Ameaça da IA já é real – e pode causar um “apocalipse de software”

A queda nas ações de empresas de software e tecnologia segue alimentando debates sobre até que ponto o mercado já entendeu os impactos da inteligência artificial – e se as reações dos investidores têm se mostrado exageradas ou não. Especialistas ainda ponderam se a IA representa apenas mais um ciclo de disrupção tecnológica ou realmente é uma ameaça estrutural aos modelos de negócio atuais.

Como exemplo dessa disrupção, o S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas listadas na bolsa nos Estados Unidos, acumula seis pregões consecutivos de queda, com perdas de cerca de US$ 830 bilhões em valor de mercado desde 28 de janeiro. Apenas na última semana, o recuo foi de aproximadamente 13%, com quedas bruscas em empresas de software como Intuit, ServiceNow, Oracle e Salesforce.

Segundo estrategistas da Evercore ISI consultados pela agência Reuters, o desempenho do S&P 500 foi o pior para um trimestre desde maio de 2002, período que sucedeu o estouro da bolha da internet (outro momento de disrupção).

A pressão sobre o setor de software se intensificou após o lançamento de uma nova ferramenta do Claude, da Anthropic, voltada a aplicações jurídicas, de vendas, marketing e análise de dados. O movimento reacendeu o temor de que grandes modelos de linguagem estejam avançando sobre as atividades que, hoje, são dominadas justamente pelas empresas de software. Para investidores, esse avanço pode comprometer as companhias justamente quando elas mais precisam, em um cenário de gastos cada vez maiores com IA.

Alguns analistas que falaram à Reuters comparam a estratégia das empresas de IA à trajetória da Amazon, que usou uma posição dominante em um nicho específico (o de venda de livros) para expandir agressivamente para outros mercados (como varejo e computação). Apesar do ceticismo quanto à capacidade dos modelos de IA substituírem softwares especializados, o ritmo acelerado da inovação tem levado gestores a reduzir investimentos nesse setor.

Incerteza do mercado diante da IA tem provocado a venda de ações de empresas de tecnologia (Foto: Guillermo Recaredo/Shutterstock)

Ameaça da IA é real

Segundo James St. Aubin, diretor de investimentos da Ocean Park Asset Management, a vantagem competitiva das empresas de software é bem menor do que no passado. Ele avalia que a reação do mercado, ao vender ações do setor em massa, pode até ser exagerada em um primeiro momento… mas a ameaça da IA é real.

A volatilidade também ocorre em meio a uma mudança de direcionamento mais ampla do mercado, com investidores migrando de tecnologia para áreas consideradas mais baratas ou defensivas, como energia, indústria e bens de consumo essenciais.

Para alguns, esse movimento é menos um pânico com a IA e mais uma realocação racional de capital, visando melhores oportunidades – um momento de realinhar expectativas e migrar para o que faz mais sentido.

No geral, o consenso entre investidores é que a volatilidade deve continuar. O avanço da inteligência artificial está redesenhando o setor de software, mas ainda há incerteza sobre quem sairá fortalecido nesse novo ciclo tecnológico.

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