Façam suas apostas: OpenAI ou Google?

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital.
Recentemente, você conferiu aqui análises dos balanços financeiros da Meta, Microsoft, Tesla e Apple. Ontem, tivemos os resultados da Alphabet, que controla o Google. Hoje será a vez da Amazon. Os resultados da NVIDIA, a empresa mais valiosa do mundo, saem no dia 25 de fevereiro.

Vamos falar do Google?

Parece um mundo muito distante. Em 8 de fevereiro de 2023, quando eu tinha acabado de me juntar à equipe do Olhar Digital, escrevi a seguinte manchete: Chatbot do Google, Bard estreia com pé esquerdo. O contexto era a demonstração do então chatbot do Google, o Bard. Hoje, você o conhece como Gemini.

A notícia era:

“As ações da controladora do Google perderam mais de 100 bilhões de dólares em valor de mercado nesta quarta-feira depois que o Bard mostrou informações imprecisas. Analistas disseram que o evento promovido pelo buscador carecia de detalhes sobre como responder ao ChatGPT, segundo a Reuters. Os papéis da Alphabet, caíram 8% – ou US$ 8,59 por ação – e chegaram a US$ 99,05″.

Três anos depois… teeeeemos um jogo!!!

Os dados do Google

A Alphabet, controladora do Google, divulgou nesta quarta-feira (4) os resultados financeiros do quarto trimestre e, além de superar as expectativas de Wall Street em lucro e receita, indicou que pretende ampliar de forma expressiva seus investimentos em inteligência artificial em 2026. A projeção de gastos de capital veio bem acima do que o mercado aguardava.

Segundo a companhia, o aumento dos aportes ocorre no contexto da intensificação da disputa entre grandes empresas de tecnologia para expandir infraestrutura e produtos baseados em IA. 

A receita da empresa cresceu quase 18% na comparação anual, enquanto o lucro líquido alcançou US$ 34,46 bilhões (R$ 180,41 bilhões), alta de aproximadamente 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

A Alphabet informou que projeta despesas de capital entre US$ 175 bilhões (R$ 916,18 bilhões) e US$ 185 bilhões (R$ 968,53 bilhões) em 2026, quase o dobro do valor investido em 2025.

O aumento está ligado principalmente à expansão da infraestrutura necessária para sustentar serviços e produtos de IA, concentrados em grande parte no Google Cloud. Assim como rivais como Amazon Web Services e Microsoft Azure, a divisão de nuvem do Google enfrenta restrições de capacidade que limitam a captura total da demanda crescente por soluções de inteligência artificial.

Durante a teleconferência com investidores, o CEO da Alphabet e do Google, Sundar Pichai, afirmou que o aplicativo de IA Gemini ultrapassou 750 milhões de usuários ativos mensais, acima dos 650 milhões registrados no trimestre anterior. Segundo ele, o crescimento ocorre à medida que a empresa amplia a distribuição de seus produtos baseados em inteligência artificial.

“Também estamos observando um engajamento significativamente maior por usuário, especialmente desde o lançamento do Gemini 3”, afirmou Pichai. O Gemini 3, lembrando, saiu em novembro.

A efeito de comparação: a OpenAI fala em 800 milhões de usuários ativos no ChatGPT por semana.

Pichai também destacou avanços operacionais na área. De acordo com o executivo, a Alphabet conseguiu reduzir em 78% os custos unitários de operação do Gemini ao longo de 2025, resultado de otimizações nos modelos, melhorias de eficiência e maior utilização da infraestrutura existente.

As interpretações dos fatos

Hoje, a manchete na Reuters é: “O Google passa de retardatário a líder, ultrapassando a OpenAI com um crescimento estelar em IA”.

Como apontou a agência, a previsão de aumento expressivo nos investimentos do Google alarmou investidores em um primeiro momento – as ações caíram 6% no pregão estendido. Depois, o bom desempenho do Google Cloud e o impulso da IA nos negócios passaram confiança a Wall Street. Resultado: as ações se recuperaram do primeiro susto pós-mercado e fecharam estáveis .

Assim, a mensagem dos investidores é clara: o aumento dos gastos com IA só poderá continuar se as companhias demonstrarem retornos financeiros que justifiquem isso.

Google vs OpenAI

A startup do ChatGPT tem bilhões previstos em contrato e ainda apresenta um prejuízo significativo, como falamos nessa newsletter. Apesar de o CEO Sam Altman demonstrar muita confiança no projeto agressivo, parte do mercado começa a se perguntar: existe mesmo capacidade para financiar tantos projetos?

À Reuters, Paul Meeks, chefe de pesquisa de tecnologia da Freedom Capital Markets, disse: “Acho que está surgindo uma narrativa em que o mercado está favorecendo o Google em detrimento da OpenAI. Nesta mesma época do ano passado, cada anúncio da OpenAI de fechar negócios com alguém era aplaudido. Mas agora, as pessoas estão dizendo: Meu Deus, grande parte da minha receita acumulada ou dos meus gastos com infraestrutura de IA está vindo da OpenAI”.

O retrato em números

A Oracle tem uma carteira de contratos de mais de US$ 500 bilhões que depende, em grande parte, da OpenAI. As ações caíram cerca de 49% desde o início de outubro.

A Microsoft, que detém uma participação de 27% na OpenAI, viu suas ações despencarem mais de 20% no mesmo período.

Enquanto isso, as ações da Alphabet subiram cerca de 36%.

Para a Morningstar, a Alphabet vem se mostrando uma empresa vencedora na corrida das IAs:

“Já se foram os tempos em que o mercado considerava a Alphabet uma empresa atrasada em inteligência artificial. A enorme valorização das ações da Alphabet reflete uma mudança de paradigma, com os investidores agora enxergando a empresa como uma vencedora em IA, impulsionando as vendas em todos os seus diversos segmentos. Estamos impressionados com a forma como a Alphabet continua a integrar a IA na Busca do Google. Ao adicionar recursos como Visão Geral de IA e Modo de IA, a empresa não só mitigou uma ameaça competitiva real dos chatbots GenAI, como também aumentou o número de consultas e o preço do anúncio por consulta”.

O contexto da Amazon

Nas últimas semanas, tivemos algumas notícias envolvendo a Amazon e que podem ter algum tipo de repercussão hoje:

A Amazon anunciou no final de janeiro um novo corte de empregos que atinge cerca de 16 mil funcionários. O movimento faz parte de uma redução de custos e reestruturação em andamento na companhia. Ao mesmo tempo, claro, investe-se em IA.

Antes, a big tech anunciou cortes de empregos em suas divisões de supermercado Fresh e Go Market.

A Alexa+, versão da assistente digital com IA, já está disponível para todos os assinantes Prime nos Estados Unidos – novidade anunciada ontem.

A Amazon solicitou à Comissão Federal de Comunicações dos EUA mais tempo para cumprir o prazo que exige a implementação de 1.600 satélites de internet até julho de 2026. A companhia precisa colocar mais equipamentos em operação para poder começar a oferecer seu serviço de internet a partir do espaço – o Amazon Leo, antes chamado de Kuiper. A empresa destina pelo menos US$ 10 bilhões para construir a rede.

E claro, o braço de computação em nuvem da Amazon: “O foco principal do relatório de resultados será a Amazon Web Services, já que os investidores verão se o negócio de nuvem conseguirá manter o crescimento da receita acima de 20% após a retomada do último trimestre” – escreveu o Market Watch.  

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