A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, prepara-se para aquela que pode ser a maior oferta pública inicial (IPO) da história. Após 24 anos como companhia privada, a empresa vai permitir que o público geral compre suas ações.
Com a meta de captar mais de US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 248 bilhões) já em junho de 2026, a movimentação tem acelerado um mercado paralelo no qual diversos perfis de investidores já garantiram sua participação antes mesmo da estreia oficial da empresa na Bolsa de Valores.
Esse acesso antecipado é viabilizado pelos Veículos de Propósito Especial (SPVs), estruturas legais criadas para que grupos de investidores possam reunir capital para um único investimento em ações de empresas fechadas.
O CEO da plataforma Hiive, Sim Desai, disse ao jornal The New York Times que a demanda pelos papéis da SpaceX tem sido descrita como “virtualmente insaciável”.
Entre celebridades e riscos geopolíticos: os bastidores do mercado privado da SpaceX
A lista de quem já investe na SpaceX é diversa e vai muito além dos grandes bancos. Ela inclui desde o rapper 2 Chainz e o ex-conselheiro da Casa Branca Anthony Scaramucci até pequenos investidores mobilizados por influenciadores digitais.
Um exemplo marcante é o do podcast de finanças Rich Habits, que organizou a entrada de mais de 150 seguidores no negócio por meio dessas estruturas de investimento coletivo.
Esse fenômeno reflete uma mudança profunda no capitalismo moderno: o crescimento das grandes empresas de tecnologia está ocorrendo cada vez mais no mercado privado antes de chegar ao grande público.
Atualmente, existem pelo menos 170 entidades registradas com o nome da SpaceX na SEC (o órgão que regula o mercado nos EUA). Essa tendência serve de termômetro para o que pode acontecer com gigantes da inteligência artificial (IA), como OpenAI e Anthropic, que também planejam abrir seu capital.
Para o investidor comum, porém, o caminho dentro das SPVs é complexo e pode ser caro. Essas estruturas costumam funcionar em “camadas”, nas quais um fundo investe em outro, acumulando taxas que podem chegar a 2% ao ano de administração, além de 20% sobre o lucro final.
Recentemente, houve ofertas do Fearless Fund buscando investidores para uma fatia da SpaceX baseada numa valorização de US$ 800 bilhões (R$ 4 trilhões), exigindo aportes mínimos de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões).
Essa rede intrincada de donos também acende alertas de segurança nacional em Washington. O governo dos EUA teme que investidores chineses aproveitem essas camadas de SPVs para acessar informações estratégicas da SpaceX, uma das principais contratadas do Departamento de Defesa.
Um embate judicial já ocorreu quando o investidor Iqbaljit Kahlon barrou o grupo chinês Leo Group, justamente para proteger a relação da empresa com o governo americano.
Por fim, a falta de transparência desse “mercado de sombras” abre margem para crimes graves e golpes financeiros. Casos como o da Vika Ventures, que desviou US$ 6 milhões (R$ 30 milhões) de clientes prometendo ações que nunca entregou, servem de aviso contra o entusiasmo exagerado.
Como resumiu Matt Grimm, cofundador da empresa de defesa Anduril, muitos podem acreditar que estão comprando um pedaço da conquista espacial enquanto, na verdade, estão apenas financiando o luxo de golpistas.
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