4º dia de Musk vs OpenAI: proibição de “apocalipse” e o rastro dos US$ 38 milhões

Acompanhe a cobertura completa do caso Elon Musk vs OpenAI

O embate histórico entre Elon Musk e a OpenAI encerrou uma de suas fases mais críticas nesta quinta-feira (30). Após três dias ocupando o banco das testemunhas, Musk desceu sob um clima de hostilidade aberta com a defesa da OpenAI e da Microsoft. O dia ainda contou com o depoimento de Jared Birchall, o homem que operacionaliza a fortuna de Musk, revelando os detalhes minuciosos das doações que deram origem à organização.

1. O veto da juíza: proibido falar em “fim do mundo”

A estratégia de Musk de se apresentar como o “salvador da ética” sofreu um revés jurídico logo cedo. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers proibiu qualquer menção ao potencial da IA de causar a extinção humana ou catástrofes globais.

“Não vamos deixar que isso exploda para o mundo ver”, afirmou a magistrada, sugerindo que o tribunal não é lugar para roteiros de ficção científica.

Para a juíza, o caso deve se ater estritamente a questões contratuais e financeiras, esvaziando o discurso de “risco existencial” que Musk usa para justificar o processo.

2. O xeque-mate técnico: admissão de “destilação”

William Savitt, advogado da OpenAI, conseguiu arrancar uma confissão técnica importante. Questionado se sua nova empresa, a xAI, havia utilizado tecnologia da OpenAI para treinar o chatbot Grok (prática conhecida como “destilação”), Musk tentou se esquivar, mas acabou admitindo: “Em parte”.

Além disso, a credibilidade de Musk foi testada em dois pontos:

Algoritmo do X: Musk negou ter manipulado o algoritmo da rede social para se autopromover ou prejudicar a OpenAI, apesar de evidências de 2023 apontarem o contrário.

Open Source: Savitt apresentou e-mails nos quais o próprio Musk concordava que, conforme a IA avançasse, faria sentido parar de compartilhar o código abertamente por segurança.

3. A polêmica da AGI na Tesla

Musk voltou a negar que a Tesla busque a AGI (Inteligência Artificial Geral), o que gerou burburinho no tribunal. A fala contradiz suas próprias postagens no X, em que afirma que a montadora será líder nessa tecnologia. O cofundador da OpenAI, Greg Brockman, foi visto municiando seus advogados com notas em papel amarelo assim que a declaração foi feita, sinalizando que a “mentira” será explorada.

4. O encerramento de Musk

O depoimento terminou em clima de “bate-boca”. Savitt resgatou um e-mail de 2017 sugerindo que Musk planejava ter 55% de participação na OpenAI caso ela se tornasse lucrativa sob seu comando. Musk reagiu com irritação, alegando que nem estava em cópia na mensagem, antes de a juíza intervir e encerrar sua participação no banco das testemunhas.

5. Jared Birchall: “Show me the money”

Logo após Musk, foi a vez de seu braço direito, Jared Birchall (CEO da Neuralink e diretor da Excession LLC), prestar depoimento. Com um tom objetivo e respostas curtas, ele detalhou a engenharia financeira por trás das doações de Musk:

O montante: foram cerca de 60 contribuições entre 2016 e 2020, totalizando US$ 38 milhões.

Controle dos recursos: a OpenAI questionou Birchall sobre o uso de “fundos de doadores” (DAFs). O objetivo era provar que, uma vez doado o dinheiro, Musk não tinha direito legal de ditar como ele seria usado – o que enfraquece a tese de “roubo de doação” defendida pelo bilionário.

A proposta bilionária: Birchall confirmou que Musk liderou uma proposta para adquirir a OpenAI em 2017, alegando que a intenção era “evitar a desvalorização dos ativos”.

6. Microsoft: o argumento do “timming”

A Microsoft, representada por Russell Cohen, foi cirúrgica. Em um interrogatório breve, Cohen destacou que Musk sabia da parceria íntima entre a gigante e a OpenAI desde 2020. A pergunta que ficou para o júri foi: Por que ele esperou quatro anos, e o sucesso estrondoso do ChatGPT, para considerar a parceria “antiética”?

O post 4º dia de Musk vs OpenAI: proibição de “apocalipse” e o rastro dos US$ 38 milhões apareceu primeiro em Olhar Digital.