Advogado de Elon Musk questiona confiabilidade de Sam Altman

Sam Altman, CEO da OpenAI, prestou depoimento por duas horas em um tribunal federal de Oakland, Califórnia (EUA), nesta terça-feira (12), onde afirmou ter preocupações de que Elon Musk queria assumir o controle total do laboratório de inteligência artificial (IA).

Durante o julgamento, a confiabilidade de Altman tornou-se questão central, especialmente considerando que ele foi brevemente afastado de seu cargo há três anos porque o conselho da OpenAI acreditava que ele nem sempre dizia a verdade aos diretores.

Antes de deixar a OpenAI em 2018, após uma disputa de poder, Musk queria fundir o laboratório de IA sem fins lucrativos com a Tesla, sua empresa de carros elétricos. O bilionário sul-africano e outros cofundadores da OpenAI se reuniram várias vezes para discutir a fusão, e Altman chegou a receber uma oferta para ocupar uma cadeira no conselho de diretores da Tesla, segundo documentos judiciais.

Status de organização sem fins lucrativos em disputa

A incorporação da OpenAI à Tesla teria eliminado o status de organização sem fins lucrativos do laboratório, algo que Altman disse no banco das testemunhas que queria evitar;

A questão sobre se a OpenAI permaneceria como organização sem fins lucrativos é o ponto-chave no julgamento federal que opõe Musk à organização de IA que ele ajudou a criar;

Musk processou a OpenAI e Altman em 2024, alegando que a organização abandonou seu acordo de fundação como grupo sem fins lucrativos dedicado a construir IA segura para o benefício da humanidade;

Musk acusou Altman de “roubar uma instituição de caridade” ao anexar uma empresa com fins lucrativos à OpenAI original sem fins lucrativos e aceitar bilhões de dólares em investimentos da Microsoft.

Durante seu depoimento, Altman disse que ficou claro que Musk queria assumir o controle completo da OpenAI e repetidamente discutia como transformá-la em uma empresa com fins lucrativos. A fusão com a Tesla foi uma das várias opções que Musk ofereceu. “Eu acreditava que a IA não deveria estar sob o controle de uma única pessoa”, disse Altman.

Ele descreveu o que chamou de “momento particularmente angustiante” quando os cofundadores da startup perguntaram a Musk o que aconteceria com seu controle sobre uma potencial empresa lucrativa quando ele morresse. Altman disse que Musk respondeu que o controle passaria para seus filhos. Altman declarou que não se sentia “confortável” com isso.

O debate sobre quem orientaria o desenvolvimento da IA e se as reclamações de Musk sobre a mudança no status sem fins lucrativos da organização são genuínas também foi foco durante as duas horas de testemunho de Altman.

Elon Musk ficou incomodado com o investimento da Microsoft na OpenAI há alguns anos – Imagem: Frederic Legrand-COMEO/Shutterstock

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Confiabilidade

Steven Molo, o principal advogado de Musk, focou suas perguntas a Altman em sua confiabilidade. “Você é totalmente confiável?”, perguntou Molo. “Acredito que sim”, respondeu o empresário. Após questionar sua confiabilidade por quase 20 minutos, o advogado voltou-se para a relação entre os dois executivos.

Molo prosseguiu, afirmando que o CEO da OpenAI nunca foi sincero com seus próprios temores quanto à IA, no que Musk teria se preocupado tanto a ponto de criar a startup — ele acreditava que o Google se apropriaria da IA e quis parar isso fundando a empresa.

“Você é o tipo de pessoa que simplesmente diz às pessoas o que elas querem ouvir, independentemente de ser verdade ou não?”, perguntou. Questionou ainda se Altman estava agindo em benefício próprio por meio da empresa.

Para tanto, ele apresentou uma lista com investimentos pessoais de Altman em várias empresas que se beneficiariam com sua associação com a OpenAI, como a Helion Energy, que tem contratos com a startup e com a Microsoft, principal investidora da empresa de IA.

No fim de 2022, inclusive, os investimentos da Microsoft incomodaram Musk, que, segundo os documentos do processo, enviou uma mensagem a Altman reclamando disso. “Isso é uma propaganda enganosa“, teria dito.

Quando questionado por seus advogados, o CEO da OpenAI disse que, “em todas as etapas do processo, fiz o possível para maximizar o valor da organização sem fins lucrativos. Gostaria de ressaltar que não existem muitos exemplos históricos de uma organização sem fins lucrativos dessa magnitude”.

Antes de Altman, Bret Taylor, presidente do conselho da OpenAI, deu seguimento a seu depoimento, iniciado na segunda-feira (11). Ele discutiu os esforços de Musk para comprar os ativos da startup em 2024, o que se tornou um ponto de discórdia durante o julgamento.

O executivo afirmou que a proposta o surpreendeu, pois contradizia os objetivos do processo movido por Musk. Ele afirmou que o conselho rejeitou a proposta por não estar em sintonia com a missão da OpenAI. “Não achamos apropriado que uma única pessoa controlasse nossa missão”, disse.

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