A Agência Espacial Brasileira (AEB) confirmou em entrevista exclusiva para o Olhar Digital que negocia a participação do Brasil no programa Artemis, que pretende estabelecer uma presença humana sustentável na Lua nas próximas décadas. O plano brasileiro envolve o envio do satélite SelenITA , desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), para uma missão científica em órbita lunar.
O presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, explicou que a expectativa do Brasil é aproveitar a capacidade de lançamento americana para colocar o SelenITA no espaço como uma espécie de “carona” em uma das missões do programa. A aposta está voltada especificamente para o Artemis 3, e não para o Artemis 2, que foi adiada para março essa semana.
A nossa expectativa é poder conseguir uma carona, digamos assim, num acordo com os americanos, para lançar o nosso satélite Selenita, que está sendo desenvolvido pelo ITA, no Artemis 3
Marco Antonio Chamon, presidente da AEB
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Missão científica em órbita lunar
Diferentemente de missões que buscam pousar na superfície da Lua, o SelenITA terá um perfil estritamente científico. O satélite será mantido por um período em órbita cislunar — isto é, em torno da Lua — para realizar uma série de experimentos. Ao fim da missão, ele deverá impactar a superfície lunar de forma controlada.
SelenITA (Imagem ilustrativa)
Durante o tempo em órbita, o SelenITA irá investigar aspectos fundamentais do ambiente lunar, com foco em radiação, magnetismo e clima espacial. Segundo o presidente da AEB, o objetivo é compreender melhor como a radiação solar interage com a Lua e como se comporta o ambiente geomagnético lunar — informações consideradas estratégicas para futuras missões tripuladas e não tripuladas.
“É uma missão científica, a ideia é entender o ambiente geomagnético lunar, o ambiente de radiação lunar”, explicou.
Protagonismo acadêmico e cooperação internacional
O desenvolvimento do Selenita está concentrado no ITA, instituto brasileiro de referência em ensino e pesquisa na área aeroespacial.
A AEB participa como apoiadora institucional, articulando a cooperação internacional e buscando viabilizar o lançamento do satélite dentro do programa Artemis. A iniciativa reforça o papel da ciência brasileira em projetos globais de longo prazo.
Caso a negociação avance, o Selenita poderá se tornar um marco para o setor espacial brasileiro, representando uma presença nacional direta em pesquisas lunares de ponta. A expectativa agora é que as tratativas com os Estados Unidos avancem e que o satélite brasileiro encontre espaço na agenda de lançamentos do Artemis 3, levando ciência nacional para a órbita da Lua.
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