A participação de Solange Couto no BBB 26 chamou atenção não apenas pelo jogo, mas também por um tema de saúde íntima que ainda gera dúvidas: a cistite na menopausa. A atriz relatou dores intensas causadas pela inflamação da bexiga, condição que, embora comum, merece atenção especial após o fim do período reprodutivo.
Na menopausa, alterações hormonais tornam o trato urinário mais sensível. Como resultado, cresce o risco de infecção urinária, principalmente em mulheres na pós-menopausa. A ginecologista Ana Paula Fabricio, ouvida pelo O Globo, explica que a queda do estrogênio enfraquece mecanismos naturais de defesa, o que favorece a ação de bactérias como a Escherichia coli.
Além disso, esse desequilíbrio hormonal afina a mucosa da uretra e da bexiga. Ou seja, o tecido perde elasticidade, hidratação e proteção. Pequenas bactérias conseguem se instalar com mais facilidade, provocando dor, ardor e desconforto persistente.
Cistite na menopausa: por que o risco aumenta?
A cistite na menopausa não surge por acaso. Segundo a especialista, o estrogênio atua diretamente na manutenção da flora vaginal saudável. No entanto, com sua redução, os lactobacilos — bactérias benéficas — diminuem. Assim, o pH vaginal se altera e cria um ambiente propício para infecções recorrentes.
Consequentemente, bactérias da região íntima conseguem migrar para o trato urinário. Esse processo explica por que a infecção urinária se torna mais frequente e, muitas vezes, repetitiva após os 50 anos. De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), até 30% das mulheres na pós-menopausa relatam episódios recorrentes.
Conheça os sintomas – e riscos – da cistite que acometeu Solange Couto no BBB 26 – Credito: Reprodução/Globo
Sintomas que não devem ser ignorados
Embora os sinais se pareçam com os de outras fases da vida, muitas mulheres tendem a normalizá-los. Ardor ao urinar, aumento da frequência urinária, urgência para ir ao banheiro, dor pélvica e urina turva são alertas claros.
Entretanto, é essencial diferenciar sintomas do climatério de uma cistite. Dor e queimação não fazem parte do envelhecimento natural. Procurar avaliação médica evita complicações e recorrências.
Tratamento e prevenção vão além do antibiótico
O tratamento da infecção urinária inclui antibióticos, mas, em mulheres na pós-menopausa, a abordagem costuma ser mais ampla. Em muitos casos, o estrogênio vaginal ajuda a restaurar a mucosa e reduzir novas infecções.
Além disso, probióticos, boa hidratação e hábitos simples fazem diferença. Urinar após a relação sexual, evitar duchas vaginais e não segurar a urina são cuidados básicos. Dessa forma, é possível preservar o bem-estar íntimo e a qualidade de vida.
Resumo: A cistite na menopausa é comum e tem relação direta com a queda do estrogênio. Sintomas urinários não devem ser normalizados após os 50 anos. Com tratamento adequado e prevenção, é possível evitar recorrências.
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