Na noite desta sexta-feira (10), chegou ao fim a missão Artemis 2, após uma jornada bem-sucedida e inesquecível ao redor da Lua. A espaçonave Orion, com quatro astronautas a bordo, pousou com sucesso às 21h07, conforme previsto pela NASA.
Foram 9 dias, 1 hora, 32 minutos e 15 segundos de uma coreografia espacial precisa, permitindo à Artemis 2 concluir com sucesso a primeira missão tripulada à Lua em mais de meio século. Em uma viagem inesquecível ao redor do satélite, os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion tiveram visões únicas do chamado “lado oculto”.
Lançamento da missão Artemis 2 à Lua em 1º de abril de 2026 – Imagem: NASA/Bill Ingalls
Depois de uma reentrada desafiadora na atmosfera, que enfrentou temperaturas de quase 2.760°C a uma velocidade de 39.693 km/h, a espaçonave pousou com auxílio de paraquedas no oceano Pacífico, na costa da Califórnia, às 21h07 (pelo horário de Brasília), conforme previsto pela NASA.
Com transmissão ao vivo pelo Olhar Digital, o momento entrou para a história da exploração espacial humana, coroando uma jornada de feitos inéditos:
Primeira missão tripulada do século XXI a sobrevoar a Lua: nenhuma missão humana desde a Apollo 17 em 1972 chegou tão longe;
Diversidade: além de ter a primeira mulher e o primeiro homem negro a ultrapassar a órbita baixa da Terra, a tripulação forma a primeira equipe internacional a sobrevoar a Lua – todos os astronautas das missões Apollo eram dos EUA;
Distância recorde: a cápsula Orion orbitou a Lua e retornou à Terra, alcançando cerca de 407 mil km do planeta, o que supera o recorde da Apollo 13 (400.171 km) e a torna a missão humana a ir mais longe no espaço.
Vamos relembrar os principais acontecimentos da Artemis 2, a primeira missão tripulada a sobrevoar a Lua na nova corrida espacial – que pavimenta o caminho para o retorno da humanidade à superfície lunar com a Artemis 4, planejada para 2028.
NASA lança missão à Lua no dia da mentira
Conforme noticiado pelo Olhar Digital, uma pesquisa Datafolha revelou que um em cada três brasileiros não acredita que o homem já tenha pisado na Lua. Diante desse cenário, pareceu uma “afronta” da NASA realizar o lançamento da Artemis 2 em pleno 1º de abril, data conhecida em muitos países do mundo como o “Dia da Mentira”.
No entanto, essa foi simplesmente a primeira data disponível na janela de lançamento de abril, já que as janelas anteriores, em fevereiro e março, não puderam ser aproveitadas devido a atrasos no cronograma da missão. Saiba mais sobre as “janelas de lançamento” aqui.
Com transmissão ao vivo do Olhar Digital, o superfoguete Space Launch System (SLS), de 98 metros de altura, com a cápsula Orion no topo, decolou da plataforma LC-39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 19h35 (horário de Brasília), marcando o início do tão esperado primeiro voo tripulado do novo programa da NASA voltado à exploração lunar e ao espaço profundo.
Imagem espetacular do lançamento da missão Artemis 2 à Lua em 1º de abril de 2026 – Imagem: Joel Kowsky/NASA
A bordo da espaçonave estavam os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA). Saiba mais sobre eles aqui.
Astronautas tiveram problemas logo no início da jornada
A menos de duas horas da abertura da janela de lançamento da missão, todos os sistemas do SLS e da cápsula Orion pareciam funcionar perfeitamente, mas a NASA detectou um problema no sistema de terminação de voo (FTS) do foguete. Apesar da anomalia, o lançamento não foi comprometido, e a missão seguiu rumo à órbita da Terra.
Já na madrugada de quinta-feira (2), um novo desafio surgiu: um problema técnico no banheiro da nave. Uma luz de alerta no painel indicou a falha no controlador do vaso sanitário, exigindo intervenção direta dos astronautas com orientação do centro de comando em Houston, no Texas (EUA).
Embora a tripulação tenha conseguido contornar a situação, a questão persistiu. Na noite de sexta-feira (3), o quarteto relatou um cheiro de queimado vindo do compartimento. Segundo a NASA, o motivo era um bloqueio de gelo em parte do equipamento.
Para resolver a obstrução, a agência adotou uma manobra inusitada no sábado (4), quarto dia de missão: os astronautas assumiram o controle manual da Orion para apontar a saída de ventilação diretamente para o Sol, tentando derreter o gelo com o calor solar e aquecedores internos. Se isso resolveu? Descubra aqui.
Ao mesmo tempo, a tripulação teve outro transtorno bem diferente e menos incômodo: um problema de tecnologia. No segundo dia da missão, o Outlook, famoso software de e-mails da Microsoft, parou de funcionar. Sem a possibilidade de uma assistência técnica “em domicílio” a mais de 70 mil km da Terra, os astronautas tiveram que lidar com a falha sozinhos, seguindo instruções do centro de comando em solo, como se fossem os próprios “técnicos de TI” no espaço.
Registro em alta resolução da nave Orion capturado por uma câmera instalada em seus painéis solares durante inspeção de rotina no segundo dia da missão Artemis 2; a imagem foi transmitida à Terra via laser pelo novo sistema de comunicação óptica da NASA – Crédito: NASA / Divulgação
Treinamento de massagem cardíaca com ausência de peso
Depois da adrenalina do lançamento e do “empurrão” final que colocou a nave Orion na rota direta para a Lua, o ritmo a bordo da Artemis 2 mudou. Enquanto os primeiros dois dias foram dominados por manobras críticas, o terceiro trouxe atividades mais curiosas e práticas.
Um dos exercícios foi a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) em gravidade zero. Diferentemente da Terra, onde o peso do corpo ajuda a pressionar o peito, no espaço qualquer empurrão faz você flutuar. Por isso, é preciso aprender posições e técnicas específicas para manter a eficácia do procedimento.
Além da prática de RCP, a tripulação testou os equipamentos médicos da nave, como termômetros, estetoscópios e suportes para instrumentos, garantindo que tudo estivesse funcionando perfeitamente em caso de necessidade.
Esses treinos preparam os astronautas para lidar com emergências médicas em voo, mantendo a segurança da tripulação e da missão em todas as fases da viagem.
Imagem da Terra feita pela Artemis 2 mostra o Brasil
Na manhã do terceiro dia de missão, a NASA divulgou as primeiras imagens da Terra obtidas pela Artemis 2 durante a viagem rumo à Lua. Uma das fotos foi registrada pelo comandante Reid Wiseman, a partir da janela da cápsula Orion, logo após uma manobra essencial da trajetória.
Chamada de queima de injeção translunar (TLI), essa manobra acelerou os motores da espaçonave para colocá-la em rota da Terra até a Lua, ajustando velocidade e trajetória para garantir que a cápsula chegasse ao satélite com segurança.
A imagem obtida por Wiseman mostra o planeta parcialmente iluminado, com detalhes raros. É possível observar auroras em dois pontos distintos e a chamada luz zodiacal, fenômeno causado pela reflexão da luz solar em partículas espaciais. A captura foi feita enquanto a Terra encobria o Sol.
Nosso planeta visto pelos astronautas da missão Artemis 2 em direção à Lua – Crédito: NASA/Reid Wiseman
A foto traz um detalhe que talvez tenha passado despercebido: o Brasil! Entre os motivos pelos quais o país não está muito visível, dá para apontar ao menos três: 1) o planeta aparece “de cabeça para baixo” na foto; 2) a maioria da América do Sul está coberta por nuvens; e 3) o continente está bem perto da “margem” da Terra. Não entendeu nada? Clique aqui, que o Olhar Digital explica.
Outro registro em alta resolução foi publicado pela NASA nas redes sociais. A imagem mostra a Terra como um crescente azulado através da janela metálica da cápsula Orion. O interior da nave, mergulhado em sombras, revela texturas técnicas como painéis acolchoados claros, fiação exposta e parafusos estruturais.
NASA desistiu de duas manobras de ajuste de órbita
No planejamento da NASA, constavam três execuções de uma manobra crítica chamada correção de trajetória orbital (OTC, na sigla em inglês). A primeira delas, que seria na sexta-feira (3), foi cancelada. O mesmo aconteceu com a segunda, conforme relatado na atualização da NASA do quinto dia da missão, no domingo (5), quando a tripulação testou os trajes espaciais laranja pela primeira vez no espaço.
Oficialmente denominado Traje Avançado de Escape da Tripulação (ACES), esse uniforme foi usado no lançamento e na reentrada da nave, e também poderia ter sido útil em situações de emergência. Essa vestimenta garantiria oxigênio e proteção à tripulação por até seis dias, caso a cápsula Orion perdesse pressão no espaço.
Após a avaliação dos trajes espaciais, concluída à 0h03 de segunda-feira (6), a tripulação iniciou aquela que seria a terceira (mas foi a única) OTC – manobra para ajustar a rota da espaçonave rumo à Lua que durou 17,5 segundos.
Dia do sobrevoo histórico na Lua foi marcado por emoção
Logo nos primeiros minutos do sexto dia da missão Artemis 2, a Orion entrou na chamada “esfera de influência” da Lua. Nesse ponto, a gravidade lunar supera a da Terra, passando a dominar a trajetória da espaçonave.
Depois disso, os astronautas descansaram para se preparar para uma agenda intensa na segunda-feira (6). Nesse dia, a Orion realizou um sobrevoo histórico, passando pelo lado oculto da Lua. A tripulação a bordo teve visões inéditas do satélite, observando regiões que nenhum ser humano jamais havia contemplado de perto.
Emoção dos astronautas da Artemis 2 ao superar o recorde de distância da Terra – Imagem: NASA
Mesmo antes desse feito inesquecível, o dia já foi de fortes emoções, com os astronautas sendo despertados por uma mensagem gravada do veterano da NASA Jim Lovell, falecido em 2025. Participante das icônicas missões Apollo 8, que contornou a Lua pela primeira vez, e Apollo 13, que até então havia alcançado a maior distância da Terra já percorrida por humanos, ele deixou palavras especiais para a tripulação da Artemis 2. Confira a mensagem aqui.
E isso foi apenas o começo. Pouco antes das 15h, mais precisamente às 14h56. a missão superou o recorde de cerca de 400 mil km de distância da Terra atingido em 1970 pela Apollo 13. Em torno de 10 minutos mais tarde, os astronautas iniciaram oficialmente suas observações lunares, o que se estendeu ao longo de aproximadamente sete horas.
“Da cabine da Integrity [nome dado à cápsula Orion pela tripulação], aqui, enquanto ultrapassamos a maior distância já percorrida por humanos a partir do planeta Terra, fazemos isso honrando os esforços e feitos extraordinários de nossos antecessores na exploração espacial humana”, disse Wiseman. “Continuaremos nossa jornada ainda mais longe no espaço antes que a Mãe Terra consiga nos trazer de volta a tudo o que nos é caro, mas, acima de tudo, escolhemos este momento para desafiar esta geração e a próxima a garantir que este recorde não dure muito tempo.”
Hansen informou aos controladores da missão que a tripulação da Artemis 2 gostaria de nomear oficialmente duas crateras na Lua. Uma delas deve receber o nome de Integrity, em referência à cápsula Orion da missão, localizada entre a bacia Orientale e a cratera de impacto Ohm. A outra, de Carroll, em homenagem à falecida esposa do comandante Wiseman.
History in the making
In this new image from our @NASAArtemis II crew, you can see Orientale basin on the right edge of the lunar disk. This mission marks the first time the entire basin has been seen with human eyes. pic.twitter.com/iqjod6gqgz
— NASA (@NASA) April 5, 2026
“Existe uma formação em um ponto muito especial da Lua, na fronteira entre o lado visível e o lado oculto. Ela fica exatamente no lado visível, e em certos momentos poderemos avistá-la da Terra”, disse, com a voz embargada. Os astronautas foram vistos enxugando as lágrimas, e, ao final da mensagem, os quatro se abraçaram enquanto o Centro de Controle confirmava por rádio a nomeação das crateras, na presença das filhas e familiares de Wiseman.
Pontos importantes foram atingidos com a Orion “em silêncio”
Quando a Orion passou atrás da Lua, bloqueando temporariamente os sinais de rádio com a Terra, a comunicação foi interrompida por cerca de 40 minutos, como já era previsto pela NASA. Um pouco antes da perda do contato, os astronautas presenciaram o Earthset (o “pôr da Terra”). A imagem desse momento de “despedida” do planeta foi publicada pela NASA nas redes sociais no dia seguinte, entrando para a galeria de registros mais icônicos da exploração espacial humana.
Durante esse período sem comunicação, a espaçonave chegou à sua maior aproximação da Lua, a cerca de 6.546 km de altitude. Pouco depois, os astronautas atingiram o ponto mais distante da Terra em toda a missão: 406.771 km, a maior distância já percorrida por seres humanos.
Ao concluir a passagem pelo lado oculto da Lua, a tripulação pôde ver o Earthrise (o “nascer da Terra”), com o planeta ressurgindo no horizonte lunar – lembrando a cena da emblemática foto feita pela Apollo 8 há quase sete décadas. Nesse momento, a comunicação com o controle da missão foi restabelecida.
EARTHSET.
April 6, 2026.
Humanity, from the other side. First photo from the far side of the Moon. Captured from Orion as Earth dips beyond the lunar horizon. Photo: NASA pic.twitter.com/ZEBTQA85TY
— The White House (@WhiteHouse) April 7, 2026
Artemis 2 viu eclipse solar exclusivo
Para encerrar o dia mais importante da missão, sem contar o lançamento e o retorno à Terra, os astronautas da Artemis 2 tiveram a oportunidade de observar um eclipse solar total de uma perspectiva inédita. Eles foram as únicas pessoas a testemunhar o fenômeno.
O eclipse não foi visível da Terra porque a posição do Sol, da Lua e do planeta não permitia. Do ponto de vista da Orion, a Lua cobriu totalmente o Sol, oferecendo à tripulação um espetáculo único e exclusivo.
O fenômeno começou por volta das 21h35. A Lua parecia enorme e bloqueava completamente o disco solar. Assim, os astronautas puderam observar a coroa solar, camada externa do Sol que normalmente não é visível por causa do brilho intenso da estrela.
Foto de eclipse solar total tirada durante a Artemis 2 – Imagem: NASA
Com duração de cerca de 53 minutos, o evento foi muito mais longo do que os eclipses totais vistos da Terra, que costumam levar menos de sete minutos. A equipe foi instruída a descrever detalhes da coroa solar, como formas, cores e variações de brilho. Essas observações vão ajudar cientistas a estudar melhor os processos do Sol.
Tripulação testemunhou impactos de meteoritos na Lua
Durante o sobrevoo lunar, a tripulação documentou crateras de impacto, antigos fluxos de lava e fraturas na superfície que ajudarão os cientistas a estudar a evolução geológica da Lua. Eles monitoraram diferenças de cor, brilho e textura em todo o terreno, além de terem observado flashes de impacto de meteoroides na superfície lunar escura durante o eclipse, segundo a NASA.
Os clarões foram breves, mas intensos, e só puderam ser observados graças à proximidade da cápsula Orion com a superfície. Esses eventos representam, até onde se sabe publicamente, a primeira vez que humanos viram diretamente impactos de meteoroides na Lua.
Hansen relatou ter observado dois desses impactos, enquanto Wiseman viu outros dois durante o período de escuridão total. O comandante descreveu a reação da equipe como “um pouco de euforia”, destacando a surpresa e o entusiasmo ao registrar fenômenos que nenhum humano havia testemunhado antes.
Em solo, os cientistas reagiram com excitação semelhante. A geóloga e cientista planetária Kelsey Young chamou os avistamentos de “notícias incríveis” e afirmou que a equipe do Centro de Controle da Missão estava “literalmente pulando de alegria” ao confirmar que os astronautas haviam documentado o fenômeno inédito.
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Pegando o rumo de casa
Após momentos tão emocionantes, que ficarão para sempre na memória dos quatro astronautas da Artemis 2, chegou a hora de pegar o rumo de casa. A cápsula Orion saiu da zona de influência lunar na terça-feira (7), às 14h23. Naquele instante, a nave deixou de ser puxada principalmente pela gravidade da Lua, começando oficialmente o trajeto de volta à Terra, que passou a exercer a maior influência sobre sua trajetória.
Mais tarde, às 22h03, a equipe realizou a primeira de três manobras de correção de trajetória. Esses ajustes são necessários para garantir que a cápsula entre na atmosfera terrestre no ângulo correto, permitindo um retorno seguro.
Hello, Earth. pic.twitter.com/AIlRD9P3ed
— NASA Artemis (@NASAArtemis) April 10, 2026
A manobra foi feita com o acionamento de um dos motores por cerca de 15 segundos, usando os propulsores de controle da Orion e aumentando ligeiramente sua velocidade. Um comportamento inesperado no software foi identificado, mas a NASA informou que a nave permaneceu estável.
Como foi o pouso da Artemis 2
A sequência de retorno começou às 14h50, quando os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), iniciaram a preparação da cabine da Orion para a reentrada. Dentro da cápsula, sistemas foram ajustados e parâmetros essenciais da nave foram checados com atenção máxima. Às 15h53, uma manobra de correção acionou os motores por oito segundos e refinou a trajetória de retorno, produzindo uma mudança de velocidade de 1,28 metros por segundo e colocando a Orion no corredor ideal em direção à atmosfera terrestre.
Orion’s crew and service module have separated. The crew module continues on its path towards Earth while the service module will harmlessly burn up in Earth’s atmosphere over the Pacific Ocean. The Artemis II return trajectory is designed to ensure any remaining debris does not… pic.twitter.com/k3v1CsFjuZ
— NASA Artemis (@NASAArtemis) April 10, 2026
Cerca de cinco minutos depois da separação entre o módulo de serviço, desenvolvido pela Agência Espacial Europeia (ESA), e o módulo de tripulação, que ocorreu às 20h33, a cápsula com os astronautas começou a sentir o atrito intenso da atmosfera, entrando na fase mais crítica da descida, enquanto o módulo de serviço se desintegrará inofensivamente na atmosfera terrestre sobre o Oceano Pacífico.
Poucos minutos mais tarde, às 20h37, a Orion atingiu a interface de entrada, quando o calor e a velocidade chegaram ao limite.
A cápsula Orion entrou na atmosfera terrestre a cerca de 122 mil metros de altitude, viajando a mais de 30 vezes a velocidade do som e a cerca de 3.150 quilômetros do ponto previsto de amerissagem. Nesse momento, ela inicia o contato com as camadas mais altas da atmosfera e começa sua descida controlada em direção ao oceano.
Aproximadamente um minuto e 20 segundos após o início da reentrada, ocorre o pico de aquecimento, quando a cápsula atinge até 2.760 graus Celsius em condições extremas registradas.Logo depois, houve um período programado de interrupção das comunicações, que durou cerca de seis minutos, causado pelo acúmulo de plasma ao redor da cápsula devido ao intenso aquecimento durante a reentrada.
Durante o retorno da Lua, o sistema de proteção térmica do módulo de tripulação da Orion precisou suportar temperaturas escaldantes para manter os tripulantes em segurança. Imagem meramente ilustrativa – Crédito: NASA
Durante a descida, a espaçonave foi envolvida por uma intensa camada de plasma incandescente, que interrompeu temporariamente as comunicações com a Terra – um silêncio previsto, mas sempre crítico para as equipes em solo. A aproximadamente oito quilômetros de altitude, ainda em alta velocidade, três pequenos paraquedas de estabilização foram acionados, seguidos por dois paraquedas de frenagem que reduziram gradualmente a velocidade da cápsula.
Já próximo ao mar, a cerca de três quilômetros do oceano, três paraquedas pilotos abriram os três paraquedas principais, cada um com 35 metros de diâmetro. A Orion desceu suspensa a cerca de 81 metros abaixo desse conjunto, desacelerando para menos de 32 km/h até tocar suavemente as águas do Pacífico.
Logo em seguida, Wiseman informou que todos os quatro tripulantes estavam em boas condições. “Estamos estáveis”, disse ele.
Duas horas antes, as equipes a bordo do porta-aviões USS John P. Murtha, da Marinha dos Estados Unidos, já estavam posicionadas e prontas para a operação de resgate. Helicópteros foram mobilizados para retirar os astronautas logo após o pouso, em um procedimento amplamente treinado em 12 simulações com módulo de teste e já validado na missão Artemis 1.
O comandante da missão Artemis 2 e astronauta da NASA, Reid Wiseman, sendo içado por um helicóptero militar para ser transportado para o porta-aviões USS John P. Murtha – Crédito: NASA
Por volta das 22h, as equipes de resgate se aproximaram da cápsula Orion e abriram a escotilha para iniciar a verificação do estado da tripulação. Cerca de 40 pessoas atuaram em barcos ao redor da nave, enquanto uma plataforma inflável foi instalada para estabilização. Em seguida, helicópteros foram acionados para transportar os astronautas de volta ao navio de recuperação.
“Bem-vinda, Integrity!”
A missão foi oficialmente concluída às 22h34, com a retirada de todos os astronautas da cápsula. Em seguida, helicópteros foram acionados para transportá-los ao navio de recuperação. No navio, um sino tocou e um anúncio foi feito: “Integrity chegando”! A tripulação deixou os helicópteros caminhando, demonstrando tranquilidade e o sucesso completo da operação.
Os quatro astronautas da Artemis 2 foram recebidos com entusiasmo a bordo do USS John P. Murtha, enquanto seguiam para exames médicos. O chefe da NASA, Jared Isaacman, cumprimentou cada membro da tripulação com abraços e felicitações após o retorno bem-sucedido da missão.
.@NASAArtemis II astronauts successfully splashed down in the Pacific Ocean yesterday evening. Check out more images of the recovery operations
👉https://t.co/be0Ddkbd3u@NASA | @INDOPACOM | @1stAF | @USNavy pic.twitter.com/XEfPbz5J6L
— U.S. Space Command (@US_SpaceCom) April 11, 2026
“Bem-vinda, Integrity!”, anunciou um representante da agência. Jeremy Hansen foi o primeiro a descer do helicóptero, sorrindo ao seguir para a enfermaria. Christina Koch acenou com animação. Victor Glover, capitão da Marinha, usava um chapéu de marinheiro e prestou continência no convés. Reid Wiseman também acenou e fez sinal de positivo ao caminhar para os exames médicos.
Com o sucesso da Artemis 2, a NASA confirma a segurança da cápsula Orion para missões tripuladas à Lua. O foco agora se volta para a Artemis 3, prevista para 2027, que realizará testes cruciais de acoplagem com a Starship da SpaceX na órbita da Terra, e para a Artemis 4, que marcará o primeiro pouso lunar, esperado para 2028.
Missão não consegue superar recorde de velocidade de reentrada
De acordo com as previsões da NASA, a reentrada da cápsula Orion permitiria à missão Artemis 2 ser concluída com mais um recorde: o de veículo espacial tripulado a atravessar mais rápido a atmosfera na volta à Terra.
Era esperado que a força da gravidade acelerasse a cápsula para cerca de 40 mil km/h – velocidade suficiente para viajar do Brasil ao Japão em menos de meia hora. Com isso, a Artemis 2 iria superar o feito da Apollo 10, que atingiu 39.897 km/h durante sua reentrada, estabelecendo um novo marco histórico para viagens espaciais humanas.
No entanto, na noite de quarta-feira (8), a agência comunicou que a cápsula Orion entraria na atmosfera terrestre com uma velocidade máxima estimada de 38.367 km/h. Na verdade, a marca atingida foi de 39.693 km/h – que, mesmo assim, não estabeleceu um novo recorde.
O escudo térmico da Orion foi projetado para suportar temperaturas de milhares de graus. Na missão anterior, surgiram pequenas rachaduras durante a reentrada. Por segurança, para a Artemis 2 foi adotado uma abordagem diferente, reduzindo o tempo de exposição às altas temperaturas.
The Artemis II astronauts were all smiles on the flight deck of USS John P. Murtha after they were extracted from their Orion spacecraft after splashdown. pic.twitter.com/zajuR27pJJ
— NASA Artemis (@NASAArtemis) April 11, 2026
Kenna Pell, porta-voz da NASA e especialista em comunicações da missão Orion, explicou anteriormente ao site Space.com que a alteração limitaria a distância percorrida entre a entrada na atmosfera e o pouso. Assim, o escudo térmico sofreria menos estresse, aumentando a segurança da tripulação.
O planejamento da reentrada foi fundamental para o sucesso da missão. Pequenas alterações de trajetória e velocidade poderiam reduzir riscos e proteger a cápsula, e cada ajuste foi calculado para evitar sobrecarga no escudo térmico.
Mesmo sem bater o recorde histórico da Apollo 10, a Artemis 2 consolidou avanços essenciais para a nova era da exploração humana. Cada dado coletado e cada decisão de segurança reforçam um objetivo maior: levar astronautas de volta à Lua com confiança e abrir caminho rumo a Marte.
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