Depois do Carnaval, o desafio é voltar a rotina de sono

Dias de pouco sono, excesso de estímulos, álcool, calor, barulho, dança, telas, deslocamentos. Para o cérebro, a folia é uma maratona sensorial. E quando a festa termina, muita gente percebe que não consegue simplesmente “desligar”.

A insônia pós-Carnaval não é coincidência. Ela é neurobiologia.

Isso porque, durante a folia, há aumento de dopamina, adrenalina e cortisol — neurotransmissores ligados à excitação, recompensa e estado de alerta. O sistema nervoso simpático (responsável pela ativação) fica hiperestimulado.

O problema é que o sono depende do oposto: da ativação do sistema nervoso parassimpático, que sinaliza segurança, repouso e recuperação.

Não basta querer dormir. O cérebro precisa sentir que é seguro desacelerar.

É aí que entra o olfato.

Por que o cheiro influencia o sono?

O sistema olfativo é o único dos sentidos que se conecta diretamente ao sistema límbico — área cerebral ligada às emoções, à memória e à regulação autonômica. Isso significa que um aroma pode modular respostas fisiológicas de forma rápida, sem precisar passar pelo filtro racional.

Em outras palavras: o cheiro fala diretamente com as áreas do cérebro que controlam estresse e relaxamento.

O que realmente ajuda a dormir melhor

Cheiros ajudam quando fazem parte de um ritual de desaceleração.

O cérebro aprende por repetição. Quando usamos um aroma específico apenas no período noturno, ele passa a associá-lo a segurança e descanso. Esse condicionamento é mais poderoso do que o aroma isoladamente.

Outros óleos com evidência moderada para relaxamento incluem:

Laranja doce (redução de ansiedade leve)
Bergamota (regulação do humor)
Vetiver (efeito calmante em estudos preliminares)

Mas nenhum aroma compensa:

Luz azul até tarde
Álcool em excesso
Refeições pesadas antes de dormir
Horários irregulares

O erro mais comum para retomar o sono no pós-Carnaval

Muita gente tenta “forçar” o sono com soluções rápidas. O cérebro, porém, precisa de sinalização progressiva de segurança.

A estratégia ideal envolve:
Redução de estímulos 1 hora antes de dormir
Luz mais baixa
Temperatura agradável
Aroma associado apenas ao ritual noturno
Respiração lenta e profunda

Quando o olfato é usado como ferramenta de regulação — e não como promessa milagrosa — ele pode ajudar a restaurar o equilíbrio do sistema nervoso.

Dormir é reconstrução cerebral

O sono é o momento em que o cérebro reorganiza memórias, regula emoções e reduz inflamação neural. Depois de dias intensos, dormir bem não é luxo. É necessidade biológica.

O cheiro certo não “apaga” o cérebro. Mas pode ajudar a lembrá-lo de que a festa acabou — e que agora é hora de descansar.

E, para o sistema nervoso, segurança é o primeiro passo para o sono.