A Adobe anunciou nesta quinta-feira (12) que seu CEO, Shantanu Narayen, deixará o comando da empresa assim que um sucessor for nomeado. Narayen, que está na liderança desde 2007 e foi o responsável por transformar a Adobe em uma gigante de assinaturas, permanecerá como presidente do conselho.
A notícia pegou Wall Street de surpresa: as ações da companhia despencaram 7% no mercado pós-fechamento. O movimento reflete a incerteza dos investidores sobre quem assumirá o leme da Adobe em um momento crítico de transição para a inteligência artificial generativa.
Legado de transformação e o tropeço da Figma
Shantanu Narayen é amplamente respeitado no setor. Sob sua gestão, as ações da Adobe subiram mais de 600%, superando com folga o índice S&P 500. Ele liderou a mudança histórica da venda de softwares em caixas para o modelo de assinatura da Creative Cloud e, mais recentemente, posicionou a empresa na corrida da IA com o Firefly.
Entretanto, o final de sua gestão foi marcado pela tentativa frustrada de compra da Figma por US$ 20 bilhões. Barrada por reguladores, a fusão resultou no pagamento de uma taxa de rescisão bilionária pela Adobe. Em nota enviada à CNBC, o próprio CEO da Figma, Dylan Field, elogiou Narayen como um líder “implacável na busca pela visão da Adobe”.
Números recordes e o desafio da IA
Ironicamente, o anúncio da saída ocorre junto a um balanço financeiro trimestral robusto:
Receita: US$ 6,40 bilhões (crescimento de 12% ano a ano);
Lucro por ação: US$ 6,06 (acima das expectativas de US$ 5,87);
IA generativa: A receita anualizada de produtos focados em IA mais que triplicou no período.
Apesar dos bons números, os investidores seguem céticos. As ações da Adobe já caíram 23% em 2026, reflexo do medo de que modelos de IA generativa – como o Sora da OpenAI ou ferramentas de geração de imagens – possam “canibalizar” o mercado de softwares criativos tradicionais da empresa.
O que a Adobe planeja para a sucessão
Narayen, de 62 anos, afirmou que permanecerá para garantir uma transição suave, assim como os fundadores da Adobe fizeram quando ele assumiu. A busca por um novo CEO deve levar alguns meses.
O desafio do próximo líder será claro: acelerar a monetização das ferramentas de IA e conter a queda no serviço Adobe Stock (banco de imagens), que sentiu um impacto mais rápido do que o previsto devido à geração de imagens por inteligência artificial. Como disse Narayen em sua última teleconferência: “A IA deve ser o nosso próximo negócio de bilhões de dólares”.
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