Aquecer o copo nas mãos, sentir o aroma e só então provar… Antes de visitar o Olivas de Gramado, eu não fazia ideia de que existia um “jeito certo” de degustar azeite – e menos ainda que essa experiência pudesse fazer parte de um roteiro em Gramado. Inaugurado em 2018, o parque cresceu rápido no conceito dos visitantes, tornando-se especialmente popular no fim da tarde.
Cercado por Mata Atlântica e com vista para os vales, o espaço combina natureza e estrutura turística em uma fórmula que tem atraído cada vez mais visitantes. Mas há também um elemento menos óbvio nesse interesse: o protagonismo do azeite, ainda pouco associado ao Brasil.
Para chegar ao parque, é preciso ir além do centro de Gramado e seguir em direção à sua área rural que, apesar de muito bonita, pouco aparece nos roteiros. A cerca de 14 km do burburinho central, o trajeto já funciona como parte da experiência: a estrada atravessa áreas de natureza preservada, passa por construções antigas e vai desacelerando o ritmo, em contraste com o vai e vem turístico da cidade.
Mais de 12 mil oliveiras dividem espaço com trilhas, experiências gastronômicas e atividades que vão da contemplação à aventura: o Olivas de Gramado é tão grande e reúne tantos atrativos que definir um ponto de partida não é tarefa fácil.
A azeiteria do Olivas de Gramado reúne loja, degustação e restobarCecília Carrilho/Arquivo pessoal
Para entrar, é preciso pagar ingresso (R$ 119 inteira), com meia-entrada para estudantes, idosos e moradores – crianças até 11 anos não pagam. Dentro desse valor, dá para aproveitar boa parte das atrações.
Imersão 360°
Logo na chegada à azeiteria, participei da Imersão 360, incluída no ingresso. Em uma sala escura, projeções ocupam as paredes e apresentam a história do azeite de oliva. A narrativa começa na mitologia grega, em um formato de animação que explica a disputa entre Atena e Poseidon pelo direito de nomear a cidade que viria a ser Atenas.
Enquanto Poseidon cria uma fonte de água com seu tridente, Atena oferece algo mais simbólico: a primeira oliveira. A partir daí, a projeção abandona a animação e segue para uma abordagem mais histórica, conectando o azeite à sua expansão pelo mundo até chegar ao Brasil e, por fim, a Gramado. Pode não ser a atração mais dinâmica e divertida do parque, mas funciona bem como introdução ao tema.
A imersão acontece de maneira simples, podendo ser assistida sentada no chãoCecília Carrilho/Arquivo pessoal
Degustação Sensorial
Depois, segui para a degustação sensorial (paga à parte, R$ 10). Confesso que fui sem saber muito o que esperar, e até achando a proposta um pouco inusitada. A experiência acontece em mesas compridas, onde me sentei junto ao grupo e me deparei com uma tábua de pequenas porções de azeites e acompanhamentos como queijo, tomate e chocolate.
A tábua montada me aguardavaCecília Carrilho/Arquivo pessoal
A sommelier explicou de maneira bem clara as diferenças entre os azeites, para então começarmos a degustação. Fomos orientados a aquecer o copo com movimentos circulares na palma da mão, sentir o aroma (que lembra grama fresca) e só então levar à boca, derramando sobre a língua e puxando o ar antes de ingerir. Apesar da explicação didática, no começo fiquei meio perdida – parecia complexo demais para algo que, até então, eu só usava na salada.
As difusões aromáticas que seriam degustadas estavam dispostas na salaCecília Carrilho/Arquivo pessoal
Ao longo da degustação, meu entendimento foi melhorando: provei seis azeites da linha de infusões aromáticas do Olivas. Entre eles, gostei especialmente dos sabores de alho e canela. O mais interessante foi testar as combinações, como o chocolate com o azeite de nibs de cacau (bem coerente com Gramado).
Tour Rural
Depois, embarquei no Tour Rural (pago à parte; R$ 19), feito em um trenzinho que percorre a propriedade. O trajeto é acompanhado por um guia que intercala curiosidades sobre o parque com explicações sobre a história da região, fazendo perguntas aos passageiros.
Separado em dois vagões, é um passeio tranquilo que funciona bem para todas as faixas etárias, inclusive para idosos que preferem poupar as pernas de caminhadas mais longas. Em alguns momentos, o guia parece dar mais atenção para um vagão do que para o outro, mas não é algo que compromete a experiência.
O trem é dividido em dois vagõesCecília Carrilho/Arquivo pessoal
Em certo momento, o trem para no Bosque Encantado, um dos pontos mais bonitos do Olivas. De frente para os paredões do Cânion Pedra Branca, o espaço tem uma vista aberta e bem impactante, dessas que naturalmente viram ponto de foto. Ali, o guia assume também o papel de fotógrafo improvisado, conduzindo poses e ajudando quem quer registrar o momento.
Após apreciar e fotografar a vista, voltamos ao trenzinho que nos deixou na frente da azeiteria.
A vista do Cânion de Pedra Branca é belíssimaCecília Carrilho/Arquivo pessoal
Outras atrações
Na volta, ainda deu tempo de explorar outras áreas incluídas no ingresso, como a fazendinha – com pôneis, cabras, coelhos e patos – e a curiosa casa do Hobbit, que chama atenção principalmente de quem viaja com crianças.
O parque também conta com trilhas autoguiadas com vários níveis de dificuldade, além de mirantes espalhados pela propriedade, que permitem observar a paisagem com mais calma, especialmente em dias de tempo aberto.
Para os mais aventureiros, um dos atrativos pagos à parte é pedalar em uma bicicleta suspensa por cabos a 22 metros de altura. Há também aluguel de bikes e scooters elétricas, que ajudam a percorrer distâncias maiores dentro do parque.
A azeiteria concentra a parte mais estruturada do passeio: além da degustação, reúne uma loja com azeites – incluindo versões aromatizadas – e cosméticos, sendo recomendada para aquele visitante que quer levar um mimo para a casa. É também um dos poucos espaços fechados, o que acaba sendo útil em dias de calor ou de clima instável.
As opções da lojinha são diversasCecília Carrilho/Arquivo pessoal
Olivas Sunset
No fim do dia, o movimento começa a se concentrar em um só ponto. O Olivas Sunset, incluído no ingresso, é hoje uma das atrações mais procuradas do parque, e dá para entender o porquê.
A estrutura é pensada justamente para o pôr do sol, com mesas espalhadas voltadas para o vale e um ambiente que começa a encher conforme o sol vai baixando. Ali, acompanhei o entardecer enquanto um DJ tocava música eletrônica.
A paisagem faz jus à fama, com o céu mudando de cor atrás dos cânions. Entre conversas altas e a trilha sonora animada, o atrativo se aproxima mais de um happy hour ao ar livre do que de um fim de tarde silencioso. Apesar da permanência no espaço estar inclusa no ingresso, é difícil não pedir um drink ou petisco para acompanhar a vista.
Serviço
Onde? Rua Vereador José Alexandre Benetti, 1808 – Linha Nova.
Quando? Todos os dias, das 10h30 às 18h.
Quanto? Inteira por R$ 119, com atrações pagas à parte no local.
Leia o guia completo de Gramado
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