Apesar de ser eficaz e indicada para grupos de risco, a vacina contra o herpes-zóster não será oferecida pelo SUS neste momento. A decisão envolve custos elevados, impacto orçamentário e critérios de custo-efetividade adotados pelo Ministério da Saúde.
A vacina contra herpes-zóster existe no Brasil?
Sim. A vacina contra herpes-zóster disponível no Brasil é a Shingrix, aprovada pela Anvisa em 2021. Ela é indicada para pessoas a partir de 50 anos e também para imunossuprimidos acima de 18 anos. O esquema vacinal é feito em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas.
Atualmente, a aplicação está disponível apenas na rede privada, com custo que pode chegar a cerca de R$ 1,7 mil o esquema completo.
Por que a vacina não foi incorporada ao SUS?
A decisão de não incluir a vacina no Sistema Único de Saúde partiu do Ministério da Saúde, após recomendação contrária da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Embora a comissão tenha reconhecido a eficácia do imunizante e seus benefícios na prevenção do herpes-zóster e de suas complicações, o fator decisivo foi o custo. Segundo a análise, o preço atual da vacina torna a incorporação inviável do ponto de vista orçamentário para uma política pública de abrangência nacional.
O custo da vacina pesou na decisão
Na avaliação da Conitec, mesmo com a oferta de um valor reduzido pela farmacêutica GSK, de cerca de R$ 403 por dose, o custo ainda foi considerado alto. Para que a vacina fosse considerada custo-efetiva para o SUS, o valor precisaria cair para aproximadamente R$ 75 por dose.
O impacto orçamentário estimado foi de R$ 5,2 bilhões em cinco anos, considerando a vacinação de cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano, especialmente idosos com 80 anos ou mais e imunossuprimidos — público inicialmente proposto para receber o imunizante.
A decisão é definitiva?
Não. Segundo o próprio Ministério da Saúde, a decisão desfavorável não encerra a possibilidade de incorporação futura. O Programa Nacional de Imunizações demonstrou interesse na vacina e informou que seguirá negociando preços mais baixos.
Por que vacina de Herpes Zoster não tem no SUS? Foto: FreePik
A vacina pode ser reavaliada pela Conitec caso surjam novos dados, mudanças no valor do imunizante ou novas condições que alterem a análise de custo-benefício.
O que é o herpes-zóster e quem corre mais risco?
O herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Após a infecção inicial, geralmente na infância, o vírus permanece adormecido no organismo e pode ser reativado anos depois, especialmente quando há queda da imunidade.
A doença é mais comum em pessoas acima de 50 anos e em indivíduos imunossuprimidos. Segundo dados dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC), cerca de uma em cada três pessoas pode desenvolver herpes-zóster ao longo da vida.
Além das lesões na pele, o quadro pode causar dor intensa e persistente, conhecida como neuralgia pós-herpética, que pode comprometer significativamente a qualidade de vida.
Quem quiser se vacinar precisa recorrer à rede privada
Enquanto a vacina não é incorporada ao SUS, a única alternativa para quem deseja se proteger contra o herpes-zóster é a rede privada. Especialistas recomendam que a decisão seja discutida com um médico, especialmente no caso de idosos e pessoas com condições que afetam a imunidade.
Resumo:
A vacina contra herpes-zóster não foi incorporada ao SUS porque o alto custo do imunizante tornaria a política pública financeiramente insustentável neste momento. Apesar de eficaz e indicada para grupos de risco, a oferta segue restrita à rede privada, enquanto o Ministério da Saúde mantém negociações para uma possível inclusão futura no calendário público.
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