Conhecido por seus “vulcões de gelo”, o cometa 29P/Schwassmann-Wachmann acaba de entrar novamente em erupção – uma das mais poderosas das últimas duas décadas.
De acordo com a plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, a Associação Astronômica Britânica (BAA) relatou que na terça-feira (10), o núcleo do cometa teve um aumento repentino de brilho de mais de 5 magnitudes – um sinal de que uma grande erupção estava em curso.
A expansão da camada externa está centralizada nesta imagem obtida pelo astrônomo amador Eliot Hermann. “Esta é uma das cinco maiores erupções observadas nos últimos 24 anos. Deve produzir uma bela concha em expansão”, afirmou o fotógrafo na legenda.
Erupção brilhante do cometa 29P/Schwassmann-Wachmann. Crédito: Eliot Herman via Spaceweather.com
Em um artigo publicado há 10 anos, Richard Miles, da BAA, relata que o 29P pode ter “vulcões de gelo” que entram em erupção dezenas de vezes por ano. Segundo ele, grandes erupções como essa geralmente ocorrem em pares, trios e até mesmo quíntuplos. “Portanto, todos os observadores devem ficar atentos a mais eventos significativos nas próximas horas e dias”, alerta.
O objeto está atualmente na constelação de Leão, com magnitude 12, sendo visível através de telescópios de tamanho médio.
29P não é um cometa comum
Classificado como centauro, categoria de corpos celestes que orbitam entre Júpiter e Netuno, 29P é classificado como cometa, embora tenha comportamentos peculiares que desafiam a compreensão científica.
Imagem em cores falsas criada pelo Telescópio Espacial Spitzer durante uma das explosões do “cometa” 29P/Schwassmann-Wachmann, que se ilumina intensamente conforme o gás e a poeira ao seu redor refletem a luz solar. Créditos: NASA / JPL / Caltech / Centro de Pesquisa Ames / Universidade do Arizona
Assim como outros cometas, ele contém diversos tipos de gelo e poeira que se aquecem e evaporam ao se aproximarem do Sol, gerando jatos e explosões que liberam partículas no espaço, refletindo luz e causando seu brilho característico.
A diferença, no entanto, está na órbita quase circular do 29P, que faz com que sua distância do Sol varie pouco. Isso deveria manter suas temperaturas estáveis, mas ele experimenta erupções constantes, tornando-se um dos objetos mais explosivos do Sistema Solar, atrás apenas da lua Io, de Júpiter.
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Motivo para erupções tão violentas permanece em mistério
Em novembro de 2024, o cometa teve uma sequência de quatro erupções em rápida sucessão, resultando em um aumento de brilho de 289 vezes – o maior registrado desde 2021.
Naquele ano, a maior erupção em quatro décadas ocorreu enquanto o 29P estava a uma distância média do Sol, mas bem depois de seu periélio (ponto mais próximo da estrela). Desde então, acreditava-se que o comportamento das erupções seguia um padrão de 57 dias, possivelmente indicando o período de rotação do centauro – uma rotação lenta para um objeto de apenas 60 km de diâmetro, permitindo o acúmulo gradual de calor em seu lado exposto ao Sol.
Observações mais recentes feitas pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, captaram um jato de monóxido de carbono saindo do núcleo do 29P e dióxido de carbono dos “polos”, sugerindo que o objeto pode ser composto por duas partes com materiais diferentes. Apesar de todos esses avanços, permanece o mistério sobre o motivo para erupções tão potentes.
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