Guia prático de IA para povos indígenas; veja como baixar

Baixe aqui a cartilha: “IA em foco: guia prático de tecnologia para povos indígenas”

Em 2022, nosso mundo virou de cabeça para baixo. Surgia no mercado essa nova ferramenta, o ChatGPT. Já se falava de inteligência artificial (IA) antes, mas, naquele momento, essa tecnologia saiu das universidades para fazer parte do nosso dia a dia.

Hoje, quase quatro anos depois, muito mudou:

Surgiram outros chatbots, como Gemini e Claude;

Nos interessamos pelos impactos ambientais ao conversar com um robô;

Houve julgamentos para entendermos quais são as responsabilidades da IA e quais travas de segurança ela deve ter;

Começamos a refletir sobre a construção de data centers e os prejuízos que eles podem trazer ao meio ambiente e à sociedade;

Conversamos mais sobre quais são esses dados que treinam as IAs;

Aprendemos novos conceitos, como prompt, automação, destilação, alucinação e viés.

Vimos a primeira lei feita com IA ser aprovada;

O Brasil publicou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial…

Diante da rápida velocidade com que ocorrem essas mudanças, algumas coisas têm ficado pelo caminho, como a importância de entendermos os bastidores da IA. Essa etapa é fundamental para usarmos essas ferramentas com autonomia e responsabilidade.

Crianças indígenas usam celulares na aldeia Apyterewa – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O plano brasileiro e a “IA para o Bem de Todos”

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (ou apenas PBIA) é o documento que guia todas as ações públicas no tema de IA.

Na prática, isso se traduz em resolver problemas reais, mas sem abrir mão da participação de todos, das informações verdadeiras, da segurança coletiva e da proteção dos trabalhadores.

Segundo o plano, publicado em 2024, a meta do governo é investir R$ 23,03 bilhões até 2028 para promover uma “IA para o Bem de Todos”. Como o próprio texto do PBIA destaca:

“A acessibilidade é fundamental, garantindo que os benefícios da IA não se limitem apenas aos cidadãos de países desenvolvidos ou a grupos privilegiados, mas alcancem cidadãos de todos os países e todas as camadas da sociedade, incluindo populações marginalizadas e sub-representadas.”

Guia prático de IA para povos indígenas

Por isso, faz-se tão importante a cartilha “IA em foco: guia prático de tecnologia para povos indígenas” – o primeiro material do país inteiramente dedicado a esse público. O grande desafio é democratizar o debate em um Brasil tão diverso: hoje, são mais de 390 etnias reconhecidas e mais de 290 línguas indígenas faladas.

Mulheres indígenas do Povo Rikbaktsa filmam com celular dança típica na aldeia Beira Rio, Terra Indígena Erikpatsa. – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em uma linguagem clara e direta, explicamos o que é, como funciona e como usar a inteligência artificial. Além disso, alertamos para os riscos e damos dicas de como conseguir avaliar se um chatbot é bom ou não. A proposta é levar conhecimento para esse grupo, promovendo o acesso democrático.

A produção é da jornalista Layse Ventura, editora do Olhar Digital: “Democratizar a inteligência artificial não é apenas fornecer o acesso aos chatbots, mas garantir que os usuários entendam o que acontece por trás de uma conversa com esses sistemas. Como jornalista de tecnologia, vejo este guia como uma ferramenta de cidadania digital importante.”

Nesse contexto, a pergunta deixa de ser “essa IA é boa?” e passa a ser se esse chatbot “reproduz preconceitos” ou “usa meus dados para treinamento”, para citar algumas. Provavelmente você terá outras questões para fazer e talvez as respostas não sejam sempre as mesmas.

Assim, esta cartilha do Olhar Digital não é o fim em si, mas um meio de contribuirmos com uma formação crítica para que todos nós brasileiros possamos pensar com mais propriedade sobre o tema e cobrarmos das autoridades posturas alinhadas com nossos desejos.

O material está disponível para download em português, mas esperamos que futuramente ganhe traduções e adaptações para alcançar o maior número possível dessas centenas de línguas e culturas que compõem o país.

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