Os perigos brutais que aguardam o piloto quando ele ejeta de um jato

Três caças F-15E dos Estados Unidos foram abatidos sobre o Kuwait no começo desta semana. O aparente incidente de fogo amigo ocorreu na Operação Epic Fury, atual campanha conjunta dos EUA e Israel contra o Irã. Os seis tripulantes se ejetaram com segurança das aeronaves.

“Mas ‘segurança’ é um termo relativo quando se é ejetado de uma aeronave atingida viajando em velocidade de combate”, observou Adam Taylor, professor de anatomia na Universidade Lancaster (Reino Unido).

De força 20G a trancos fortes: O que acontece quando se aciona assentos ejetores em jatos

Em artigo publicado no The Conversation nesta semana, Taylor detalha as principais consequências físicas extremas que a tripulação de um caça enfrenta ao acionar o assento ejetor.

Segundo o professor, a decisão de ejetar deve ser tomada em segundos. Isso porque qualquer atraso pode ser fatal. Para você ter ideia, as taxas de mortalidade chegam a 23% quando o piloto demora muito para decidir.

Quando o assento é disparado, o corpo sofre uma aceleração brutal:

Força G: Enquanto a maioria das pessoas desmaia com uma força de 5G (cinco vezes a gravidade da Terra), a ejeção lança o piloto com uma força de 20G;

Aceleração: O ocupante é impulsionado para cima a cerca de 200 metros por segundo ao quadrado para garantir que o paraquedas tenha altura para abrir.

Embora a taxa de sobrevivência em assentos modernos seja superior a 95%, cerca de 30% das ejeções resultam em lesões graves. A coluna vertebral é a parte mais afetada (42% dos casos). A força da ejeção comprime os discos da coluna, o que pode causar fraturas, especialmente nas vértebras que ligam a região média às costas e a lombar.

Em relação aos olhos, se a ejeção ocorrer enquanto o avião está acelerando para baixo ou de cabeça para baixo (G negativo), o sangue é empurrado para a cabeça. E isso pode romper vasos nos olhos e causar cegueira temporária por meses.

Desafios fora do jato

A decisão de ejetar deve ser tomada em segundos pois qualquer atraso pode ser fatal (Imagem: Three Sixty Images/Shutterstock)

Assim que sai do cockpit, o piloto enfrenta outros perigos:

Rajada de vento: O impacto com o ar em altas velocidades (que pode chegar a 1.100 km/h) é violento o suficiente para arrancar máscaras e equipamentos;

Falta de oxigênio (hipóxia): Se a máscara for arrancada em grande altitude, a falta de oxigênio prejudica o raciocínio do piloto, o que dificulta sua sobrevivência;

Frio e estilhaços: Há riscos de hipotermia, queimaduras pelo frio e ferimentos causados por fragmentos da aeronave ou de mísseis que podem atingir órgãos como o fígado e pulmões.

Mas quando o paraquedas abre, o perigo acaba, certo? Errado. Segundo o professor, entre os fatores de risco que continuam valendo são:

Choque de abertura: A freada brusca quando o paraquedas infla pode quebrar costelas, deslocar ombros e causar lesões na virilha devido às tiras do equipamento;

O pouso: Quase metade das lesões de paraquedismo ocorre no momento de tocar o solo (um terço dessas lesões afeta os pés);

Trauma de suspensão: Se o piloto ficar preso numa árvore pendurado pelo equipamento, o sangue pode se acumular nas pernas e não retornar ao coração e ao cérebro, o que pode levar à morte.

Sobre a recuperação, Taylor explicou que o tempo para um piloto voltar a voar depende da gravidade dos ferimentos, variando de uma semana a seis meses. Por fim, o professor frisa que, apesar de todos esses riscos e traumas físicos, a ejeção continua sendo muito mais segura do que permanecer numa aeronave em queda. Evidentemente.

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