A Organização das Nações Unidas (ONU) montou um grupo de 40 especialistas para acompanhar de perto o avanço da inteligência artificial (IA) mundo afora. O anúncio ocorreu durante AI Summit, na Índia. O objetivo é monitorar riscos e garantir o controle humano sobre as mudanças na tecnologia daqui para a frente.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, explicou que o grupo funcionaria como um “IPCC da inteligência artificial”. Essa é a sigla do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Em essência, ele reúne comitês que estudam as mudanças no clima.
A iniciativa da ONU tenta lidar com preocupações sobre o fim de vagas de trabalho, o aumento de notícias falsas e o grande consumo energético de data centers. Mas os Estados Unidos não gostaram da iniciativa.
Estados Unidos e grandes empresas não querem controle único sobre IA criado pela ONU
Representantes dos Estados Unidos disseram que o excesso de burocracia e de regras pode travar inovações e o crescimento da economia. O governo americano defende um modelo focado no empreendedorismo, com leis que facilitem investimentos e mantenham o país à frente de outros competidores no mercado internacional.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, também participou do debate e afirmou que regras de segurança são urgentes para evitar riscos maiores relacionados à tecnologia. Porém, ele alertou que concentrar o controle da IA em apenas um país ou em uma só empresa seria um caminho perigoso para o futuro. Para o executivo, se as normas forem rígidas demais, o desenvolvimento de novos produtos e serviços será prejudicado.
A cúpula na Índia foi o primeiro encontro desse tamanho organizado num país em desenvolvimento, com foco em atrair dinheiro de fora. O governo indiano planeja receber mais de US$ 200 bilhões (pouco mais de R$ 1 bilhão) em investimentos nos próximos dois anos para impulsionar o setor. Por isso, o país está fechando acordos com big techs dos EUA.
Até agora, não há um acordo entre o que a ONU propõe e o que as potências financeiras desejam. Enquanto o Brasil avisa que a falta de regras mundiais vai aumentar a desigualdade entre as nações ricas e pobres, os países que lideram o setor preferem manter o ritmo rápido dos seus avanços.
(Essa matéria usou informações de AFP e The Economic Times.)
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