A Nike anunciou nesta quinta-feira (24) uma rodada de demissões que deve atingir cerca de 1.400 funcionários – pouco menos de 2% da força de trabalho global da empresa. O movimento faz parte do esforço da companhia para reorganizar sua operação e enfrentar um período prolongado de queda nas vendas.
De acordo com um comunicado interno enviado pelo diretor de operações, Venkatesh Alagirisamy, os cortes atingem principalmente a área de tecnologia nas regiões da América do Norte, Ásia e Europa.
A decisão foi apresentada como uma tentativa de tornar os processos mais eficientes e integrar melhor diferentes áreas da empresa.
Essa não é a primeira demissão em massa da Nike. Em janeiro, a companhia já havia cortado 775 postos de trabalho em uma estratégia voltada à automação e redução de custos. A nova rodada reforça o movimento de ajuste diante de um cenário competitivo desafiador – especialmente diante do crescimento de concorrentes como On, Hoka e Nata.
A Nike também acumula queda de ações superior a 50% nos últimos anos. Segundo a Reuters, depois do anúncio da demissão, os papéis tiveram alta de 0,5%.
Reorganização da Nike diante da queda nas vendas
Desde que assumiu o comando em 2024, o CEO Elliott Hill tem defendido uma reorientação da marca para esportes tradicionais, como corrida e futebol, além de acelerar o lançamento de novos produtos.
Até agora, os resultados ainda são limitados. A estratégia de lançamentos frequentes não tem gerado o impacto esperado. A exceção é o modelo Vomero 18, que alcançou US$ 100 milhões em vendas em apenas três meses.
Enquanto isso, a empresa segue pressionada por margens mais apertadas, resultado de descontos agressivos para reduzir estoques antigos.
A expectativa para o trimestre atual também não é positiva: a Nike projeta uma queda de 2% a 4% nas vendas, com desempenho particularmente fraco na China, onde a retração pode chegar a 20%.
Para analistas consultados pela Reuters, os cortes indicam que os desafios são mais profundos do que o previsto inicialmente. “A Nike já deveria estar mais avançada em sua recuperação”, afirmou David Swartz, da Morningstar. Segundo ele, a empresa pode estar com uma estrutura inchada após tentativas anteriores de resolver problemas com o aumento de contratações, especialmente em tecnologia.
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A nova reestruturação já era esperada pelo mercado.
Além das demissões, a reorganização também inclui a centralização de operações tecnológicas em dois principais polos: a sede em Beaverton, nos Estados Unidos, e um centro tecnológico na Índia.
A Nike não divulgou qual a redução de custos gerada pelas demissões.
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