Descoberta confirma caça sofisticada de elefantes gigantes por neandertais

Um artigo publicado este mês na revista Scientific Reports apresenta a evidência mais sólida já encontrada de que neandertais caçavam elefantes gigantes. O estudo revisita um achado histórico em Lehringen, na Alemanha, revelando detalhes que mudam a forma como entendemos o comportamento desses humanos antigos, mostrando planejamento, cooperação e habilidades sofisticadas na caça.

Em resumo:

Neandertais caçavam elefantes gigantes há 125 mil anos;

Lança de madeira encontrada indica caça planejada e coordenada;

Cortes precisos mostram abate e processamento da carne;

Exploração eficiente de recursos e conhecimento anatômico evidente;

Lehringen revela vida complexa e adaptativa dos neandertais.

Tudo começou em 1948, quando arqueólogos amadores encontraram no local o esqueleto quase completo de um elefante de presas retas, um gigante da Era do Gelo e o maior mamífero terrestre da Europa. Os restos estavam preservados em sedimentos datados de cerca de 125 mil anos, durante o último período interglacial, quando a região era coberta por densas florestas e o clima era mais quente do que o atual.

Vestígios arqueológicos de Lehringen: lança de madeira e artefato de sílex encontrados junto aos restos de um elefante pré-histórico. Crédito: Verheijen, I., et al. (2026). Scientific Reports. Adaptado de NLD (A), foto de Volker Minkus (B) e Thieme & Veil (1985) (C).

O detalhe mais intrigante apareceu entre as costelas do animal: uma lança de madeira praticamente intacta. Por décadas, especialistas discutiram se isso representava uma caça direta ou se a arma havia se deslocado naturalmente após a morte do elefante. A ausência de sinais claros nos ossos impedia qualquer conclusão sobre o comportamento neandertal, mantendo o mistério por muito tempo.

Análise revela marcas de corte precisas nas costelas e vértebras do elefante

Agora, uma nova análise conduzida por cientistas da Universidade de Göttingen e do Niedersächsisches Landesamt für Denkmalpflege, ambos na Alemanha, identificou marcas de corte precisas nas costelas e vértebras do elefante, indicando que os neandertais não apenas tiveram contato com ele, como realizaram o abate e processaram sua carne e órgãos diretamente no local, descartando a ideia de que apenas encontraram a carcaça.

Caçar um elefante de presas retas exigia extrema habilidade, planejamento e coordenação em grupo. Segundo os pesquisadores, o macho encontrado em Lehringen tinha cerca de 30 anos e poderia fornecer aproximadamente 3.500 kg de carne, gordura e órgãos, alimento suficiente para sustentar um grupo por semanas, caso o abate e o processamento fossem realizados de maneira rápida e organizada.

O estudo detalhou também o desmembramento do animal, revelando cortes sistemáticos na cavidade torácica para acessar órgãos internos. Esse padrão é difícil de explicar como acidente ou efeito de processos naturais, confirmando que os neandertais possuíam conhecimento anatômico e técnicas de açougue avançadas para extrair recursos de alto valor do animal.

Costela de um elefante-de-presas-retas com marcas de cortes causados por neandertais. O painel detalha as incisões microscópicas e a marca de um carnívoro, indicando a localização original do osso no esqueleto deste animal pré-histórico extinto. Crédito: Verheijen, I., et al. (2026). Scientific Reports. Adaptado de NLD (A), foto de Volker Minkus (B) e Thieme & Veil (1985) (C).

O sítio de Lehringen guardou registros de um lago cheio de vida, com cerca de 2 mil ossos de 16 espécies diferentes, incluindo peixes, aves e tartarugas. Evidências indicam que os neandertais também caçavam auroques, animais grandes e perigosos, e utilizavam ossos de ursos e castores não apenas para carne, mas também para medula e peles, mostrando exploração completa dos recursos disponíveis.

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Neandertais eram caçadores inteligentes e organizados

Esses vestígios mostram que os neandertais eram caçadores inteligentes e organizados. Planejavam suas estratégias, utilizavam ferramentas de madeira com coordenação e conheciam profundamente os animais e o ambiente. A lança encontrada agora confirma que eles praticavam caça planejada, aproveitando os recursos da paisagem de forma eficiente.

Lehringen não revela apenas a história de um elefante gigante, mas também abre uma janela para a vida dos neandertais há 125 mil anos. O local mostra como esses humanos enfrentavam desafios enormes, realizavam caçadas sofisticadas e aproveitavam ao máximo os recursos naturais, combinando inteligência, cooperação e adaptação em um mundo perigoso e exigente.

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