Neste domingo (3), a partir das 21h47, até 2h03 da manhã de segunda-feira (4), pelo horário de Brasília, a Lua vai passar na frente de Antares (Alpha Scorpii), uma estrela supergigante de classe M com cerca de 883 vezes o raio do Sol localizada a 600 anos-luz da Terra.
No Brasil, o “eclipse” de Antares (fenômeno que na verdade é chamado de ocultação lunar) poderá ser acompanhado por observadores localizados em toda a Região Sul, além de abranger grande parte de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e o extremo sul de Minas Gerais, enquanto as demais áreas do território nacional ficarão fora da faixa de visibilidade.
Imagem da superfície da estrela supergigante vermelha Antares, a melhor do tipo já feita de outra estrela além do Sol – Crédito: ESO/K. Ohnaka
Sobre a supergigante Antares:
Antares é uma estrela supergigante vermelha de classe M, que fica no coração da constelação de Escorpião;
É a 16ª estrela mais brilhante do céu noturno (embora às vezes seja considerada a 15ª, se os dois componentes mais brilhantes do sistema estelar quádruplo Capella forem contados como uma estrela);
Junto com Aldebaran, Spica, e Regulus, Antares é uma das quatro estrelas mais brilhantes próximas da eclíptica;
Tem entre 15 e 18 massas solares e cerca de 883 vezes o raio do Sol;
Esse tamanho todo, combinado a uma massa relativamente baixa, dá a Antares uma densidade muito pequena;
Se Antares fosse colocada no centro do Sistema Solar, a parte mais externa da estrela se encontraria entre a órbita de Marte e Júpiter.
É uma estrela de variabilidade lenta, com uma magnitude aparente de +1,09.
Antares significa ‘o antagonista de Áries’, que é o deus da guerra na mitologia grega, sendo o deus Marte, para os romanos. Então, o nome Antares é uma referência ao brilho avermelhado da estrela que antagoniza com o brilho de Marte.
Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital.
Ocultação lunar de Antares – Crédito: ESO (Antares). Edição: Olhar Digital
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Ocultação lunar de Antares
De acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org, para observadores localizados em Porto Alegre (RS), por exemplo, a ocultação de Antares começará com o desaparecimento da estrela atrás da Lua às 22h14 na direção leste do céu a uma altitude de 39,3 graus. Seu reaparecimento será às 23h09, a uma altitude de 51,1 graus.
Ocultações lunares só são visíveis de uma pequena fração da superfície da Terra. Como a Lua está muito mais perto do nosso planeta do que outros objetos celestes, sua posição no céu difere dependendo da localização exata do observador na Terra devido à sua grande paralaxe (diferença na posição aparente de um objeto em relação a um plano de fundo, tal como visto por observadores em locais distintos ou por um observador em movimento).
A posição da Lua vista de dois pontos em lados opostos da Terra pode variar em até dois graus, ou quatro vezes o diâmetro da lua cheia.
Isso significa que se a Lua estiver alinhada para passar na frente de um objeto específico para um observador posicionado em um lado da Terra, ela aparecerá até dois graus de distância desse objeto do outro lado do globo.
Mapa mostra as regiões do planeta de onde será possível observar a ocultação lunar de Antares no domingo (3) – Crédito: In-The-Sky.org
No mapa acima, contornos distintos mostram onde o desaparecimento de Antares poderá ser visível (em vermelho) e onde será possível testemunhar seu reaparecimento (em azul). Os riscos sólidos exibem onde a ocultação provavelmente será visível através de binóculos a uma altitude razoável no céu. Os contornos pontilhados, por sua vez, indicam onde o evento ocorre acima do horizonte, mas pode não ser visível devido ao céu estar muito claro ou a Lua muito perto do horizonte.
Fora dos contornos, a Lua não passa na frente de Antares em nenhum momento, ou está abaixo do horizonte no momento da ocultação.
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