O mercado de tecnologia no Brasil enfrenta um cenário de forte escassez de profissionais qualificados. De acordo com a pesquisa “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, realizada pela Ford em parceria com o Datafolha, 98% das empresas brasileiras relatam dificuldade para contratar talentos na área, o que impacta diretamente o ritmo de crescimento e inovação no setor.
O levantamento ouviu 250 líderes de Recursos Humanos e Tecnologia da Informação de médias e grandes empresas em todo o país. Os entrevistados são responsáveis por processos de contratação em diferentes regiões e atuam em segmentos variados, como tecnologia, varejo, serviços, educação, finanças e saúde.
Segundo Pamela Paiffer, diretora de Comunicação e Responsabilidade Social da Ford América do Sul, os dados evidenciam um descompasso entre a evolução tecnológica e a formação profissional. “Os dados revelados por este estudo inédito com o Datafolha reforçam que o descompasso entre a velocidade da inovação e a disponibilidade de profissionais qualificados é um dos grandes desafios do mercado hoje. Na Ford, acreditamos que enfrentar esse cenário exige democratizar o acesso ao conhecimento tecnológico conectado às demandas do mercado”, afirma.
Diante desse contexto, a empresa criou o programa Ford <Enter>, iniciativa social de capacitação em tecnologia que já formou mais de mil alunos desde 2022.
De acordo com Pamela, o objetivo é aproximar talentos em situação de vulnerabilidade das demandas do mercado. “O programa foi desenhado para servir como uma ponte, capacitando talentos em situação de vulnerabilidade com as habilidades que as empresas buscam. O propósito dessa pesquisa é justamente identificar as lacunas de competências que o mercado apresenta e aprimorar o conteúdo do curso para acompanhar essa evolução”, completa.
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Percalços encontrados por recrutadores de tecnologia
A pesquisa aponta que a principal dificuldade enfrentada pelas empresas é a falta de conhecimento técnico, citada por 72% dos entrevistados;
Em seguida, aparece a ausência de experiência profissional, mencionada por 54%, indicando desafios na formação e no desenvolvimento de novos talentos;
Esse cenário também se reflete no tempo necessário para preencher vagas. Apenas 14% das empresas conseguem contratar em menos de um mês. Metade das organizações leva entre um e dois meses para concluir o processo seletivo, enquanto 25% demoram de dois a três meses e 11% ultrapassam quatro meses de busca. O LinkedIn aparece como a principal ferramenta de recrutamento, sendo utilizado por 60% das empresas;
Entre as posições mais difíceis de preencher, destacam-se especialistas em IA, citados por 35% das empresas, e engenheiros de software, mencionados por 31%. As áreas com maior escassez de conhecimento incluem Segurança da Informação (30%) e IA e Machine Learning (29%).
Apesar da alta demanda por competências técnicas, a pesquisa indica que esse fator, isoladamente, não garante a contratação. Cerca de 37% das empresas afirmam rejeitar frequentemente ou sempre candidatos tecnicamente qualificados por falta de habilidades comportamentais.
Inteligência emocional (36%) e pensamento crítico e capacidade de resolver problemas (33%) são apontados como os atributos mais difíceis de encontrar. Outro fator relevante é o domínio do idioma inglês. Segundo o estudo, 78% das empresas desclassificam candidatos que não possuem fluência na língua.
Para Fernanda Ramos, diretora de Recursos Humanos da Ford América do Sul, o mercado exige uma formação mais ampla. “A pesquisa mostra que precisamos ir além da qualificação técnica. A demanda por habilidades, como inteligência emocional e pensamento crítico, é imensa e continuará crescendo. Com o Ford <Enter>, focamos em uma formação abrangente que prepara o indivíduo não apenas para a atuação técnica, mas para os desafios de um mercado em constante evolução”, diz.
O estudo também analisou as preferências da Geração Z no mercado de trabalho. Entre os principais fatores considerados na escolha de um emprego estão salário (53%), flexibilidade na jornada (49%) e equilíbrio entre vida pessoal e profissional (39%).
Ao mesmo tempo, a diversidade segue como um desafio para as empresas. Cerca de 93% das organizações afirmam ter dificuldade em encontrar candidatos de grupos sub-representados, o que reforça a importância de iniciativas de qualificação voltadas a públicos em situação de vulnerabilidade.
Em relação ao futuro do setor, a IA surge como principal vetor de transformação para os próximos dois anos, sendo citada por 46% das empresas. A necessidade de qualificação profissional aparece em seguida, com 29%, enquanto as inovações tecnológicas somam 17%.
A pesquisa também projeta que as habilidades comportamentais tendem a se tornar ainda mais escassas. Para 50% das empresas, as chamadas “soft skills” serão as mais difíceis de encontrar no futuro, superando as habilidades técnicas, mencionadas por 44%.
Segundo Djalma Brighenti, diretor de Tecnologia da Informação da Ford América do Sul, a evolução tecnológica exige preparo estrutural e humano.
“A pesquisa mostra que a inteligência artificial já está mudando o mercado, mas, para que ela entregue valor real, é preciso ter dados organizados, contexto e profissionais preparados para transformar informação em decisão. Quando vemos que IA, Machine Learning e Segurança da Informação estão entre as áreas mais difíceis de contratar, fica claro que o desafio das empresas é duplo: investir em tecnologia e, ao mesmo tempo, desenvolver talentos e fortalecer sua base de dados”, afirma.
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