A Meta vai cobrar pelo envio de mensagens a chatbots de inteligência artificial no WhatsApp no Brasil. A medida deve afetar serviços de IA populares no país, como ChatGPT, Copilot, Zapia e Luzia. As informações foram obtidas pelo Uol.
A decisão ocorre após uma disputa regulatória envolvendo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e empresas que utilizam o WhatsApp para distribuir assistentes de IA. A Meta já havia se posicionado de forma contrária aos serviços, dizendo que o mensageiro não foi projetado para este tipo de uso e que o local correto para isso seria em lojas de aplicativos.
A cobrança cairá diretamente nas plataformas que operam as IAs dentro do WhatsApp. Os valores oficiais não foram confirmados pela big tech. Tabelas acessadas pelo Uol indicam que o custo por mensagem varia entre R$ 0,02 e R$ 0,33, dependendo da categoria e do volume de envios. O número em si é baixo, mas, em larga escala, pode representar milhões de reais em despesas mensais para companhias com grande volume de interações.
A Meta não deu detalhes de como funcionária a cobrança. A lógica deve ser a mesma aplicada ao WhatsApp Business: cada resposta enviada pelo chatbot pode gerar uma tarifa separada. Por exemplo: se um usuário enviar uma mensagem e o sistema responder três vezes em um intervalo de cinco minutos, serão três cobranças.
Internamente, as mensagens de provedores de IA devem ser classificadas como “general_purpose_ai”, categoria que será tarifada. Já empresas que utilizam inteligência artificial apenas em seus próprios canais de atendimento poderão ter as interações enquadradas como “AI_BOT”, que tende a ficar isenta de cobrança.
Ainda existe incerteza sobre a categoria final aplicada às mensagens de IA. Isso porque o WhatsApp possui quatro tipos de classificação tarifária (autenticação, marketing, utilidade e serviço). Entre desenvolvedores, a hipótese considerada mais provável é a categoria “utilidade”, que tem preço variável conforme o volume de mensagens enviadas.
Meta e WhatsApp x Cade
A disputa começou depois que a Meta alterou as regras de uso da API do WhatsApp Business, ferramenta voltada originalmente para empresas se comunicarem com clientes.
De acordo com a companhia, desenvolvedores de IA passaram a utilizar essa infraestrutura criando contas próprias e operando chatbots como se fossem empresas tradicionais. Na avaliação da big tech, o recurso foi projetado para negócios e serviços comerciais, e não para interações massivas com assistentes de IA.
A Meta também argumentou ao Cade que o WhatsApp não foi concebido como plataforma principal para distribuição de chatbots e que a presença desses serviços poderia sobrecarregar a infraestrutura do aplicativo.
Em janeiro, a Superintendência-Geral do Cade abriu uma investigação para avaliar se a determinação da Meta poderia configurar abuso de posição dominante, já que, sem concorrentes como ChatGPT ou Copilot, o Meta AI poderia se tornar a única solução de inteligência artificial disponível no aplicativo.
Após a decisão do tribunal nesta semana, a Meta reativou o plano de cobrança.
O que diz a Meta x empresas de IA
O Olhar Digital entrou em contato com a Meta para posicionamento e atualizará a nota mediante retorno.
Já entre as empresas afetadas, a reação tem sido diversa. Uma provedora de IA que falou ao Uol afirmou que a cobrança pode contrariar o entendimento do Cade, que havia determinado a suspensão do bloqueio aos chatbots.
A startup Zapia disse que ainda avalia o cenário e afirma não ter recebido comunicação oficial da Meta sobre a cobrança. Para a empresa, a decisão do Cade indicaria que os preços não deveriam ser aplicados nas atuais condições.
Já a espanhola Luzia considera que os novos custos tornam inviável manter sua operação no WhatsApp na escala atual. Segundo a companhia, a estratégia agora é priorizar outros canais de distribuição.
Como ficam os usuários?
Os usuários não serão cobrados;
No entanto, como as empresas serão tarifadas, podem optar por deixar ou reduzir sua presença no WhatsApp, alterando a oferta de chatbots no aplicativo.
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