O Serviço Geológico do Brasil (SGB) fez um levantamento nacional para identificar áreas vulneráveis a desastres naturais. Até fevereiro de 2026, estudos foram concluídos em 1.803 municípios, que apresentaram um resultado alarmante: quase 18 mil zonas de risco.
O objetivo desse trabalho é apoiar ações de prevenção e ajudar autoridades a proteger a população. Com informações detalhadas sobre as áreas mais vulneráveis, prefeituras e equipes de defesa civil podem planejar medidas para reduzir impactos de enchentes, deslizamentos de terra e processos de erosão.
Segundo o diretor-presidente do SGB, Vilmar Medeiros Simões, os estudos reforçam o compromisso da instituição com a segurança das comunidades. Em um comunicado à imprensa, ele ressalta que os relatórios disponibilizados “fornecem a gestores públicos e às defesas civis instrumentos valiosos para que possam tomar decisões assertivas para salvaguardar vidas e evitar perdas materiais”.
Agentes da Defesa Civil e do Serviço Geológico do Brasil em pesquisa de campo. Crédito: Agência Pará
Sem planejamento, ameaças aumentam
Além disso, os levantamentos também ajudam municípios a buscar recursos para obras de infraestrutura e contenção de encostas. Com base nessas informações, as cidades conseguem planejar melhor a ocupação do território e reduzir o risco para moradores.
Um dos principais trabalhos realizados pelo SGB é a chamada Cartografia de Áreas de Risco. Esse estudo identifica locais classificados como de risco alto ou muito alto relacionados a inundações, enchentes, erosões e movimentos gravitacionais de massa – que incluem deslizamentos de terra e queda de blocos de rocha, fenômenos que costumam ocorrer em encostas ou áreas ocupadas de forma desordenada. Quando não há planejamento urbano adequado, o perigo para moradores aumenta consideravelmente.
Os dados mostram que mais de 4,6 milhões de pessoas vivem atualmente em áreas consideradas de risco no Brasil. Entre os municípios analisados, foram identificadas cerca de 17,7 mil áreas vulneráveis, sendo aproximadamente 5,5 mil classificadas como de risco muito alto.
Outras 12,1 mil áreas foram consideradas de risco alto. Entre os problemas mais comuns estão os deslizamentos de terra, responsáveis por cerca de 8,8 mil áreas mapeadas. Em seguida aparecem as inundações, com aproximadamente 5,7 mil registros.
Rio Grande do Sul foi bastante afetado por enchentes durante a maior tragédia da história do estado em 2024. Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil
Áreas de risco por município
Entre os estados com maior número de áreas de risco está Minas Gerais. O levantamento identificou cerca de 3,6 mil áreas vulneráveis em 218 municípios mineiros;
Santa Catarina aparece em seguida, com aproximadamente 3 mil áreas de risco em 294 cidades analisadas;
No Rio Grande do Sul, os estudos apontaram cerca de 2,4 mil áreas vulneráveis em 133 municípios;
O Espírito Santo registra aproximadamente 1,2 mil áreas de risco em 77 cidades analisadas;
Pará possui algo em torno de 1,1 mil áreas classificadas como perigosas em 96 municípios;
Pernambuco apresenta 928 áreas de risco distribuídas em 115 municípios;
Em São Paulo, foram identificadas cerca de 904 áreas vulneráveis em 126 cidades;
A Bahia registra aproximadamente 846 áreas de risco em 95 municípios analisados;
No Amazonas, os estudos identificaram cerca de 800 áreas vulneráveis em 62 municípios;
O Ceará possui cerca de 459 áreas de risco em 72 cidades;
O Maranhão registra 379 áreas classificadas como perigosas em 93 municípios;
No Rio de Janeiro, são 346 áreas vulneráveis em cinco municípios avaliados;
O Paraná possui cerca de 244 áreas de risco em 46 cidades;
Alagoas registra 220 áreas classificadas como perigosas em 27 municípios;
Na Paraíba, foram identificadas cerca de 192 áreas de risco em 40 municípios;
Rondônia possui aproximadamente 178 áreas vulneráveis em 52 cidades;
Acre registra cerca de 165 áreas classificadas como perigosas em 22 municípios analisados;
Mato Grosso apresenta aproximadamente 163 áreas vulneráveis em 28 municípios;
Goiás possui cerca de 136 áreas de risco em 29 cidades analisadas;
Sergipe registra aproximadamente 131 áreas classificadas como perigosas em 31 municípios;
O Piauí possui cerca de 102 áreas vulneráveis em 48 municípios;
O Rio Grande do Norte registra aproximadamente 94 áreas de risco em 32 cidades;
O Amapá apresenta cerca de 49 áreas classificadas como perigosas em oito municípios;
Mato Grosso do Sul registra aproximadamente 42 áreas de risco em 24 municípios;
Roraima possui cerca de 33 áreas vulneráveis em cinco cidades;
No Distrito Federal foram identificadas 22 áreas classificadas como perigosas;
O Tocantins aparece com nove áreas de risco registradas em 15 municípios analisados.
Mesmo nos estados com números menores, especialistas destacam que o monitoramento constante é essencial para evitar tragédias.
Em 2024, o SGB realizou estudos em Juiz de Fora (MG) para elaboração da Carta Geotécnica de Aptidão à Urbanização, além da Avaliação Geotécnica de Atrativos Geoturísticos no Morro do Cristo. Crédito: Divulgação/SGB
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Como o Serviço Geológico do Brasil atua
Além da cartografia de áreas de risco, o SGB desenvolve outros estudos voltados ao planejamento urbano e à prevenção de desastres. Entre eles estão mapas de suscetibilidade a deslizamentos e inundações, cartografias de perigo geológico e cartas geotécnicas de aptidão à urbanização.
O órgão também realiza avaliações técnicas após desastres naturais e estudos sobre populações que vivem em áreas vulneráveis. Essas informações ajudam autoridades a planejar ações de prevenção e reduzir impactos de eventos extremos.
Outra atividade importante é o monitoramento dos níveis dos rios. O SGB opera atualmente 19 Sistemas de Alerta Hidrológico, que acompanham o comportamento das águas em diferentes bacias hidrográficas do país.
Segundo o órgão, esses sistemas atendem mais de 100 municípios e beneficiam diretamente mais de 10 milhões de pessoas. Durante períodos de chuva intensa, são emitidos boletins com previsões sobre o nível dos rios e possíveis riscos de inundação.
Simões explica que, com essas informações, equipes de defesa civil e autoridades locais conseguem agir com antecedência. Em alguns casos, por exemplo, é possível retirar moradores de áreas ameaçadas antes que enchentes atinjam níveis perigosos, reduzindo danos e salvando vidas.
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