A Nvidia virou alvo de críticas após apresentar o DLSS 5, uma nova versão de sua tecnologia de gráficos baseada em inteligência artificial. A ideia da empresa é promover melhorias em iluminação em tempo real e otimização visual, mas a forma como foi demonstrada – com alterações nos rostos de personagens de jogos já conhecidos – gerou reação negativa entre jogadores.
Em vez de destacar avanços para títulos futuros, a companhia optou por exibir mudanças em jogos que já são populares, o que foi interpretado por parte do público como uma intervenção direta na direção artística das obras. As modificações incluem desde ajustes em expressões faciais até alterações de iluminação que, em alguns casos, suavizam sombras ou até mudam a aparência dos personagens.
A tecnologia funciona como uma camada de processamento baseada em IA, capaz de ajustar elementos visuais em tempo real. Embora o objetivo seja aprimorar a qualidade gráfica, críticos apontam que o resultado pode descaracterizar o trabalho de artistas e desenvolvedores, gerando uma aparência considerada artificial ou padronizada.
A repercussão negativa levou executivos da Nvidia a se manifestarem. O CEO Jensen Huang rejeitou as críticas, enquanto a empresa reforçou que os estúdios mantêm controle sobre as alterações visuais. Representantes da fabricante afirmaram que desenvolvedoras parceiras podem decidir como (e se) utilizam os recursos oferecidos.
Alguns estúdios também se posicionaram. A Bethesda, dona do Starfield, indicou que os ajustes apresentados são preliminares e que o resultado final seguirá a direção artística definida internamente. A empresa ressaltou ainda que as mudanças serão opcionais para os jogadores.
Nvidia reacendeu debate no mundo dos jogos
Apesar disso, o episódio reacendeu discussões sobre o impacto da inteligência artificial na criação de jogos. Em um cenário marcado por demissões frequentes na indústria, parte da comunidade demonstra ceticismo em relação ao grau real de controle dos artistas sobre tecnologias automatizadas. Foi o caso de Sean Hollister, editor sênior e membro fundador do site de tecnologia The Verge.
Outro ponto levantado é o risco de homogeneização visual. Especialistas apontam que o uso amplo de sistemas baseados em IA pode levar a resultados semelhantes entre diferentes jogos, reduzindo a identidade estética de cada título.
A controvérsia ocorre em um momento em que a Nvidia amplia seu foco em inteligência artificial, área que hoje representa uma parcela significativa de seus negócios. Para alguns analistas, isso pode explicar a priorização de tecnologias que dialogam mais com o mercado de IA do que com as demandas tradicionais dos jogadores.
Leia mais:
Nvidia apresenta IA para data centers, robótica, jogos, carros autônomos e até aplicações espaciais
4 melhores inteligências artificiais para criar e editar vídeos
Como usar o novo DLSS 4.5 com qualquer placa gráfica Nvidia GeForce RTX?
Ainda assim, há consenso de que a tecnologia apresentada tem potencial. Avanços em iluminação e renderização continuam sendo um dos principais caminhos para alcançar maior realismo nos jogos. O problema, segundo críticos, estaria menos na inovação em si e mais na forma como ela foi apresentada ao público.
Veja uma demonstração de como ficaram os jogos com o DLSS 5:
O post Nvidia vira alvo de críticas após usar IA para alterar visuais de personagens em jogos apareceu primeiro em Olhar Digital.






