O Brasil participou de uma reunião nos Estados Unidos, na quarta-feira (04), na qual o vice-presidente do país, J.D. Vance, apresentou um plano para criar um bloco comercial focado em minerais críticos (terras raras, lítio, cobre). O Itamaraty confirmou a presença no encontro, segundo a Reuters. Mas ressaltou dois pontos: 1) o governo brasileiro ainda avalia se vai participar deste grupo; e 2) a tomada de decisão sobre isso não será rápida.
A reunião faz parte do esforço do governo de Donald Trump para os EUA não dependerem mais de recursos controlados pela China. Vale lembrar: o país asiático restringiu exportações de terras raras em 2025. Na segunda-feira (02), Trump lançou o projeto Vault, que prevê US$ 10 bilhões (R$ 52,56 bilhões) em financiamento do EXIM Bank e US$ 2 bilhões (R$ 10,51 bilhões) da iniciativa privada para projetos de mineração, refino e reciclagem.
Governo brasileiro prioriza agregação de valor para integrar aliança norte-americana
Os principais pontos da posição brasileira sobre o bloco comercial de minerais críticos proposto pelos EUA são:
Cautela e prazo: O governo brasileiro informou que uma decisão não será tomada de forma rápida e que o tema deve ser tratado de forma bilateral (diretamente entre os dois países);
Industrialização (valor agregado): O ponto mais importante para o Brasil é que o país não quer ser apenas um exportador de “pedra bruta”. O presidente Lula (PT) e o Ministério de Minas e Energia defendem que, para haver parceria, o Brasil precisa processar e industrializar esses minerais aqui, gerando tecnologia, empregos e riqueza interna;
Sustentabilidade: O país também exige que qualquer projeto seja ambiental e socialmente sustentável.
Investidores internacionais têm grande interesse no Brasil porque o país possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China. Além disso, o país tem grande potencial para exploração de nióbio, lítio e cobre.
Mesmo sem acordo oficial entre os governos, algumas mineradoras privadas no Brasil já estão em negociações avançadas com os EUA. Entre elas, dá para citar:
Projeto Caldeira (MG): Focado em terras raras, recebeu uma carta de interesse de até US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) do banco americano EXIM Bank;
Projeto Bandeira (MG): Focado em lítio, possui uma proposta de financiamento de até US$ 266 milhões;
As mineradoras Serra Verde e Aclara (em Goiás) também já possuem acordos de financiamento com órgãos americanos.
O movimento dos EUA não envolve apenas o Brasil. Cerca de 55 países participaram das discussões. E os EUA já fecharam acordos com o México, União Europeia e Japão para coordenar preços e compartilhar estoques estratégicos. O governo brasileiro deve levar esse tema para discussão numa futura viagem oficial do presidente Lula a Washington.
(Essa matéria também usou informações de CNN Brasil e Folha de S. Paulo.)
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