As grandes empresas de tecnologia estão pegando muito dinheiro emprestado para investir em inteligência artificial (IA). Para você ter ideia, o setor captou US$ 108,7 bilhões (aproximadamente R$ 576 bilhões) em títulos de dívida no quarto trimestre de 2025. Foi o maior valor já registrado num trimestre, segundo a Moody’s Analytics.
Esse movimento deve continuar em 2026, segundo o Washington Post. US$ 15,5 bilhões (R$ 82 bilhões) foram emitidos nas duas primeiras semanas do ano, o que mostra que a expansão da infraestrutura de IA segue forte. Analistas consultados pelo jornal dizem que esse endividamento pode trazer riscos para o sistema financeiro. Isso porque ainda não está claro quanto dinheiro a IA vai gerar.
Corrida da IA está mudando o padrão de dívida das big techs
A IA precisa de muitos computadores e muita energia, o que encarece os projetos. Google, Microsoft, Amazon e Meta, por exemplo, planejaram gastar mais de US$ 300 bilhões (R$ 1,6 bilhão) em data centers de IA em 2025. Se esse ritmo continuar, as empresas podem assumir ainda mais dívida nos próximos anos.
Especialistas veem risco nesse cenário. Financiar projetos incertos com dívida pode afetar o sistema financeiro e a economia, diz Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s. Antes, setores como energia e indústria lideravam emissões de títulos. Agora, as empresas de tecnologia ocupam esse espaço.
O mercado já reage ao aumento da dívida. A Oracle, por exemplo, pegou US$ 25,75 bilhões (R$ 136 bilhões) emprestados de investidores em 2025. Depois, viu suas ações caírem cerca de 45%. Investidores passaram a se preocupar com o volume de capital necessário para bancar a estratégia de IA. E a questionar se esses gastos são sustentáveis. Isso porque muitos serviços de IA ainda não geram receita direta.
O cenário cria um dilema. A IA é vista como essencial para o futuro das empresas, mas ainda não se sabe como ganhar bastante dinheiro com essa tecnologia (que devora dinheiro, diga-se). Executivos chegaram a sugerir apoio do governo para infraestrutura de computação, o que gerou críticas no antro político. Enquanto isso, data centers enfrentam resistência local por consumo de energia, uso de água e incentivos fiscais.
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