O uso das canetas emagrecedoras deixou de ser um assunto restrito a consultórios médicos e passou a fazer parte do cotidiano de muitos brasileiros. Segundo uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva, 62% da população afirma conhecer alguém que já usou ou ainda utiliza esses medicamentos. Além disso, em 1 a cada 3 lares, há pelo menos um morador que recorreu ao recurso.
Os dados mostram um crescimento acelerado: no fim do ano passado, apenas 26% dos domicílios relatavam uso. Ou seja, em poucos meses, houve um salto significativo. Esse avanço acende um alerta importante — principalmente por causa do aumento do uso irregular de medicamentos e da compra sem orientação profissional.
Canetas emagrecedoras: crescimento rápido preocupa especialistas
De acordo com o levantamento, realizado entre 3 e 9 de fevereiro com 1.004 pessoas em todo o país, o fenômeno das canetas emagrecedoras segue em expansão. Inclusive, apenas 6% dos entrevistados disseram nunca ter ouvido falar do tema, o que reforça a popularização.
Por outro lado, o dado mais preocupante envolve o uso irregular de medicamentos. Cerca de 4 em cada 10 usuários afirmaram que compraram as canetas sem receita médica — prática que vai contra as regras da Anvisa. Muitos relataram adquirir os produtos pela internet, no exterior ou até em locais inadequados, como salões de beleza.
Segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, esse movimento cresce junto com a queda de preços e também com o mercado paralelo. “Estamos no meio desse processo”, afirma. Dessa forma, o acesso mais fácil contribui tanto para a disseminação quanto para os riscos associados.
Disseminação e impacto no comportamento do consumidor
Além da expansão, a pesquisa mostra que 24% dos brasileiros já usaram as canetas emagrecedoras — sendo 11% atualmente e 13% no passado. Entre esses usuários, 78% recomendariam o uso, enquanto 9 em cada 10 têm interesse em retomar o tratamento.
Ao mesmo tempo, o estudo indica que o acesso deve aumentar ainda mais. Cerca de 76% acreditam que os medicamentos estão mais acessíveis, especialmente com o fim da patente da semaglutida, presente em remédios conhecidos. Assim, a tendência é de crescimento contínuo.
No entanto, esse avanço também impacta o bolso. Segundo Meirelles, o gasto com as canetas começa a competir com outras despesas. Ou seja, o consumidor passa a reorganizar seu orçamento, o que pode afetar diferentes setores da economia.
Canetas emagrecedoras: 4 em cada 10 usuários compram o medicamento sem receita – Crédito: FreePik
Riscos do uso sem orientação médica
Embora os resultados apontem alta adesão, especialistas reforçam que o uso irregular de medicamentos pode trazer riscos sérios à saúde. A Anvisa exige prescrição médica justamente para garantir segurança e acompanhamento adequado.
Portanto, antes de iniciar qualquer tratamento com canetas emagrecedoras, é fundamental buscar orientação profissional. Além disso, evitar compras em canais não autorizados reduz o risco de produtos falsificados ou inadequados.
Entenda o risco escondido na perda de peso
Medicamentos como a tirzepatida e a semaglutida atuam diretamente no controle da fome e no ritmo da digestão. O problema é que, quando o corpo passa a receber poucas calorias e menos nutrientes, ele precisa buscar energia em algum lugar – e o músculo pode acabar virando essa fonte.
“Quando a redução de peso acontece de forma muito intensa e sem um consumo adequado de proteínas diárias e estímulo muscular, o organismo pode usar não só gordura, mas músculo como fonte de energia”, diz Fernanda Parra, endocrinologista com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia.
Essa perda não acontece de um dia para o outro. É um processo silencioso, que muitas vezes passa despercebido no início, mas que pode trazer consequências importantes ao longo do tempo.
Sarcopenia
Perder músculo não significa apenas ficar com o corpo menos firme. A massa muscular está ligada à força, ao metabolismo, à imunidade e até à autonomia para as atividades do dia a dia. “A sarcopenia não é um evento agudo, mas um processo silencioso”, diz Fernanda.
Alguns grupos merecem atenção especial. Os idosos têm um risco maior, já que apresentam perda muscular relacionada à idade. Mulheres também entram nesse radar, especialmente na transição menopausal e na menopausa. Pessoas sedentárias ou que iniciam o tratamento com pouca massa muscular completam o grupo mais vulnerável.
Canetas emagrecedoras funcionam para eliminar a gordura do fígado? Patrícia Almeida, hepatologista, explica nesse vídeo!
Resumo: O uso das canetas emagrecedoras cresce rapidamente no Brasil e já alcança milhões de pessoas. Apesar da popularização, o aumento da compra sem receita médica preocupa especialistas. O acesso facilitado impulsiona o consumo, mas exige atenção redobrada à segurança e à orientação profissional.
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