Amazon compra Globalstar e acirra disputa com Musk pelo espaço

Jeff Bezos resolveu colocar mais lenha na fogueira da corrida espacial. A Amazon anunciou nesta terça-feira (14) a compra da operadora de satélites Globalstar por US$ 11,57 bilhões, um movimento claro para tentar reduzir a distância que a separa da Starlink, de Elon Musk.

A notícia, que já circulava nos bastidores há semanas, fez as ações da Globalstar dispararem mais de 9% no pré-mercado. Em 2025, os papéis da empresa já haviam quase dobrado de valor, e neste ano acumulavam alta de 12% antes da confirmação do negócio.

Frota em crescimento

A Amazon opera hoje pouco mais de 200 satélites em órbita baixa. A meta é ambiciosa: lançar cerca de 3.200 até 2029. O prazo regulatório, porém, é mais apertado: metade dessa frota precisa estar no ar até julho deste ano. O serviço de internet via satélite da empresa, batizado de Amazon Leo (antes Project Kuiper), tem lançamento previsto para 2026.

Do outro lado, a Starlink opera mais de 10 mil satélites e já conquistou mais de 9 milhões de assinantes mundo afora. A diferença é gigante, mas Bezos, que também conta com a Blue Origin, sua própria empresa espacial, tenta reduzir.

Um foguete SpaceX Falcon 9 lança um satélite de comunicações para a empresa Globalstar em 19 de junho de 2022. (Crédito da imagem: SpaceX) – SpaceX

Compra vai além da constelação de satélites

Com sede na Louisiana, a Globalstar não é uma desconhecida. Ela fornece a tecnologia que permite o recurso “SOS de Emergência” nos iPhones da Apple. Sua frota atual é pequena — cerca de duas dezenas de satélites — mas a empresa anunciou no fim do ano passado um plano para expandi-la para 54 unidades, com o apoio da própria Apple.

Carga de satlites Kuiper da Amazon. Crédito: Divulgação / Amazon

Além do segmento de consumo, a Globalstar atende clientes empresariais e governamentais com serviços de voz, dados e rastreamento de ativos. Para a Amazon, que tem na AWS um de seus negócios mais lucrativos e uma logística gigantesca, integrar essa capacidade ao seu ecossistema pode fazer sentido estratégico — mesmo que o preço da entrada seja bilionário.

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