A empresa de biotecnologia Colossal Biosciences anunciou, nesta terça-feira (19), o nascimento dos primeiros pintinhos gerados a partir de um ovo artificial. A tecnologia consiste num sistema de incubação sem casca projetado para suportar o desenvolvimento completo de embriões aviários. O processo de ponta a ponta é de baixo custo, escalável em tamanho e capaz de ser replicado em alto volume.
A inovação foi desenvolvida como parte do plano da companhia de trazer de volta à vida a moa gigante. A ave, considerada uma das maiores que já habitaram a Terra, está extinta há quase 600 anos.
Além do projeto de desextinção, os cientistas preveem a aplicação do sistema como uma nova plataforma voltada à conservação de espécies de aves ameaçadas de extinção.
Tecnologia supera limitações históricas da biologia reprodutiva aviária
A criação de sistemas de cultura aviária sem casca é um desafio que cientistas tentavam superar desde a década de 1980. Na época, os experimentos falharam devido à necessidade de grandes volumes de oxigênio puro, o que danificava o DNA e prejudicava a saúde dos animais.
A Colossal superou esse obstáculo desenvolvendo uma arquitetura de casca em treliça integrada a uma membrana de silicone criada por meio de bioengenharia. Ela é capaz de igualar a capacidade de transferência de oxigênio de uma casca natural e manter o gás em níveis ambientes.
“É uma janela para a biologia do desenvolvimento”, afirmou Ben Lamm, fundador da Colossal, em entrevista ao IFLScience. “Isso mostra que podemos replicar a natureza e, de certa forma, até melhorar a natureza, o que é realmente interessante.”
A utilidade da plataforma se estende para esforços de preservação da biodiversidade atual. “A capacidade de incubar embriões aviários fora de uma casca biológica – em qualquer tamanho e em incubadoras comerciais padrão – é uma capacidade que os programas de conservação simplesmente não têm hoje”, explicou Matt James, diretor de operações animais e chefe da The Colossal Foundation, em comunicado.
James destacou ainda que o ovo artificial permite resgatar embriões comprometidos e usar materiais biológicos armazenados em biobancos de maneiras inéditas.
O foco principal do desenvolvimento do dispositivo é a moa gigante, ave da Nova Zelândia que desapareceu logo após a chegada dos primeiros humanos.
Embora a empresa preveja o nascimento de seu “mamute ressuscitado” para 2028, o projeto da moa demandará mais tempo. Isso ocorre porque os cientistas ainda não possuem o sequenciamento completo dos genomas dessa espécie.
Apesar da barreira genética pendente, a liderança da empresa demonstra forte convicção no sucesso do projeto no longo prazo. “Apostarei meu dinheiro em moas antes de [chegarmos a] Marte”, declarou Lamm ao IFLScience ao ser questionado sobre os prazos estimados para a desextinção da ave gigante.
O post Primeiros pintinhos nascem de ovo artificial que promete ‘ressuscitar’ ave extinta apareceu primeiro em Olhar Digital.






