A histórica missão Artemis 2, que leva quatro astronautas ao redor da Lua pela primeira vez em mais de 50 anos, enfrenta um contratempo técnico persistente: o banheiro da cápsula Orion (ou, em termos técnicos, o sistema de gerenciamento de resíduos).
Embora a NASA confirme que o aparelho continua operacional, a dificuldade em expelir a urina armazenada para o vácuo do espaço forçou a agência a investigar novas causas.
Vamos recapitular:
Dia 2 (02/04): durante a madrugada, a tripulação precisou consertar o banheiro com a ajuda do centro de comando em Houston, no Texas (EUA).
Dia 3 (03/04): a astronauta Christina Koch revelou em vídeo como consertou o sistema de gerenciamento de resíduos. À noite, a tripulação começou a sentir um cheiro de queimado vindo do compartimento.
Dia 4 (04/04): os engenheiros do centro de controle trabalhavam com a hipótese de que o gelo estivesse bloqueando os bocais de ventilação externos da nave. Os astronautas assumiram o controle manual da Orion para apontar a saída de ventilação diretamente para o Sol, tentando derreter o gelo com o calor solar e aquecedores internos. Mas a manobra térmica funcionou apenas parcialmente.
Suspeita de reação química e filtros obstruídos
Agora, segundo o Space.com, a equipe técnica trabalha com uma nova teoria focada na química interna do sistema. Segundo Rick Henfling, diretor de voo da Artemis 2, o problema pode estar nos aditivos usados no tratamento de efluentes.
A teoria: os produtos químicos utilizados para evitar a proliferação de bactérias (biofilmes) no tanque de águas residuais podem ter gerado uma reação inesperada.
O impacto: essa reação teria criado detritos sólidos que agora obstruem os filtros do sistema de ventilação, reduzindo drasticamente o fluxo de saída da urina.
“O desafio que estamos enfrentando é o esvaziamento do tanque”, acrescentou Henfling. “A ventilação é muito menor do que esperávamos, então estamos tendo que recorrer a outros meios alternativos, além do vaso sanitário”, concluiu em coletiva realizada nesta terça-feira (7).
Diagnóstico definitivo só após o pouso na sexta-feira
Apesar de relatos da tripulação sobre um odor estranho vindo do sistema, a NASA reforça que a situação não oferece risco à segurança dos astronautas. O diagnóstico final, no entanto, depende da análise física dos componentes, que só ocorrerá após o retorno da nave.
Lori Glaze, da diretoria de Exploração da NASA, explicou que a equipe precisa “chegar à raiz do problema” para garantir que as futuras missões de pouso lunar não sofram com o mesmo defeito. A cápsula Orion – ocupada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen – tem pouso previsto para a noite desta sexta-feira, 10 de abril, no Oceano Pacífico.
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