Na manhã desta quinta-feira (29), a Lua vai passar na frente de Beta Tauri (também conhecida como Elnath), a segunda estrela mais brilhante de Touro, em uma espécie de “eclipse”. Com magnitude aparente de cerca de 1,65, ela fica bem na ponta de um dos chifres do animal símbolo da constelação.
Mais sobre Beta Tauri:
Beta Tauri, ou Elnath, fica a cerca de 134 anos‑luz da Terra;
É uma gigante azul‑branca do tipo B, que já consumiu grande parte do hidrogênio do núcleo;
Está entrando na próxima fase da vida, expandindo e esfriando para se tornar uma gigante vermelha;
Sua temperatura é de cerca de 13.600 K (13.327 °C), muito acima dos 5.800 K (5.527 °C) do Sol;
O tipo B faz parte da classificação espectral, que organiza as estrelas por cor e calor;
Não há registros confirmados de exoplanetas ao redor de Elnath;
Ao observá‑la no “chifre” do Touro, é possível ver aglomerados e nebulosas próximas, como também algumas estrelas jovens agrupadas na constelação Auriga.
Representação artística da ocultação lunar da estrela Beta Tauri. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini
Estrela fica na ponta do chifre do Touro
Segundo a plataforma de observação Sky & Telescope, o nome Elnath vem do árabe e significa “a cabeçada” ou “o que empurra com os chifres”. Trata-se de uma referência direta à posição da estrela na ponta do chifre do Touro. Esse nome destaca a tradição de associar estrelas brilhantes a elementos visuais das constelações no céu.
De acordo com o guia InTheSky.org, a ocultação lunar de Beta Tauri acontece das 5h52 às 9h54 e não poderá ser vista do Brasil.
Ocultações lunares só são visíveis de uma pequena fração da superfície da Terra. Como a Lua está muito mais perto do nosso planeta do que outros objetos celestes, sua posição no céu difere dependendo da localização exata do observador na Terra devido à sua grande paralaxe (diferença na posição aparente de um objeto em relação a um plano de fundo, tal como visto por observadores em locais distintos ou por um observador em movimento).
A posição da Lua vista de dois pontos em lados opostos da Terra pode variar em até dois graus, ou quatro vezes o diâmetro da lua cheia. Isso significa que se a Lua estiver alinhada para passar na frente de um objeto específico para um observador posicionado em um lado da Terra, ela aparecerá até dois graus de distância desse objeto do outro lado do globo.
Mapa mostra as regiões do planeta de onde será possível observar a ocultação lunar de Beta Tauri na quinta-feira (29). Crédito: In-The-Sky.org
No mapa acima, contornos distintos mostram onde o desaparecimento de Beta Tauri poderá ser visível (em vermelho) e onde será possível testemunhar seu reaparecimento (em azul).
Os riscos sólidos exibem onde a ocultação provavelmente será visível através de binóculos a uma altitude razoável no céu. Os contornos pontilhados, por sua vez, indicam onde o evento ocorre acima do horizonte, mas pode não ser visível devido ao céu estar muito claro ou a Lua muito perto do horizonte.
Fora dos contornos, a Lua não passa na frente de Beta Tauri em nenhum momento, ou está abaixo do horizonte no momento da ocultação.
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Lua se aproxima da Terra
Horas mais tarde, às 18h45, ela vai atingir o perigeu (ponto de sua órbita mais próximo da Terra). De acordo com a plataforma In-The-Sky.org, a distância da Lua em relação à Terra varia porque sua órbita não é perfeitamente circular – é ligeiramente oval, traçando um caminho chamado uma elipse. À medida que ela atravessa esse caminho elíptico ao redor do nosso planeta a cada mês, sua distância varia entre 356.500 km no perigeu e 406.700 km no apogeu (ponto mais distante).
Imagem: Triff – Shutterstock (Terra/fundo) – Edição: Olhar Digital
“Esses valores são médios porque, na prática, variam bastante devido às influências gravitacionais do Sol e dos outros planetas do Sistema Solar” diz Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital.
O tamanho angular do astro também varia pelo mesmo fator. Ao atingir o perigeu, nosso satélite natural chega a ficar até 14% mais brilhante no céu, quando visível. Isso, no entanto, é difícil de detectar na prática, já que as fases da Lua estão mudando ao mesmo tempo.
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