Beber de duas a três xícaras de café por dia pode ajudar a proteger o cérebro contra a demência (reduz o risco em cerca de 20%). É o que apontou uma pesquisa feita por cientistas de Harvard e publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA).
O estudo, um dos maiores já feitos sobre o tema, acompanhou pouco mais de 130 mil pessoas por 43 anos nos Estados Unidos. Os pesquisadores notaram que a versão descafeinada não mostrou o mesmo efeito de proteção nos testes.
Cafeína ajuda a proteger o cérebro ao controlar inflamações e desgaste da mente
Para chegar a esses números, os cientistas analisaram a rotina de milhares de profissionais de saúde por quatro décadas por meio de questionários sobre alimentação e estilo de vida. Eles tiveram o cuidado de não incluir pessoas que já tivessem doenças graves, como Parkinson ou câncer, no início do acompanhamento. Depois de tanto tempo, foram registrados 11.033 casos de demência, o que permitiu aos especialistas cruzar os dados de quem bebia café com quem acabou desenvolvendo o problema.
Um detalhe importante é que existe um limite para esse ganho: o efeito máximo acontece por volta de 300 mg de cafeína, o que dá aproximadamente três xícaras. Tomar mais café do que isso não trouxe proteção extra para o cérebro nos resultados observados pelos pesquisadores. Além do café, o chá com cafeína também apresentou resultados positivos. Isso reforça a ideia de que a cafeína é a substância principal por trás dessa ajuda.
Os médicos explicam que a cafeína bloqueia certas reações no cérebro, o que pode diminuir inflamações e ajudar no funcionamento das células. Mas é preciso ter cautela: como o estudo foi apenas de observação, não se pode afirmar com certeza que o café sozinho causa a prevenção. Fatores como o alto nível de estudo dos participantes e a possibilidade de alguém diminuir o café justamente por já estar começando a ficar doente podem ter influenciado os dados.
Na prática, a melhora que o café traz para a memória e atenção é considerada pequena. Ela “atrasou” o envelhecimento da mente em apenas seis meses. Mesmo assim, quando pensamos em toda a população, essa pequena porcentagem de proteção pode evitar muitos novos casos de demência. Por isso, os especialistas dizem que o café ajuda, mas deve ser um complemento a hábitos como fazer exercícios e controlar a pressão arterial.
(Essa matéria usou informações de G1, Harvard, Journal of the American Medical Association e Superinteressante.)
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