Um gigantesco edifício projetado para ser uma igreja mas que se converteu em um mausoléu para os heróis nacionais. Essa é a história do Panteão de Paris, um monumento cujas obras “sobreviveram” até mesmo à Revolução Francesa para se tornar um dos espaços mais emblemáticos da capital do país.
Contando 235 anos de história, o Panthéon vai além de ser um espaço para eternizar franceses notáveis: também é o local onde um dos experimentos mais famosos da astronomia, o Pêndulo de Foucault, ajudou a popularizar o conhecimento sobre como a rotação do nosso planeta pode ser “medida” com instrumentos relativamente simples.
Conheça mais o que existe por ali e como visitar o local.
História do Panthéon
O Panthéon foi encomendado em 1758 pelo então rei Luís XV, e deveria ter um uso bem diferente do atual: a ideia era que servisse como um templo dedicado à Santa Genoveva, padroeira de Paris.
As obras demoraram tanto tempo para serem concluídas, porém, que quando o prédio foi entregue o país já tinha mudado radicalmente: o ano era 1791, Luís XV morrera há mais de uma década e seu filho e sucessor, Luís XVI, tinha acabado de ser derrubado pela Revolução Francesa – e seria seria executado na guilhotina dois anos mais tarde.
Inspirados no que já acontecia com o Panteão de Roma, os revolucionários decidiram dar um uso diferente ao prédio, convertendo-o em um grande mausoléu para figuras notáveis do país. No começo, os escolhidos estavam vinculados ao próprio movimento que derrubou a realeza. Ao longo do século 19, idas e vindas na política francesa fizeram o Panthéon mudar algumas vezes de função (ele chegou a ser usado como igreja), e os restos mortais de algumas das primeiras figuras enterradas por ali foram removidos. Em alguns casos, têm seu paradeiro desconhecido até hoje.
Foi só em 1881 que o prédio foi definitivamente dedicado a honrar figuras ilustres da história francesa. Nessa nova fase, que segue até hoje, o sepultamento inaugural viria quatro anos mais tarde, com o escritor Victor Hugo – autor de clássicos como O Corcunda de Notre Dame e Os Miseráveis.
Tumba do escritor Victor Hugo, sepultado no Panthéon em 1885: seus restos mortais foram os primeiros da “nova fase” do prédio como mausoléu de notáveisDiego Delso/Wikimedia Commons
Quem está no “panteão” francês?
Desde o enterro de Victor Hugo, o Panthéon já honrou diferentes nomes notáveis da literatura, da política e de outras frentes da vida pública francesa. Estão ali filósofos da Revolução como Voltaire e Jean-Jacques Rousseau, escritores como Émile Zola e Alexandre Dumas, ganhadores do Nobel como René Cassin, Marie Curie e Pierre Curie, e figuras notáveis de áreas diversas que vão do líder da resistência ao nazismo, Jean Moulin, ao professor Louis Braille, inventor do sistema homônimo que permite a leitura por deficientes visuais, entre outros. A inclusão precisa ser aprovada pelo Parlamento.
Alguns dos primeiros sepultados por ali, porém, perderam-se para sempre. É o caso dos restos mortais de Honoré Gabriel Riqueti, o conde de Mirabeau: “inaugurador” do panteão francês, ele foi enterrado no local em 1791, em homenagem às suas contribuições para a Revolução. Apenas três anos mais tarde, porém, o governo decidiu cancelar as honrarias a Mirabeau, após descobrir cartas que ele escrevera ao rei em uma última tentativa de preservar a monarquia. Os restos mortais foram removidos e enterrados anonimamente em outra parte de Paris, sem que se saiba seu paradeiro até hoje.
O Panthéon também é notável por algumas ausências, mais conhecidas por suas contribuições no mundo militar, que ganharam seu mausoléu em outro ponto famoso de Paris: o Hôtel des Invalides, onde está enterrado Napoleão Bonaparte.
O Pêndulo de Foucault
Não se resumindo a uma necrópole de notáveis, o Panthéon também é casa de um experimento científico considerado chave na história da astronomia: foi ali que, em 1851, o físico francês Léon Foucault instalou seu “pêndulo” para demonstrar o movimento de rotação da Terra.
No modelo, um peso de 28 kg foi pendurado no vão sob a abóbada do edifício, na ponta de uma corda de 67 metros de comprimento. Graças ao movimento do planeta, o pêndulo se mexe “sozinho”, como se vê no vídeo abaixo:
The Ethereal sound of Foucault’s pendulum in the Panthéon, Paris France. @oryn_capreo pantheon france #foucault travel
♬ original sound – credible.toastie – credible.toastie
O Pêndulo de Foucault virou um experimento famoso e copiado em diversos museus de ciência ao redor do mundo, mas o modelo original não permaneceu no Panthéon: o que é encontrado lá na verdade é uma réplica instalada em 1995, mais de um século depois do primeiro pêndulo ser removido do local. A versão do século 19 podia ser visitada no Musée des Arts et Métiers, também em Paris, mas em 2010 o cabo se rompeu e o peso do pêndulo foi destruído – hoje, também lá só é possível ver uma réplica.
Curiosamente, apesar de ser responsável por uma das atrações mais procuradas do Panthéon, o próprio León Foucault não está enterrado entre os heróis nacionais. O físico falecido em 1869 foi sepultado no Cemitério de Montmartre, mas seu nome aparece em outro lugar especial: ele é um dos 72 notáveis da ciência, engenharia e matemática cujos sobrenomes aparecem inscritos nas laterais da Torre Eiffel.
Como visitar
O Panthéon abre diariamente, com exceção de 1º de janeiro, 1º de maio e 25 de dezembro, com preços e horários variando de acordo com a época do ano.
Entre abril e setembro, a visitação vai das 10h às 18h30, com os ingressos custando 16 euros (às quartas-feiras, há um valor promocional a 13 euros). Já entre outubro e março, a visita é das 10h às 18h e o bilhete sai por 13 euros. O último horário de entrada é 45 minutos antes do fechamento.
Ingressos podem ser comprados antecipadamente no site oficial.
Inscreva-se aqui
para receber a nossa newsletter
Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossas newsletters em breve!
Clique aqui para entrar em nosso canal no WhatsApp
Resolva sua viagem aqui
Reserve hospedagem no Booking
Reserve seu voo
Reserve hospedagem no Airbnb
Ache um passeio na Civitatis
Alugue um carro




