A Apple barrou aplicativos de apostas (bets) na sua loja de aplicativos (App Store) no Brasil. Mas plataformas ilegais conseguem furar os filtros de segurança para oferecer jogos como o “tigrinho” em iPhones e iPads.
O jornal Folha de S. Paulo encontrou aplicativos de apostas disponíveis para download na App Store que não tinham autorização do Ministério da Fazenda para funcionar no país.
Bets usam aplicativos de fachada e redirecionamento para enganar App Store da Apple
A Apple justifica o veto a bets por questões reputacionais, buscando evitar associação com problemas de vício e endividamento gerados por esse tipo de jogo.
No entanto, empresas não autorizadas têm conseguido burlar o controle da loja de aplicativos por meio de disfarces digitais. Isso gerou reclamações de concorrência desleal por parte das bets legalizadas, que já acionaram a empresa extrajudicialmente.
O principal método para enganar a Apple consiste em registrar o software com uma finalidade falsa, como ferramentas de inteligência artificial (IA) para cuidar de plantas, conversores de medidas para astrônomos ou reflexões sobre vestuário.
Há registros até de programas disfarçados de jogos infantis. Eles alegam desenvolver a coordenação motora de crianças de forma lúdica, mas servem de porta de entrada para cassinos.
Após a aprovação inicial nos controles da loja, os criminosos alteram o funcionamento do aplicativo para redirecionar o usuário a sites de apostas.
Um caso emblemático envolveu o aplicativo MegaArena – Sports Events, que se apresentava como monitor de jogos em tempo real na categoria “esportes”.
Na prática, segundo a Folha, o usuário acessava a interface da 1 Win, bet gerenciada por uma offshore sediada no Chipre, paraíso fiscal do setor.
Dentro dessa plataforma, são oferecidos desde cassinos virtuais com roleta e caça-níquel até jogos de apostas esportivas e o próprio “tigrinho”.
Ainda de acordo com o jornal, a operação dessas plataformas ignora proteções básicas exigidas pela lei brasileira. Isso porque não há comprovação de maioridade para criação de contas e o acesso é facilitado por depósitos mínimos de R$ 20 via Pix ou criptomoedas.
O Ministério da Fazenda esclareceu à Folha que, embora a Apple não seja obrigada a hospedar bets regularizadas, ela deve bloquear e excluir qualquer oferta em desacordo com a legislação brasileira.
Ao ser questionada pela reportagem do jornal, a Apple removeu os aplicativos denunciados da App Store.
Desde 2025, apenas bets que pagaram a outorga de R$ 30 milhões e seguem regras de saúde financeira e combate ao vício podem atuar legalmente no país.
O Ministério da Fazenda reforçou que intermediárias podem ser punidas e que a lei prevê a responsabilização de agentes que contribuam para a oferta irregular.
O post Apple proíbe bets na App Store, mas empresas usam truque para contornar barreira apareceu primeiro em Olhar Digital.





