Quando um bebê chega à família, a carteira de vacinação vira um item de destaque. As datas das doses entram na agenda, os pais se organizam para ir ao posto de saúde e cada aplicação representa mais proteção para a criança. Com o passar do tempo, porém, essa atenção costuma diminuir.
Mas a vacinação não termina na infância! Algumas doses precisam de reforço ao longo da vida, enquanto outras passam a ser recomendadas conforme a idade, o estilo de vida e as condições de saúde mudam. Ou seja: manter a imunização em dia é um cuidado que acompanha todas as fases da vida.
Dados preliminares de 2025 do painel da Rede Nacional de Dados em Saúde, do Ministério da Saúde, indicam que o Brasil continua enfrentando desafios significativos na cobertura vacinal, com a maioria dos imunizantes do calendário nacional abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Um cuidado que acompanha toda a vida
“A proteção oferecida por algumas doses pode diminuir com o tempo e novos imunizantes passam a ser recomendados conforme mudamos de idade, estilo de vida ou condição de saúde”, explica Fábio Argenta, sócio-fundador e diretor médico da Saúde Livre Vacinas.
Além da proteção individual, a vacinação tem um papel coletivo importante. Ao reduzir a circulação de vírus e bactérias, os imunizantes ajudam a proteger também quem está ao redor, contribuindo para a chamada imunidade de rebanho.
Manter o calendário vacinal atualizado ao longo da vida também reduz o risco de complicações e internações, prevenindo desde infecções respiratórias até doenças associadas a vírus, como alguns tipos de câncer relacionados ao HPV.
Vacinas não são só coisa de criança: o que muda ao longo da vida – Crédito: FreePik
As vacinas indicadas em cada fase da vida
Recém-nascidos
BCG — protege contra formas graves de tuberculose
Hepatite B — protege contra o vírus que ataca o fígado
2 a 7 meses
Pentavalente — protege contra difteria, tétano, coqueluche, meningite e hepatite B
Poliomielite (VIP) — previne a paralisia infantil
Rotavírus — previne gastroenterite grave (duas ou três doses)
Pneumocócica 10 — protege contra pneumonia e meningite
Meningocócica C — proteção contra meningite bacteriana (3 e 5 meses)
Influenza — vacina contra gripe
9 a 12 meses
Febre amarela
Tríplice viral — protege contra sarampo, caxumba e rubéola
Reforços da pneumocócica e meningocócica C
1 a 4 anos
Tetra viral — proteção contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela
Hepatite A
Reforços contra difteria, tétano, coqueluche e poliomielite (15 meses e 4 anos)
Varicela
Reforço contra febre amarela aos 4 anos em áreas endêmicas
A partir dos 9 anos
HPV quadrivalente — protege contra tipos do vírus associados a verrugas genitais e diferentes tipos de câncer.
Dengue — no SUS, indicada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em regiões com vacinação disponível.
O que muda no calendário na vida adulta?
Com o passar dos anos, algumas doses precisam de reforço para manter a proteção, enquanto outras passam a ser recomendadas.
Influenza — recomendada anualmente
Hepatite A e B — proteção contra infecções que afetam o fígado
Febre amarela — reforço conforme histórico vacinal
dT ou dTpa — reforço contra difteria, tétano e coqueluche a cada 10 anos
HPV — indicado para homens e mulheres até 45 anos
Vacina contra dengue — disponível na rede privada para pessoas de 4 a 60 anos, de acordo com a recomendação em algumas regiões.
Na melhor idade
Com o envelhecimento, o sistema imunológico tende a ficar mais vulnerável. Por isso, algumas vacinas passam a ganhar importância a partir dos 50 anos, como a contra herpes-zóster, que previne o chamado ‘cobreiro’, e as pneumocócicas (Pneumo 15 ou Pneumo 20), que ajudam a proteger contra infecções como pneumonia e meningite.
Vale lembrar que alguns imunizantes recomendados por sociedades médicas ainda não fazem parte do SUS, como as vacinas contra herpes-zóster, as pneumocócicas 15 e 20-valentes e a HPV nonavalente. Essas opções seguem disponíveis apenas na rede privada, principalmente devido ao alto custo.
A vacina contra herpes-zóster pode chegar a custar R$ 950 por dose, enquanto as pneumocócicas ficam em torno de R$ 350 a R$ 590 por dose. Já o pacote com duas doses da vacina contra HPV custa em torno de R$ 2 mil.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1514, de 27 de março de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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