‘Noite dos Óvnis’: mistério que intriga o Brasil completa 40 anos

O dia 19 de maio de 1986 entrou para a história da ufologia como a “A Noite Oficial dos Óvnis“. É que, neste dia, dezenas de testemunhas – civis e militares – viram 21 objetos voadores não identificados (OVNIs, também conhecidos como discos voadores no imaginário popular). O caso completa 40 anos nesta terça-feira (19).

Os avistamentos dos objetos misteriosos ocorreram em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Por isso, existem muitos relatos sobre o caso.

“A ‘Noite Oficial dos Óvnis’ é um dos mais importantes casos da ufologia mundial. É o caso com o maior número de testemunhas em todo o planeta”, disse o ufólogo Jackson Luiz Camargo, em entrevista à BBC Brasil. Ele é autor do livro A Noite Oficial dos UFOs no Brasil, lançado em 2021.

Caças interceptaram OVNIs, que voavam de maneira estranha

Na noite daquela segunda-feira, radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e de Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) detectaram OVNIs – ou seja, eram objetos sólidos. Então, o Centro de Operações da Defesa Aérea (CODA) acionou cinco caças da Força Aérea Brasileira (FAB) para interceptar, de maneira pacífica, os objetos misteriosos.

Os pilotos contaram que os OVNIs eram pontos coloridos que faziam manobras estranhas – por exemplo: pairar no céu, voar em zigue-zague, fazer curva em ângulo reto, mudar de cor e atingir velocidades até 15 vezes maiores que a do som. Conforme os caças se aproximavam dos alvos, eles sumiam da vista e dos radares, depois reapareciam em outro lugar.

Cinco caças da FAB foram acionados para interceptar OVNIs pacificamente – Imagem: PeopleImages.com – Yuri A/Shutterstock

Além das manobras observadas pelos pilotos (impossíveis para aeronaves da época, diga-se), a situação tinha o seguinte agravante: os OVNIs sobrevoavam instalações estratégicas para a defesa aérea – por exemplo: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP); e a Academia de Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP).

Também ocorreram registros jornalísticos dos OVNIs. O repórter fotográfico Adenir Britto foi até o pátio do jornal Vale Paraibano e capturou imagens de luzes coloridas que se movimentavam em todas as direções naquela noite.

Um mês depois, dois oficiais do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), acompanhados do ufólogo estadunidense James Hurtak, compareceram à redação e pediram ao editor-chefe os negativos das fotos. Hurtak disse que a NASA analisaria o material, que nunca foi devolvido.

‘Noite dos Óvnis’ traz mais perguntas do que respostas

Quatro dias depois, em 23 de maio de 1986, o então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, convocou uma coletiva de imprensa. Na ocasião, ele informou que cinco caças da FAB tinham perseguido 21 UFOs (versão inglesa da sigla OVNI).

“Não se trata de acreditar ou não. Só podemos dar informações técnicas. As suposições são várias. Tecnicamente, diria aos senhores que não temos explicação”, declarou na época.

Após quase 40 anos e documentos divulgados, a ‘Noite dos Óvnis’ segue cheia de mistérios – Imagem: Raggedstone/Shutterstock

No fim da coletiva, o ministro disse que um dossiê sobre o caso seria divulgado dentro de 30 dias. Demorou um pouco mais: 23 anos. Um relatório sobre o episódio – datado de 2 de junho de 1986, assinado pelo interino do Comando da Aeronáutica (COMDA) José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque – foi divulgado. E o documento diz o seguinte:

Como conclusão dos fatos constantes observados, em quase todas as apresentações, este Comando é de parecer que os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores, como também voar em formação, não forçosamente tripulados.

“Hoje sabemos oficialmente que houve uma ocorrência aérea real e anômala”, disse o ufólogo Renato Mota ao G1. “Os documentos liberados pela própria FAB reconhecem que objetos não identificados foram detectados visualmente e por radar, realizando movimentos considerados incomuns.”

A Aeronáutica informou que todo o material disponível sobre OVNIs foi encaminhado ao Arquivo Nacional (vá em Favoritos > Objetos Voadores Não Identificados). Além disso, alegou que não dispõe de profissionais especializados para realizar investigações científicas ou emitir parecer a respeito deste tipo de fenômeno aéreo. “Mesmo décadas depois, o caso segue sem uma explicação oficial conclusiva”, observou o ufólogo.

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