Fevereiro Roxo: conheça as doenças abordadas nas campanhas deste mês

Fevereiro é marcado pela cor roxa nas campanhas de saúde. O chamado Fevereiro Roxo chama atenção para três condições crônicas que impactam milhões de pessoas no Brasil e no mundo: Alzheimer, lúpus e fibromialgia. Apesar de distintas do ponto de vista clínico, elas trazem um desafio semelhante, o cuidado ao longo do tempo.

O aumento da expectativa de vida e o crescimento das doenças crônicas mudaram o foco da medicina. Hoje, não se trata apenas de diagnosticar e tratar crises, mas de acompanhar trajetórias que podem durar décadas.

Alzheimer

O Alzheimer é a forma mais comum de demência e está diretamente ligado ao envelhecimento da população. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 55 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no mundo, número que pode chegar a 139 milhões até 2050. A OMS também estima quase 10 milhões de novos casos por ano.

No Brasil, projeções do IBGE indicam que a população com 60 anos ou mais deve praticamente dobrar nas próximas décadas, ampliando a necessidade de cuidados de longo prazo.

Para Diogo Haddad, neurologista e head do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o impacto dessas doenças ultrapassa o aspecto biológico. “Quando falamos de Alzheimer e também de condições crônicas como lúpus e fibromialgia, estamos falando de doenças que mudam a relação da pessoa com o tempo. O cuidado deixa de ser episódico e passa a ser contínuo, exigindo planejamento, adaptação e uma rede de apoio que vai muito além do consultório”, afirma.

No Alzheimer, a progressão gradual compromete memória, comportamento e autonomia. Segundo o neurologista, o diagnóstico precoce tem papel estratégico. “O diagnóstico precoce no Alzheimer não serve apenas para iniciar medicamentos, mas para permitir que o paciente participe das decisões sobre sua própria vida enquanto ainda tem condições cognitivas para isso”, explica.

Fevereiro Roxo: descubra quais doenças a campanha aborda. Foto: FreePik

Lúpus

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune que pode afetar diversos órgãos, como pele, articulações, rins e sistema nervoso. Estimativas da Lupus Foundation of America apontam cerca de 5 milhões de pessoas com a doença no mundo, com prevalência predominante em mulheres jovens. No Brasil, a prevalência é de aproximadamente 52 casos por 100 mil habitantes.

O controle da doença envolve acompanhamento regular, ajuste de medicações e monitoramento de possíveis crises. O objetivo é evitar danos cumulativos e preservar a qualidade de vida.

Fibromialgia

Já a fibromialgia afeta cerca de 3% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. A condição é caracterizada por dor difusa, fadiga intensa e alterações no sono, muitas vezes sem alterações evidentes em exames laboratoriais.

Para Alex Silva, reumatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, essas doenças compartilham um ponto sensível. “São condições que frequentemente se confundem, se sobrepõem em sintomas e compartilham um problema central: a dificuldade de reconhecimento”, afirma.

No caso da fibromialgia, o tratamento envolve abordagem multidisciplinar, com medicamentos, atividade física orientada, suporte psicológico e educação em saúde. Segundo Alex, o acompanhamento precisa ser adaptado ao longo do tempo. “Em ambos os casos, o tratamento não é episódico ou pontual. Ele precisa ser ajustado ao longo do tempo, respeitando limites e fases diferentes da vida do paciente”, destaca.

O que o Fevereiro Roxo quer reforçar?

Embora diferentes entre si, Alzheimer, lúpus e fibromialgia mostram que saúde não é apenas ausência de doença, mas gestão contínua de condições que acompanham o paciente por anos.

Para Diogo, o grande aprendizado dessas campanhas está na mudança de perspectiva. “Essas doenças mostram que cuidar não é apenas intervir em momentos de crise, mas acompanhar, orientar e adaptar ao longo dos anos”, resume.

Alex reforça que o foco deve ser a qualidade de vida. “Quando entendemos que muitas doenças não acabam, o foco passa a ser qualidade de vida, autonomia possível e cuidado sustentado no tempo”, conclui.

Resumo:
O Fevereiro Roxo destaca Alzheimer, lúpus e fibromialgia, doenças crônicas que exigem acompanhamento contínuo e planejamento a longo prazo. Dados da OMS e de entidades médicas mostram o impacto crescente dessas condições, reforçando a importância de diagnóstico precoce, rede de apoio e foco na qualidade de vida.

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