O Tiranossauro rex já foi retratado de muitas formas no imaginário popular: como um predador trovejante, como uma máquina de matar imparável ou, mais recentemente, como um animal de penas. Mas como ele realmente se movia? Uma nova pesquisa publicada na Royal Society Open Science acaba de oferecer a resposta mais detalhada até agora — e ela surpreende tanto pela precisão quanto pela estranheza.
Cientistas desenvolveram a primeira análise quantitativa abrangente sobre a locomoção do maior predador terrestre conhecido. Para isso, não se limitaram aos ossos. Eles combinaram modelagem computacional dos efeitos do impacto das patas, medições de esqueletos fossilizados e o estudo minucioso de pegadas antigas — uma disciplina chamada icnologia.
O resultado é um retrato biomecânico inédito: ao contrário dos humanos, que pisam com todo o pé, o T. rex era um digitígrado. Ou seja, caminhava apoiado apenas na ponta dos dedos, com o calcanhar permanentemente elevado. O padrão é exatamente o mesmo observado em avestruzes e outras aves de grande porte — um eco evolutivo que não surpreende os paleontólogos, já que as aves são os únicos dinossauros vivos.
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Passos curtos e rápidos
A pesquisa também revelou detalhes sobre a dinâmica da marcha. O T. rex não dava passos longos como um cavalo ou um humano em corrida. Em vez disso, suas passadas eram proporcionalmente curtas e mais frequentes, um estilo que maximiza a estabilidade para um corpo de várias toneladas. Esse padrão, típico de aves terrestres, sugere que o animal mantinha o centro de gravidade baixo e constante.
A velocidade, no entanto, não era uniforme. Os modelos indicam que filhotes e jovens, mais leves, podiam atingir picos de até 11 metros por segundo (cerca de 40 km/h). Mas, à medida que cresciam e acumulavam toneladas, a potência bruta dava lugar à massa. Exemplares adultos, como o famoso espécime “Sue” (incluído no estudo), provavelmente não passavam dos 5 metros por segundo (18 km/h) — um trote moderado, mas suficiente para um predador de topo que dependia mais de emboscadas e força bruta do que de perseguições prolongadas.
Pés revelam rotina dos dinossauros
Os autores do estudo acreditam que essa descoberta muda significativamente a compreensão sobre o comportamento do T. rex. A adoção de um padrão de marcha semelhante ao das aves implica não apenas em diferenças na mecânica do movimento, mas também em estratégias de caça e até na fisiologia dos membros posteriores.
“Nosso estudo representa a primeira análise biomecânica quantitativa dos efeitos dos padrões de contato do pé com o solo na marcha do Tyrannosaurus”, escrevem os pesquisadores. “Isso inclui a adoção de características semelhantes às das aves na marcha, com frequências de passada mais altas e comprimentos de passada proporcionalmente curtos.”
Em outras palavras, o T. rex pode ter sido muito menos parecido com um lagarto monstruoso e muito mais com um avestruz de pesadelo — rápido quando jovem, pesado quando adulto, e sempre apoiado na ponta dos pés, pronto para dar o bote.
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