A Amazon consolidou sua posição como uma das gigantes na corrida da inteligência artificial, mas o custo para manter esse posto está deixando os investidores inquietos. Em fevereiro de 2026, as ações da companhia registraram uma queda de 12%, o pior desempenho mensal desde o final de 2022.
De acordo com dados levantados pela Bloomberg, o mercado financeiro começou a olhar com desconfiança para os planos agressivos de gastos da empresa. O temor é que o alto investimento em infraestrutura para IA esteja “devorando” o fluxo de caixa livre da gigante, sem que o retorno financeiro apareça na velocidade esperada por Wall Street.
Números bilionários e o “fator OpenAI”
A estratégia da Amazon para 2026 envolve números monumentais. A empresa planeja investir US$ 200 bilhões este ano em data centers, chips e equipamentos para expandir sua capacidade computacional. Como comparação, o fluxo de caixa livre da empresa, que foi de US$ 7,7 bilhões em 2025, deve fechar 2026 no negativo em cerca de US$ 524,2 milhões.
Recentemente, a companhia anunciou um aporte de US$ 50 bilhões na OpenAI. O acordo funciona de forma circular: em contrapartida, a OpenAI deve gastar US$ 100 bilhões ao longo de oito anos utilizando os serviços de nuvem da AWS (Amazon Web Services).
Apesar do crescimento acelerado da AWS, os analistas apontam que os custos de capital estão subindo mais rápido que os lucros. “A Amazon está começando a parecer um conto de advertência, porque seus investimentos são muito altos, mas os retornos estão entre os mais baixos das Big Techs”, afirmou Adam Rich, da Vaughan Nelson Investment Management, em entrevista à Bloomberg.
O pior desempenho entre as “Magníficas Sete”
O desempenho da Amazon colocou a empresa na lanterna do grupo conhecido como as “Sete Magníficas” (que inclui Apple, Microsoft, Alphabet, Meta, Nvidia e Tesla). Além da queda em fevereiro, a valorização de 5,2% da Amazon em 2025 já havia sido a menor do grupo.
Mesmo assim, há quem veja a queda como uma oportunidade de compra. Atualmente, as ações da Amazon estão sendo negociadas a cerca de 22 vezes o lucro estimado – menos da metade da média histórica de 50 vezes dos últimos 20 anos. Isso torna o papel da empresa mais “barato”, em termos de múltiplos, do que o do Walmart, por exemplo.
Otimismo a longo prazo
Apesar do ceticismo imediato de alguns investidores, a maioria dos analistas de Wall Street mantém o otimismo. Dos 83 especialistas que acompanham a empresa, 78 recomendam a compra das ações.
Os motivos para a confiança incluem:
Chips próprios: o uso dos chips Trainium pela OpenAI valida a tecnologia da Amazon.
Parceria com a Anthropic: a Amazon continua sendo uma investidora chave na startup de IA concorrente da OpenAI.
Robótica: o uso intensivo de robôs na logística deve aumentar a eficiência e reduzir custos operacionais no futuro.
Para Andrew Choi, gestor de portfólio da Parnassus Investments, a Amazon continua sendo uma das oportunidades mais atraentes no setor de tecnologia. Segundo ele, caso os investimentos se mostrem excessivos, a empresa tem a capacidade de “pisar no freio” e ver o seu caixa se recuperar rapidamente.
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