Até 2001, viagens ao espaço eram atividades restritas a astronautas profissionais ligados a agências governamentais. Essa realidade mudou em 28 de abril de 2001, quando o engenheiro e investidor estadunidense Dennis Tito se tornou o primeiro turista espacial da história, sendo lançado rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo da nave russa Soyuz TM-32, após pagar cerca de 20 milhões de dólares pela experiência.
Originalmente, Tito havia planejado visitar a estação russa Mir, por meio de um acordo com a empresa MirCorp. O projeto foi cancelado com a desativação da plataforma, em março de 2001. Persistente, ele buscou uma alternativa e encontrou na empresa Space Adventures a intermediação para viabilizar o voo.
A presença de um civil em órbita gerou resistência, especialmente por parte da NASA. Ainda assim, a Rússia aceitou a proposta – e o pagamento milionário. Tito embarcou ao lado dos cosmonautas Talgat Musabayev e Yuri Baturin, integrando a missão Soyuz TM-32. Já na ISS, ele se juntou à tripulação da Expedição 2 e permaneceu cerca de uma semana no laboratório orbital.
O empresário americano Dennis Tito, o primeiro turista espacial orbital do mundo, visto treinando para seu voo histórico de 2001 para a Estação Espacial Internacional – Crédito: Space Adventures
Uso comercial do espaço por humano custou vidas
A viagem terminou sem incidentes e marcou o início de um novo nicho: o uso comercial do espaço. Até então, missões tripuladas estavam ligadas a objetivos científicos, tecnológicos e políticos.
Esse avanço só foi possível após décadas de desenvolvimento. Antes de levar pessoas ao espaço, foi preciso entender como organismos vivos reagiriam fora da Terra. Por isso, ainda nas décadas de 1940 e 1950, animais foram lançados em voos experimentais.
Em 1949, o macaco Albert II foi lançado em um voo suborbital pelos EUA e chegou a ultrapassar a linha que marca o início do espaço. No retorno, porém, a cápsula sofreu uma falha no paraquedas e ele morreu no impacto com o solo. Anos depois, em 1957, a União Soviética colocou em órbita a cadela Laika, a bordo da nave Sputnik 2. Sem tecnologia de reentrada, a missão já era considerada sem volta, e o animal morreu poucas horas após o lançamento, devido ao superaquecimento.
Dennis Tito e sua esposa Akiko Tito posando em frente a protótipos da Starship, a SpaceX – Crédito: Reprodução Redes Sociais
O primeiro voo com retorno bem-sucedido de seres vivos ocorreu em 1960, com as cadelas Belka e Strelka. No ano seguinte, em 1961, Yuri Gagarin realizou o primeiro voo humano da história, a bordo da Vostok 1.
Entre esse marco e a viagem de Tito, passaram-se cerca de 40 anos – um intervalo que revela a transição do espaço como arena de guerra para balcão de negócios. partir dali, sem deixar de ser um ambiente científico e técnico, o espaço também passou a admitir, ainda que de forma pontual, a presença de quem pode pagar pela aventura.
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Como ser um turista espacial
Para se tornar um turista espacial, não basta simplesmente “pagar e embarcar”. Empresas como Blue Origin, Virgin Galactic e SpaceX, que oferecem esse tipo de serviço, operam com listas de espera e cronogramas limitados. Após a reserva – que exige depósito inicial – o passageiro entra numa fila que pode levar meses ou anos, dependendo da demanda e da frequência de voos.
Os critérios vão além do dinheiro. É preciso passar por avaliações médicas que verificam saúde cardiovascular, pressão arterial, histórico neurológico e capacidade de suportar acelerações (forças G). Pessoas com problemas cardíacos graves, cirurgias recentes ou certas condições podem ser barradas. Também há limites práticos de altura e peso, definidos pelo tamanho das cápsulas.
Além disso, o passageiro participa de treinamentos obrigatórios que duram de alguns dias a semanas, incluindo simulações de voo, procedimentos de emergência e adaptação à microgravidade. Dominar o inglês é altamente recomendado, já que a maior parte das instruções técnicas, comunicação com a equipe e interfaces dos sistemas é feita nesse idioma.
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