquisadores e autoridades apontam que eventos extremos como esse têm se tornado mais frequentes e severos no sudeste da África, associados a mudanças climáticas e à intensidade de tempestades no Oceano Índico.
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