O Irã enfrenta um apagão de internet quase total que já dura mais de 48 horas, com a conexão no país reduzida a apenas 1% do normal. Essa paralisia digital acontece após Estados Unidos e Israel executarem ataques aéreos e cibernéticos conjuntos contra alvos iranianos.
Mais de 90 milhões de pessoas sofrem as consequências desse isolamento em meio à escalada militar na região. Enquanto especialistas apontam ataques estrangeiros como causa de falhas em sites, o monitor NetBlocks afirma que o bloqueio total foi imposto pelo próprio governo de Teerã. Essa combinação de ataques externos e bloqueios internos desativou serviços essenciais no Irã.
Ações cibernéticas coordenadas e bloqueios internos desativam serviços essenciais no Irã
A queda drástica na conectividade começou na manhã de sábado. Análises técnicas das empresas Kentik e NetBlocks confirmam que apenas uma fração mínima de tráfego continua ativa. O cenário atual é comparado ao bloqueio de várias semanas ocorrido em janeiro, quando o governo tentou conter protestos civis.
⚠️ Update: #Iran has now been cut off from the world for 36 hours with metrics showing connectivity at 1% of ordinary levels.
The internet blackout imposed on Saturday morning continues to limit Iranians’ access to information as the war with the US and Israel widens regionally. pic.twitter.com/BhN7dDdExi
— NetBlocks (@netblocks) March 1, 2026
Nesta crise, os ataques atingiram o aplicativo religioso BadeSaba, usado por mais de cinco milhões de apoiadores do governo. O sistema foi hackeado para exibir mensagens pedindo que os militares abandonem suas armas e se juntem ao povo. Além disso, sites de notícias oficiais e serviços militares foram invadidos para atrapalhar a coordenação de uma resposta iraniana.
O governo do Irã tem o costume de desligar a rede para controlar informações em momentos de crise. A pouca internet que ainda funciona é por conta de um sistema de “lista branca” (whitelisting), segundo postagem do analista Doug Madory no X/Twitter. Esse mecanismo permite que apenas grupos e instituições leais ao regime continuem com acesso a rede.
As was the case with last month’s internet shutdown in Iran, a small amount of traffic continues to make its way into the country.
The country’s recently-developed system of whitelisting enables exceptions to internet blocks for people loyal to the govt. pic.twitter.com/gxbsJM1sRz
— Doug Madory (also on Bluesky) (@DougMadory) February 28, 2026
Especialistas ligam essa onda de ataques digitais diretamente à ofensiva militar física. Pesquisadores da empresa Anomali relataram que, antes dos bombardeios, grupos iranianos usaram ataques do tipo “wiper” (que apagam dados) contra Israel para tentar neutralizar sistemas de defesa.
Agora, o Irã responde com ataques de negação de serviço (DDoS), que tentam derrubar sites sobrecarregando o sistema. Grupos aliados a Teerã também estão vigiando infraestruturas de energia e finanças de aliados dos EUA. Analistas alertam que essas manobras simples geralmente servem de preparação para operações ofensivas muito mais agressivas.
(Essa matéria usou informações de CNBC e Reuters.)
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