Os argumentos finais do processo judicial entre Elon Musk e a OpenAI foram apresentados nesta quinta-feira (14) em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia. Após semanas de depoimentos de alguns dos maiores nomes da tecnologia, um júri de nove pessoas agora decidirá se a empresa de inteligência artificial e seu CEO, Sam Altman, são culpados de violar o acordo fundador da organização.
Musk acusa Altman, o presidente Greg Brockman e a OpenAI de terem abandonado a missão original da entidade sem fins lucrativos – desenvolver IA para beneficiar a humanidade – ao reestruturá-la como uma empresa com fins lucrativos, enriquecendo-se injustamente com dinheiro que ele teria ajudado a captar. A OpenAI rejeita as alegações e argumenta que Musk sempre soube dos planos de criar uma empresa lucrativa e que sua ação é movida por ciúmes após ter fracassado em assumir o controle da startup em 2018.
Credibilidade de Altman é centro da acusação
No encerramento, o advogado de Musk, Steven Molo, focou na confiabilidade de Sam Altman. Citou testemunhas que afirmaram que o executivo foi desonesto ou evasivo e disse que Altman se esquivou das acusações com linguagem sem compromisso durante seu depoimento.
“A credibilidade de Sam Altman está diretamente em questão neste caso. Os réus precisam absolutamente que vocês acreditem nele. Se vocês não confiarem nele, eles não podem vencer”, afirmou Molo.
O advogado usou uma metáfora: pediu ao júri que imaginasse uma ponte sobre um desfiladeiro, com uma mulher na entrada garantindo que a estrutura era segura com base na “versão da verdade de Altman”. “Vocês atravessariam essa ponte? Acho que poucas pessoas fariam isso”, disse.
Defesa aponta ausência de provas e de Musk
A advogada da OpenAI, Sarah Eddy, rebateu dizendo que o caso de Musk não apresentou provas concretas de que ele tenha imposto condições específicas para seu apoio financeiro. Leu depoimentos, incluindo o de Shivon Zilis, parceira romântica de Musk e mãe de seus filhos, que afirmou não se lembrar de nenhum acordo explícito.
“Nem mesmo as pessoas que trabalham para ele. Nem mesmo a mãe de seus filhos pode corroborar sua história”, disse Eddy. “Nenhum documento corrobora a história de Musk, e isso porque nenhum compromisso ou promessa foi feito.”
O advogado principal da OpenAI, William Savitt, também destacou que Musk optou por não acompanhar o desfecho do julgamento. O CEO da Tesla viajou à China com o presidente Donald Trump nesta semana.
“Elon Musk não está aqui hoje. Meus clientes estão. Musk compareceu a este tribunal apenas para depor uma testemunha: Elon Musk. Agora ele está em um local desconhecido”, afirmou Savitt.
O que está em jogo?
O processo movido por Musk pede dezenas de bilhões de dólares em danos e o desfazimento da conversão da OpenAI em uma empresa com fins lucrativos, concluída em outubro. Ele também quer a remoção de Altman e do presidente Greg Brockman de seus cargos de liderança. A OpenAI rebate que a ação é uma tentativa de minar um concorrente da própria empresa de Musk, a xAI.
A animosidade entre os dois bilionários ficou evidente. Musk já chamou Altman de “mentiroso” e “trapaceiro”. Altman, por sua vez, respondeu que Musk age por insegurança e que sente “pena do cara”. O desfecho do caso pode redefinir o futuro da OpenAI e o equilíbrio de poder na indústria de inteligência artificial.
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