Casos de pancreatite relacionados a canetas emagrecedoras crescem; mulheres são maioria

O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, vem crescendo no país nos últimos anos. Paralelamente a essa expansão, também aumentaram os registros de suspeitas de pancreatite associadas a esses produtos, conforme dados do sistema de farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O levantamento mostra que, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, foram notificadas 145 suspeitas de pancreatite em pessoas que faziam uso desse tipo de medicamento. A maioria dos casos envolveu mulheres, que representaram cerca de 75% das notificações registradas no período.

Crescimento acompanha popularização dos medicamentos

Os números indicam uma progressão consistente ao longo dos anos. Em 2020, apenas um caso foi comunicado à Anvisa. No ano seguinte, o total subiu para 21 registros. Em 2022, houve 23 notificações, seguidas por 27 em 2023 e 28 em 2024. Em 2025, o número chegou a 45 suspeitas, o maior patamar desde o início do monitoramento.

Esse aumento ocorre em paralelo à ampliação do uso desses medicamentos, inicialmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2, mas que passaram a ser amplamente utilizados com a finalidade de perda de peso, muitas vezes sem acompanhamento médico regular.

Quais medicamentos estão envolvidos?

As notificações analisadas pela Anvisa envolvem fármacos à base de semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. Esses princípios ativos estão presentes em medicamentos comercializados no Brasil sob diferentes nomes, utilizados tanto para controle glicêmico quanto para emagrecimento.

Segundo a agência reguladora, a pancreatite já é descrita em bula como um possível evento adverso desses produtos. Isso significa que o risco é conhecido e monitorado, embora não ocorra em todos os usuários.

Casos de pancreatite relacionados a canetas emagrecedoras aumentam! Foto: FreePik

O que significam as notificações de suspeita

É importante destacar que os dados divulgados correspondem a notificações de suspeita e não a diagnósticos com relação de causa e efeito comprovada. A Anvisa esclarece que cada caso precisa ser investigado individualmente pelas equipes médicas e pelas vigilâncias sanitárias locais, levando em conta histórico de saúde, uso de outros medicamentos e fatores de risco prévios.

Entre as notificações registradas no período, seis tiveram desfecho informado como suspeita de óbito. Ainda assim, a agência reforça que esses dados iniciais não permitem afirmar que o medicamento tenha sido o fator determinante para o agravamento do quadro clínico.

Sintomas que exigem atenção imediata

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode variar de quadros leves a situações graves. Os sintomas mais comuns incluem dor abdominal intensa e persistente, geralmente localizada na parte superior do abdômen, com possibilidade de irradiação para as costas, além de náuseas, vômitos e mal-estar geral.

Diante de sinais compatíveis com pancreatite, a recomendação é buscar atendimento médico imediato. Em casos de confirmação do diagnóstico, o uso do medicamento deve ser interrompido e não retomado, conforme orientações clínicas.

Mudanças na venda e acompanhamento médico

Desde junho de 2025, a comercialização das canetas emagrecedoras passou a exigir retenção de receita médica nas farmácias. A medida foi adotada após a identificação do aumento do uso sem prescrição e sem acompanhamento profissional, o que pode elevar o risco de efeitos adversos e complicações.

A Anvisa segue monitorando os registros como parte da vigilância pós-comercialização, prática que permite identificar eventos raros ou que só se tornam mais evidentes com o uso em larga escala.

Resumo:
O número de suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras aumentou no Brasil nos últimos anos, acompanhando a popularização desses medicamentos. Dados da Anvisa mostram que a maioria das notificações envolve mulheres e reforçam a importância do uso com prescrição e acompanhamento médico.

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