Metanol no Carnaval: a ressaca pode não ser só ressaca

O Carnaval é sinônimo de alegria, encontros e celebração. No entanto, em meio aos blocos e festas, um risco silencioso exige atenção redobrada. Após uma crise sanitária registrada no fim de 2025, autoridades de saúde reforçam o alerta sobre intoxicação por metanol no Carnaval, um problema grave associado ao consumo de bebidas adulteradas.

Entre setembro e dezembro de 2025, o Ministério da Saúde contabilizou 890 notificações relacionadas à exposição ao metanol, com 73 casos confirmados e 22 mortes. Por isso, entender os sintomas e saber como agir pode salvar vidas — especialmente em um período de consumo elevado de álcool.

Intoxicação por metanol no Carnaval: por que o perigo é maior?

Diferente do etanol presente nas bebidas tradicionais, o metanol é altamente tóxico. Quando metabolizado pelo organismo, ele se transforma em substâncias que prejudicam a produção de energia das células. Como resultado, o sistema nervoso sofre impactos severos.

Além disso, o perigo aumenta porque os sinais nem sempre surgem imediatamente. Segundo o patologista clínico Helio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico, da Rede D’Or, ouvido pelo O Globo, os sintomas podem aparecer entre seis e 24 horas após o consumo — e, em alguns casos, até 48 horas depois. Assim, muitas pessoas confundem o quadro com uma ressaca intensa, atrasando a busca por ajuda.

Sintomas de metanol que não devem ser ignorados

Os sintomas de metanol costumam evoluir de forma progressiva. Dor de cabeça persistente, náuseas, vômitos, tontura e confusão mental são sinais iniciais comuns. No entanto, as alterações visuais merecem atenção especial.

Metanol no Carnaval: a ressaca pode não ser só ressaca – Crédito: FreePik

Visão turva, embaçada, dor nos olhos e sensibilidade à luz indicam possível lesão do nervo óptico. Em situações mais graves, a pessoa pode apresentar convulsões, arritmias, insuficiência respiratória e até entrar em coma. Portanto, ao notar qualquer sintoma incomum após beber, é fundamental procurar atendimento médico imediato.

Bebidas adulteradas: como se proteger durante a folia

Para reduzir os riscos das bebidas adulteradas, a recomendação é clara: consuma apenas produtos de procedência conhecida, evite garrafas sem rótulo e desconfie de preços muito abaixo do mercado. Além disso, nunca se automedique diante de sintomas suspeitos.

Caso haja desconfiança de ingestão de bebida falsificada, informe isso na unidade de saúde e, se possível, leve a embalagem ou uma amostra. 

Resumo: O aumento de casos de intoxicação por metanol no Carnaval reforça a importância da prevenção. Os sintomas podem surgir horas depois e se confundir com ressaca comum. Alterações visuais são sinais de alerta e exigem atendimento imediato. Escolher bebidas confiáveis é essencial para curtir a folia com segurança.

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