Em 2023, um caso curioso chamou a atenção na Tailândia: a cor dos olhos de um bebê mudou de castanho para uma tonalidade azulada (índigo) após iniciar o tratamento oral para Covid-19. O medicamento administrado foi favipiravir, um antiviral de amplo espectro.
O caso é curioso porque, segundo o Live Science, é o primeiro episódio documentado deste efeito colateral em uma criança de seis meses. Apesar desta ser uma consequência rara, não é inédita, visto que um caso similar foi identificado na Índia em 2021.
Favipiravir: entenda como o medicamento alterou a cor dos olhos de uma criança
Em Bangkok, capital da Tailândia, uma mãe levou o seu filho de seis meses ao médico após a criança apresentar febre e tosse por um dia inteiro. Na enfermaria, o menino testou positivo para Covid-19 e o médico prescreveu a droga favipiravir para tratá-lo.
O favipiravir é um antiviral de amplo espectro, comumente utilizado para combater vírus de RNA, como Influenza, Ebola e, desde 2020, o Covid-19. A prescrição indicava medicação sólida (comprimido) no primeiro dia e líquida nos demais.
Contudo, 18 horas após o início do tratamento, a mãe reparou que os olhos da criança tiveram a cor alterada de um castanho escuro para um tom azulado/arroxeado de índigo. A mudança da cor ficava mais evidente abaixo da luz do sol.
Após retornar ao médico, os profissionais entenderam que esta reação rara poderia ser uma consequência do favipiravir, algo que já foi documentado em 2021 em um homem na Índia. Felizmente, não houve alteração na coloração da pele, cabelos ou unhas.
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Consoante o Live Science, pesquisadores levantam a hipótese de que a reação possa estar ligada ao metabolismo do medicamento no organismo, que geraria compostos com fluorescência capazes de se depositar na córnea. Situações parecidas já haviam sido relatadas na Turquia, onde alguns pacientes apresentaram brilho fluorescente em unhas e cabelos quando expostos à luz ultravioleta.
Após três dias de uso do tratamento, houve melhora dos sintomas da COVID-19, levando à interrupção do medicamento no quinto dia. Poucos dias depois, a coloração dos olhos do bebê retornou ao padrão habitual e, em cerca de duas semanas, os exames oftalmológicos já não mostravam alterações.
Entre os efeitos adversos já associados ao Favipiravir estão diarreia, elevação do ácido úrico, queda na contagem de células de defesa e, com menor frequência, náuseas e alterações hematológicas. Segundo os registros disponíveis, este seria o primeiro caso descrito envolvendo um paciente pediátrico com essa manifestação ocular específica.
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