Roupell Street: a rua que parece ter parado no tempo em Londres

Situada a poucos passos da movimentada estação de Waterloo, no coração de Londres, existe uma pequena rua que parece ter escapado da passagem dos séculos. A Roupell Street fica a cerca de cinco minutos da gigantesca parada ferroviária e costuma surpreender quem vaga pela região. Em meio ao fluxo intenso da cidade, curiosos acabam tropeçando nessa cápsula do tempo escondida no bairro.

Curta, estreita e de faixa única, a rua é formada por uma sequência de casas de tijolos alinhadas, rodeados por pubs tradicionais e pequenas lojas de esquina. Carros antigos estacionados e postes de iluminação evocam a sensação de estar caminhando por uma Londres que segue no século 19.

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Just steps away from Waterloo station, Roupell Street feels like a time capsule in the city. #experiencelondon #explorelondon #freethingstodoninlondon #hiddengems #roupellstreet

♬ Golden Hour: Piano Version (Cover) – Andy Morris

O mais curioso é que essa paisagem aconchegante conseguiu atravessar alguns dos momentos mais turbulentos da história da cidade. A Roupell Street sobreviveu tanto aos bombardeios da Blitz de Londres, durante a Segunda Guerra Mundial, quanto às pressões imobiliárias que remodelaram parte da capital britânica ao longo do século passado.

Além disso, outro detalhe chama atenção: o conjunto preservado é formado em grande parte por antigas casas operárias – algo incomum, já que, em geral, são palácios, igrejas ou mansões que acabam protegidas pelo patrimônio histórico.

Hoje, ao lado de ruas vizinhas como Wittlesey Street, Cornwall Road e Theed Street, a área integra a Roupell Street Conservation Area, dedicada à preservação desse fragmento da Londres do passado.

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Do primeiro circo às placas de incêndio

Muito antes de se tornar uma rua, o local era apenas um terreno aberto e pantanoso às margens do rio Tâmisa. Foi ali que ocorreu um episódio inesperado da história cultural britânica: em 1768, o artista Philip Astley apresentou um espetáculo que muitos historiadores consideram o nascimento do circo como conhecemos  hoje.

Astley reuniu em suas apresentações números de acrobacias a cavalo com artistas que agora associamos ao universo circense: malabaristas, palhaços e equilibristas. O sucesso foi tão grande que, no ano seguinte, ele inaugurou o Anfiteatro de Astley, considerado o primeiro circo da história. Hoje, uma placa azul instalada na esquina da Roupell Street com a Cornwall Road marca o local onde tudo começou.

Placa celebra a origem do circo moderno na região da Roupell StreetRoupell Street Conservation Area / Lambeth Estate Residents’ Association/Reprodução

Décadas depois, o espaço enfim começou a ganhar outra forma. Em 1828, o comerciante de metais John Roupell decidiu urbanizar a área. Ambicioso, ele inicialmente batizou as ruas em homenagem à sua família. No entanto, os nomes acabaram alterados no final do século 19, depois que as semelhanças entre eles passaram a causar confusões constantes no serviço de correios.

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As casas construídas ali eram simples e destinadas à população trabalhadora de uma Londres que passava por intensas transformações urbanas. Construtores, enfermeiras, ferreiros e padeiros dividiam as pequenas residências de quatro cômodos (muitas vezes superlotadas). Em alguns casos, até 20 pessoas podiam viver em um único chalé.

Em 1829, quando cerca de 30 dessas modestas casas de dois andares já estavam erguidas, um incêndio ameaçou destruir o projeto recém-criado. Uma das residências foi completamente consumida pelas chamas. Para evitar novas tragédias, uma companhia de seguros contra incêndios instalou pequenas placas metálicas nas fachadas das casas, identificando os imóveis segurados. Algumas delas ainda podem ser vistas hoje, ainda que discretamente, fixadas nas laterais das paredes de tijolos.

Vista dos telhados históricos das ruas Roupell e Whittlesey, que conservam casario do século 19Doyle of London/Wikimedia Commons

O que fazer na Roupell Street

Mesmo quem nunca visitou a rua pode já tê-la visto algumas vezes na televisão ou no cinema. Graças à aparência histórica bem preservada, a Roupell Street virou cenário recorrente para produções ambientadas em diferentes períodos de Londres. Séries como Mr. Selfridge, Call the Midwife e Doctor Who já gravaram cenas ali.

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No cinema, a rua aparece no filme Lendas do Crime (2015), estrelado por Tom Hardy, que recria uma atmosfera da capital britânica nos anos 1960. Assim, para quem gosta de fotografia, desbravar e registrar os encantos do local – um set de filmagem à céu aberto, praticamente – é uma boa pedida.

King’s Arms: pub é uma “instituição” na região da Roupell StreetMatt Brown/Wikimedia Commons

Durante o passeio, vale também fazer uma parada no King’s Arms, um pub tradicional que ocupa o térreo de uma das casas georgianas da rua. O espaço mantém uma atmosfera rústica e acolhedora, com fachada marrom que contrasta com os tijolos avermelhados do entorno. Com nove torneiras de cerveja artesanal, o pub, além de ser um ponto de encontro dos moradores e trabalhadores da região, é propício para os visitantes em busca de experimentar um gole de uma Londres mais antiga.

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