OpenAI x Anthropic, ChatGPT x Claude: a competição não é só tech. É política

A disputa entre gigantes da inteligência artificial no Vale do Silício ganhou um novo capítulo – desta vez, no campo político. A Anthropic anunciou um aporte de US$ 20 milhões para financiar uma operação de super PAC que atuará em oposição a grupos políticos ligados à OpenAI.

O movimento inaugura uma batalha paralela às inovações tecnológicas: a influência sobre a formulação de políticas públicas de IA nos Estados Unidos. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, o embate entre as duas deve se intensificar em Washington.

A divergência entre as duas empresas gira em torno do nível de regulação para a inteligência artificial. A Anthropic, fundada por ex-executivos da OpenAI e conhecida por enfatizar segurança e governança responsável, tende a apoiar candidatos favoráveis a regras mais rígidas para o setor. Já grupos alinhados à OpenAI têm se posicionado de forma mais cética em relação a uma regulamentação ampla.

Sem citar diretamente a concorrente, a Anthropic afirmou em seu blog que recursos expressivos têm sido direcionados a organizações políticas contrárias a iniciativas de segurança em IA. A empresa defendeu maior participação no debate, argumentando que as decisões tomadas nos próximos anos terão impacto profundo na vida pública.

O financiamento da Anthropic será direcionado à organização Public First Action, que atua como estrutura de apoio a campanhas e pode veicular anúncios em favor de candidatos, embora não seja obrigada a divulgar seus doadores. A iniciativa pretende apoiar legisladores federais favoráveis a uma regulamentação mais abrangente da IA – posição que contrasta com a linha adotada pela administração Trump.

Lembrando: os super PACs são um tipo de comitê de ação política nos Estados Unidos, que permitem arrecadar dinheiro para propaganda eleitoral sobre determinado tema ou até partidos e candidatos individuais.

Rivalidade entre desenvolvedoras passou para a política (Imagem: Ascannio/Shutterstock)

OpenAI x Anthropic na política

A ofensiva da Anthropic surge como resposta aos super PACs chamados Leading the Future, apoiados por executivos e investidores da OpenAI. Esses grupos já divulgaram ter arrecadado mais de US$ 50 milhões, com contribuições expressivas da gestora Andreessen Horowitz e da família de Greg Brockman, presidente e cofundador da OpenAI.

A desenvolvedora, que até recentemente operava como organização sem fins lucrativos tradicional, não realizava contribuições políticas diretas. Nos últimos anos, no entanto, ampliou sua presença em Washington e passou a contar com estruturas políticas alinhadas para defender seus interesses.

A Anthropic, por sua vez, decidiu contribuir diretamente em seu próprio nome.

Como lembrou o The New York Times, o investimento de US$ 20 milhões não está isento de riscos. Enquanto a OpenAI tem sido bem recebida por integrantes do governo Trump, a Anthropic e seu CEO, Dario Amodei, enfrentam críticas públicas de autoridades da administração. David Sacks, responsável pela agenda de IA na Casa Branca, já acusou a empresa de fomentar um “frenesi regulatório” que, segundo ele, prejudicaria o ecossistema de startups.

Com o avanço da inteligência artificial para o centro das decisões econômicas e estratégicas do país, o confronto entre Anthropic e OpenAI extrapola o desenvolvimento de modelos e entra definitivamente na arena política.

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