Durante o carnaval, a mistura de vodca com energético costuma aparecer como estratégia para “aguentar mais tempo” na festa. O problema é que essa combinação, bastante popular entre jovens, pode trazer riscos reais à saúde, mesmo em pessoas sem doenças conhecidas, segundo publicação feita no site G1. Estudos e análises médicas indicam que o consumo conjunto de álcool e bebidas energéticas cria um cenário desfavorável para o organismo, sobretudo para o sistema cardiovascular.
Por que álcool e energético não combinam?
O álcool atua como um depressor do sistema nervoso central, enquanto os energéticos contêm estimulantes como cafeína e guaraná. Quando ingeridos juntos, esses efeitos opostos não se anulam, mas se sobrepõem. Na prática, o corpo recebe sinais contraditórios, o que pode favorecer aceleração dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial e alterações do ritmo do coração.
Esse risco tende a ser maior em ambientes típicos do carnaval, marcados por calor intenso, longos períodos em pé, dança, pouca hidratação e noites mal dormidas.
O efeito “enganoso” no corpo
Um dos pontos mais preocupantes dessa mistura é a forma como ela interfere na percepção de embriaguez. O álcool costuma provocar sonolência, lentidão e cansaço, sinais que funcionam como um alerta natural para parar de beber. Já o energético aumenta o estado de alerta e reduz a sensação de fadiga.
O resultado é uma falsa impressão de controle, que pode levar a pessoa a beber mais do que deveria. Esse comportamento está diretamente associado ao binge drinking, termo usado para episódios de consumo excessivo de álcool em curto espaço de tempo.
Sinais que merecem atenção
Na maioria das vezes, os efeitos aparecem como mal-estar passageiro, mas alguns sintomas não devem ser ignorados e indicam a necessidade de avaliação médica:
– dor no peito
– falta de ar
– escurecimento da visão
– sensação de desmaio
– palpitações intensas ou irregulares
– confusão mental
Esses sinais podem indicar sobrecarga cardiovascular ou intoxicação significativa.
Jovens também estão em risco
Existe a ideia de que apenas pessoas com problemas cardíacos precisam se preocupar, mas isso não corresponde ao que mostram os dados clínicos. Mesmo jovens saudáveis podem apresentar taquicardia, picos de pressão e arritmias após consumir álcool com energético, especialmente quando a mistura vem acompanhada de desidratação, calor excessivo e privação de sono.
Alguns grupos, no entanto, merecem atenção redobrada, como pessoas com hipertensão, histórico de arritmias, transtornos de ansiedade ou uso de medicamentos que atuam no sistema nervoso ou cardiovascular.
O que dizem os estudos
Pesquisas internacionais reforçam os alertas. Um estudo conduzido por pesquisadores da Boston University, da Brown University e do Butler Hospital mostrou que o consumo combinado de álcool e energético está associado a maior risco de binge drinking e a quadros mais graves de transtorno por uso de álcool.
Os pesquisadores observaram que a principal motivação para essa mistura é reduzir a percepção dos efeitos do álcool e prolongar o tempo de consumo, o que aumenta significativamente a exposição a riscos.
Mitos comuns sobre a mistura
Um dos equívocos mais frequentes é acreditar que o energético “corta” o efeito do álcool. Na realidade, ele não reduz a quantidade de álcool no sangue, apenas diminui a sensação de embriaguez. Também é mito pensar que, se a pessoa já misturou outras vezes sem passar mal, isso garante segurança em novas ocasiões. Os efeitos variam conforme hidratação, quantidade ingerida, calor e condições individuais.
Resumo:
A combinação de vodca com energético, comum no carnaval, pode mascarar sinais de embriaguez, favorecer o consumo excessivo de álcool e sobrecarregar o coração. Estudos indicam maior risco de binge drinking e alterações cardiovasculares, inclusive em jovens saudáveis. Evitar a mistura e priorizar hidratação e moderação são as principais orientações para atravessar a folia com mais segurança.




