Essa cidade dos EUA explodiu uma baleia na praia

Infelizmente, baleias podem encalhar na areia da praia e há muitas razões possíveis para isso ocorrer, como por doenças ou consequência da caça ilegal e mudanças nas correntes oceânicas. O que não é comum, no entanto, é que os moradores de uma cidade se juntem para explodir o corpo deste cetáceo — mas foi exatamente isso que ocorreu num município do estado do Oregon (EUA). Confira, a seguir, a história completa por trás deste acontecimento incomum.

O dia em que moradores se juntaram para explodir uma baleia na praia

Região costeira da cidade de Florence (Oregon, EUA) (Reprodução: Cody Seely/Unsplash)

Florence é uma cidadezinha costeira, com menos de 10 mil habitantes, localizada no estado do Oregon (EUA). Em 12 de novembro de 1970, um evento inesperado intrigou todos os moradores: uma baleia cachalote imensa, pesando 8 toneladas (isto é, 8 mil kg) encalhou na areia da costa.

O cetáceo estava morto e, apesar de sua presença ser algo triste e curioso, outra questão chamava mais atenção: o odor fétido proveniente da decomposição do bicho.

Como todos sabemos, inúmeros agentes são responsáveis pela decomposição e “limpeza” da matéria orgânica, como bactérias. E durante o processo de decomposição, realizado pelos microrganismos, um cheiro podre se instala no ambiente. O maior problema, contudo, é que a pele do cetáceo era grossa demais para aves, caranguejos e outros bichos conseguissem furar e acessar os órgãos internos para se alimentar.

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Desta forma, apenas os microrganismos trabalhavam na decomposição — e, levando em consideração o tamanho da baleia, demoraria muito tempo até que toda a matéria orgânica fosse consumida. Devido à intensidade do cheiro, contudo, os habitantes não queriam esperar.

Então, inconformados pelo cheiro forte de carne podre, os moradores de Florence se mobilizaram para fazer algo a respeito.

Imagem de uma baleia cachalote, o mesmo tipo achada encalhada na praia (Imagem: Shutterstock/Tomas Katouc)

George Thornton, morador local e funcionário da Oregon Highway Division — empresa de tráfego municipal rodoviário — consultou a Marinha e chegou a uma conclusão: explodir os restos mortais do animal.

Thornton detinha uma visão muito simplista: explodir a baleia para que os restos do corpo fossem espalhados e os animais conseguissem “limpar” o local com mais facilidade. Infelizmente, ele não consultou biólogos, bombeiros ou a defesa civil, algo que poderia ter evitado como as coisas terminaram no final.

Durante uma entrevista antes da explosão, ele informou que tinha certeza de que sua estratégia iria funcionar. E, para isso, usaria dinamite como explosivo. “A única coisa da qual não temos certeza é de quanta dinamite vamos precisar exatamente para desintegrar essa… coisa, para que as gaivotas, os caranguejos e outros necrófagos possam limpá-la“, disse aos jornalistas.

Imagem cartunesca retrata o momento da explosão durante uma cobertura jornalística do evento (Reprodução: Greg Williams)

No todo, foram providenciadas 20 caixas de dinamite, o equivalente à meia tonelada de agentes explosivos. Thornton foi advertido por outro morador — um empresário com experiência militar — de que a quantidade escolhida era excessiva, mas não lhe deu ouvidos.

A título de comparação, 20 caixas de dinamite costuma ser uma quantidade superior aquela utilizada para destruir prédios inteiros. Essa meia tonelada, inclusive, causaria uma cratera imensa no solo.

No dia da explosão, as caixas de dinamite foram posicionadas. Ao redor, a polícia solicitou que os expectadores acompanhassem o evento a uma distância de 400 metros. Então, às 15h45, o detonador foi acionado.

Restos de baleia voaram a 30 metros de altitude e se espalharam por uma grande região ao redor. Ruas e pessoas foram acertadas por carne podre, mesmo aquelas que resolveram manter uma distância segura.

Paul Linnman, repórter de TV que acompanhava a façanha, comentou que “Nossa câmera parou de rodar imediatamente após a explosão. O humor da situação mudou para uma corrida por sobrevivência conforme enormes pedaços de restos de baleia caíam por toda parte. Pedaços de carne passavam raspando pelas nossas cabeças enquanto outros caíam aos nossos pés. As dunas foram evacuadas e os espectadores escapavam dos dejetos cadentes e do cheiro terrível.”

Você pode assistir ao vídeo da reportagem logo abaixo:

Após a explosão, o que sobrou no local foi uma cratera e o resto do rabo da baleia. Hoje, o acontecimento foi solidificado no imaginário dos habitantes locais e do país, mas também viralizou na web quando o vídeo foi postado no YouTube.

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